Declarações de amor online celebram as mães, revelando o que existe de humano e amoroso em nós

AMOR ON LINE AVESSO

Beth Barra

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman cunhou o conceito mundo líquido; efêmero e superficial, subproduto da era pós-moderna. Vários de seus livros abordam e investigam o tema. Em Amor Líquido, ele reflete e argumenta sobre a fragilidade das relações humanas, os laços frouxos – nos relacionamentos afetivos, familiares, nas amizades, em nossa capacidade de direcionar esse amor até a nós mesmos. Vivemos relações de bolso, preguiçosos ou amedrontados demais para avançar do gostar virtual para o cotidiano da vida, que exige tempo, disponibilidade, entrega.

Humanoides de uma nova era, temos nas redes sociais um imenso canal de comunicação. Compartilhar, postar, twittar, blogar, vlogar são verbos do início do século 21. Mas entre Drummond, que cansou de ser moderno e queria ser eterno, e as análises lúcidas do intelectual Zygmunt, milhares de corações (incluindo o meu)  andam teclando mensagens de amor às mães, postando fotos novas ou antigas (relicários de lembranças), trechos de poema, manifestações de alegria em 140 caracteres ou textos livres de autocensura. É o encantamento de celebrar as mães e esse orgulho de ser rebento não tem idade, gênero e dispensa as ideologias.  Muitos guardam gosto de saudade, remexem memórias de afetos; outros exibem a exuberância do agora.

No domingo, 10 de maio, os feeds de notícias foram inundados pelas declarações de amor às mães. Difícil resistir a revelação do que existe de humano e amoroso em nós. Há os outsiders – seguindo o script de seu perfil público intelectualizado ou distante das pequenas coisas da vida. Os reservados, guardando no avesso a saudade, deixando na intimidade um amor que  para eles não necessita ser declamado em verso ou prosa nas redes sociais. Não vai aqui julgamento de qualquer tipo, mas observações de quem publica, lê – e curte, quando gosta, centenas de postagens diariamente.

A temporada online de amor está no finalzinho. Logo as rosas começam a murchar. Cada usuário retoma seu estilo, foca nos temas preferidos, publica a nova selfie, o regram do amigo, o post de humor, a crítica política, as citações de poetas, intelectuais, escritores, as imagens (milhares) de celebridades, arte, cinema, dolls, moda, flores, viagens, tricota com o grupo mais chegado. Permanece um restinho de ternura, feito trecho do poema de Quintana: …”No fim tu hás de ver/ que as coisas mais leves/ são as únicas que o vento não conseguiu levar…”

 

Planeta Terra –  O facebook tem 1,44 bilhão de usuários (quase 90 milhões deles no Brasil); Instagram já chegou aos 300 milhões; 800 milhões de pessoas têm contas no WhatsApp e o twitter, criado há nove anos, tem pouco mais de 300 milhões de usuários ativos, de um total de 500 milhões.

 

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