Os nômades digitais e a coexistência entre trabalho e qualidade de vida

Rodrigo Costa (*)

A estabilidade do sonho

Quem nunca sonhou em largar tudo, emprego, estabilidade, dívidas, compromissos, e viver a vida que pediu aos céus? Sou funcionário público e atualmente fico me repetindo a mesma pergunta: será que sou feliz por trabalhar 08 horas por dia em troca da minha estabilidade, do meu salário no final do mês?

Pois é, cresci ouvindo dos meus pais e da minha família, que entrar para o serviço público era o melhor que eu poderia fazer por mim e futuramente pela minha própria família, justamente por essa “segurança”. O fato é que depois de muita luta (puxa vida), consegui entrar e hoje já são 07 anos de estabilidade e “segurança”.

As vantagens são inúmeras, e as desvantagens são as mesmas de qualquer emprego, que vocês certamente conhecem muito bem. Aquela rotina diária, a repetição de atividades sempre me incomodou muito. Desde pequeno sempre quis “curtir” a vida e aproveitá-la ao máximo, Carpe Diem – acho até que essa vontade é um instinto do ser humano – viajar, conhecer lugares bacanas, assistir filmes novos, e por que não assistir de novo aos mais queridos, ler bons livros e relê-los quantas vezes quiser.

No entanto, vivemos em uma sociedade que valoriza muito mais o ter do que o ser, e a maioria das vezes nossos sonhos são corrompidos pelo consumismo e se perdem na sua essência pura. Os desejos de consumo, uma televisão grande, um celular de última geração, o melhor carro, morar bem, vão aos poucos se tornando nosso verdadeiro projeto de vida sem que percebamos.

E até acho natural ter mesmo alguns desses objetos necessários para a vida moderna. Faz parte da condição humana ter segurança e querer viver bem. Mas nada explica, razoavelmente, ter que comprar o último celular a cada lançamento do mais novo, ou a maior televisão que existe. Vamos virando escravos daquelas mesmas coisas que necessitamos para viver bem e confortavelmente.

Quando viajo, por muito tempo, fico com vontade de voltar e dormir na minha cama, ver meus filmes na minha televisão, tomar banho no meu banheiro, deitar no meu sofá – sentimentos de posse. A vida para ser boa tem que ter equilíbrio. Nem tudo nem tão pouco. Yin Yan.

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Ilustração: Rodrigo Costa

A instabilidade da vida

Ao mesmo tempo que é tão fácil viver assim, nessa suposta segurança, é muito frustrante, falo por experiência própria. A vida vai se tornando vazia. Não por estar insatisfeito com o que eu escolhi mas por viver as mesmas coisas todos os dias. A normalidade das coisas vai nos cansando. Esse tipo de frustação é cada vez mais comum em nossos dias, pois nos indagamos mais, nos permitimos mais. Vivemos novos tempos com novas possibilidades. De fazer aquilo que nos faz feliz no momento que desejamos fazê-las. Novas formas de modelo de trabalho, sobretudo com a firmação mais e mais da internet em nosso cotidiano.

Existem alguns livros como o best-seller “Trabalhe 4 horas por semana”, Timothy Ferris, que falam sobre isso. E o próprio autor clássico, Karl Max que já alertava que para viver bem as pessoas precisam de um tempo de ócio, sendo que o ideal seria trabalhar somente metade do dia e a outra metade fazer aquilo que quisesse, ler, ir ao museu, pintar, fazer esculturas, navegar.

Como não sou diferente, penso várias vezes durante o dia como conciliar minhas vontades com meu trabalho. Se não era melhor largar tudo e voltar a correr atrás de novos ideais. Isso que está acontecendo no mundo ai fora. Várias pessoas largam sua zona de conforto e partem para a busca do novo. Esse estilo de vida ganhou muitos adeptos e continua ganhando mais a cada dia.

Sem falar nas mais diversas possibilidades de fazer aquilo que se gosta, vou falar da internet. A internet hoje possibilita trabalhar de qualquer lugar. Os “Nômades Digitais” como são conhecidos vivem esse estilo mais concretamente, eles unem o trabalho com a possibilidade de conhecer o novo, gente nova, lugares novos, comida nova, cultura nova etc.

Podem trabalhar de qualquer lugar do mundo, e bastam apenas seu notebook debaixo do braço e conexão com a rede. Pronto! Imagina trabalhar fazendo picnick debaixo da Torre Eiffel, ou tomando um café em algum lugar pequeno e aconchegante de Amsterdã. Viajar e trabalhar com os novos conhecimentos de cada lugarejo. Algumas das vantagens de quem é Nômade Digital.

Aprender línguas e culturas. Tornar-se até mais humilde pois a medida que vamos conhecendo temos mais consciência de que somos só um pontinho neste vasto mundo. Talvez a vida dos sonhos. Pegar um ônibus e partir sem destino, sem se preocupar com férias, horário nem nada. Somente com a certeza de estar vivendo com possibilidade incertas.

Ainda não sei se estou preparado, mas não quero ser mais um. Não falo de sucesso, fama e riqueza, mas apenas de qualidade de vida.

(*) Rodrigo Costa, jornalista, é Hot People –  rodrigo.poramaisb@gmail.com

Referência: www.nomadesdigitais.com

Ele está nas redes sociais como @rodrigocostarcc

Categoria: Avesso