As antigas barbearias estão de volta; um pequeno luxo na pausa diária

barbeiroIsmael Dias Medina trabalha com cortes masculinos desde 1997 e há cerca de um ano e meio abriu sua primeira barbearia retrô, inspirado pelo contato com profissionais do mundo todo, filmes e fotografias

Rodrigo Costa

Imagine você andando na Quinta Avenida, ou em Wall Street, na Nova York de 1940. Onde todos os homens usavam chapéus e paletós, fumavam seus cigarros ou charutos. Você passa por um Polo rodando e se lembra de cortar o cabelo, bem como fazer a barba. Abre a porta do estabelecimento e entra. No interior, uma vitrola soa a fascinante voz de Frank Sinatra dentre outros clássicos. Você conhece seu barbeiro pelo nome. Senta-se, enquanto ele coloca uma toalha quente em seu rosto, afia a navalha,  pega a tesoura e o pente e começa a cortar magistralmente seu cabelo. Ao mesmo tempo em que começa aquele bate papo bom, que não tem nenhuma pretensão, mas que se trata apenas de uma conversa entre amigos.

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Se você como eu não viveu essa época não se preocupe. A onda retrô, que é sucesso há algum tempo, chegou com força total nas barbearias, que muitas vezes reproduzem aquele tempo de nossos pais ou que só sabemos através dos filmes. Alguns estabelecimentos são tão bem decorados e aconchegantes que nos sentimos bem ao ir cortar o cabelo ou aparar a barba. Um pequeno luxo na pausa do dia a dia e com um plus, já que hoje o homem moderno se cuida mais, não tem vergonha de ser vaidoso e de gastar dinheiro com seu bem estar ao usar produtos e serviços que satisfaçam suas necessidades cada vez maiores.

Conversei, a pedido do Por A mais B, com o Sr. Ismael Dias Medina, dono da barbearia Sr. Ismael, que fica na zona norte de Belo Horizonte, e enquanto ele cortava meu cabelo, fomos falando sobre a atividade. Sentado em uma cadeira que fazia massagem, enquanto ao lado um rapaz estava com uma toalha quente em seu rosto, parecendo até cochilar. Uma música ambiente era reproduzida na vitrola retrô, em um dos balcões uma coleção de notas antigas, moedas de vários lugares do mundo. Alguns LPs escolhidos a dedo em um canto, uma pequena coleção de máquinas fotográficas em uma prateleira. Do lado de fora o famoso Polo, um símbolo universal, que surgiu na Europa e EUA, há muitos anos. Pelas cores diferenciadas desse objeto era possível identificar se naquele estabelecimento havia um barbeiro ou um barbeiro cirurgião, profissional que realizava também pequenas cirurgias e sangrias.

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Na fachada o Polo azul, branco e vermelho indica que naquele local encontra-se um barbeiro, esse símbolo é usado em países diversos

Ismael trabalha no ramo desde 1997. Anteriormente serviu o exército por 4 anos e atuou por seis meses na Assembléia Legislativa, época em que fez o curso de cabeleireiro e se deu conta de que herdou a paixão de seu avô. Montou a barbearia a cerca de um ano e meio atrás e já pensa em expandir o negócio. O salão que possuía anteriormente continua em funcionamento, sob a administração de sua esposa, e o clic do novo investimento veio de observar as tendências das grandes capitais mundiais e conversar com profissionais de países diversos, além de inspirações em filmes e fotografias.

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Segundo ele, há alguns anos a denominação barbeiro era alvo de preconceito, sinônimo de uma profissão ultrapassada, diferente de hoje, pois existe uma renovação de conhecimento, um orgulho e até glamour no que faz. Isso pode-se notar nas suas vestes e de seus companheiros de trabalho, roupas sociais, coletes e gravatas. Desta forma valorizo o profissional e também o cliente, explica. Além dos cortes de cabelo e barba, os mais procurados, a nova barbearia oferece também banho de brilho, selagem, luzes, platinados, tintura, alisamento, escovas e até sobrancelha, praticamente tudo que um salão feminino oferece, exceto depilação e manicure.

Com a modernização os barbeiros estão mais valorizados, a procura é grande e utilizar seus serviços se tornou um ato cool. Ismael conta com dois funcionários free lancers, neste local, e brinca que não há crise e não há nada melhor do que ser seu próprio patrão. A pequena equipe atende em média trinta pessoas por dia. Ele destaca ainda o grande interesse dos jovens para ingressar no ofício devido ao grande sucesso.

barbearia_clientesPara a equipe de Medina não há crise, eles atendem em média 30 clientes por dia 

#poramaisb – rodrigo.poramaisb@gmail.com