A ex-executiva Soraia Nakano e sua revolução por amor com a criação da Inffinità, joias afetivas

soraia_nakano_post1

Por A mais B: “Não é só vender, mas colocar o coração em cada peça”, designer Soraria Nakano, criadora da Inffinità, as ‘joias de afeto’

Beth Barra

Soraia Nakano, desde a adolescência, tem casos de amor com a arte. Um deles era a pintura. Alguns de seus quadros estão hoje nas paredes das casas dos amigos e nas suas – “eu gostava de retratar a natureza, desenhava e passava para a tela”, conta a designer paulistana .Ela trabalhou por 17 anos no mundo corporativo – uma carreira iniciada no colegial técnico em Processamento de Dados, quando começou a estagiar na área. Formada em Matemática, pós graduação em Administração de Empresas pela FGV, MBA em Gestão Empresarial na FIA. O mundo parecia pequeno para a executiva, fluente em inglês e espanhol, que viajava constantemente para os Estados Unidos, Europa e também Austrália. Quando deixou um alto cargo na Mastercard, em maio de 2015, viveu um período sabático de três meses até criar em agosto, a Infinittà, marca de ‘joias afetivas’. “Quem disse que a gente nasceu para ser uma coisa só?”, diz sobre essa revolução que, no início, deixou muita gente perplexa. “A maternidade mudou minha história de vida. Era doloroso deixar um bebê de seis meses dez horas por dia no berçário. Convivíamos pouco, porque chegava tarde e ela já estava pronta para dormir”.

Entre o nascimento de Clarice, hoje com quatro anos, e o pedido de demissão, Soraia Nakano enfrentou dilemas de mãe e de profissional. Ela tem a honestidade de contar que não foi fácil deixar um alto cargo, abandonar uma carreira de sucesso profissional e financeiro, que era também uma paixão. “Brinco que foi um novo filho e passei por todo processo de gestação da ideia até que nascesse e ganhasse vida”, revela ao Por A mais B sobre a criação da Inffinità. Hoje, 16 meses depois do lançamento da marca, suas joias afetivas contam histórias de amor nas peças delicadas em ouro ou prata – pingentes , medalhas, escapulários, chaveiros que trazem esculpidos, em diferentes formatos, pezinhos de bebês a partir do carimbo da maternidade, nomes de netos gravados com as letras originais, recadinhos para avós, tios, pais.

Soraia Nakano, que vive com o marido e a filha a pouco quilômetros de São Paulo – espécie de oásis familiar, onde funciona também seu ateliê – encarou o conflito carreira X maternidade. “Não foi óbvio no início, comecei um curso de design de interiores pensando que seria meu plano B profissional; descobri que não queria decorar outra casa que não fosse a minha”.

Mudou a rota, foi estudar design de joias e veio o insight criativo. Fotografou a folha do carimbo da maternidade com os pezinhos de Clarice e começou alguns testes. “O que posso dizer é que redesenho tudo, obedecendo contornos, formas, imperfeições e depois reproduzo de forma miniaturizada nas joias”, explica sobre o processo. A primeira medalha, confeccionada em ouro, traz os pezinhos da filha – “uso desde sempre”, diz.

Das amigas que se encantaram com a peça às primeiras encomendas foi um tempo curto para a Inffittà e a coleção ‘O nascimento’ despertarem o desejo de mães levarem em uma corrente no peito os pezinhos de seus filhos. Joias que representam lembranças de vida e criadas junto com o cliente – Soraia Nakano recebe as encomendas também pelas redes sociais. Para confeccionar cada peça personalizada ela conversa com a pessoa, ouve histórias, muitas alegres, algumas tristes.

Novas coleções surgiram a partir da primeira, sempre no conceito de joia afetiva, como ‘A gravidez’ e ‘O crescimento’. Menos de dois anos depois do lançamento, a Inffinità cresceu e apareceu; hoje a joalheria tem linhas para pais, dinhas e dinhos, avós, amigos. Em abril de 2017, Soraia Nakano lança o e commecer da grife, mas não quer perder esse contato com o cliente – “ouvir a história de cada um faz parte do que cada joia representa”, diz.

 

“Na visão de algumas pessoas foi uma coisa meio maluca deixar a carreira de executiva. Mas acredito no potencial de realização e comecei de novo. É um desafio, mas quem disse que a gente nasceu para ser uma coisa só?”

 

“Quando criança queria ser estilista, desenhava também croquis. Pintava, telas à óleo, meu olhar sobre a natureza”

 

“Sou mais feliz agora, converso com minha filha, tenho um vínculo com ela que não tinha na vida como executiva. Trabalho é realização, me sinto produtiva”

 

“Para criar a Inffinità tive o apoio do meu marido, ainda tenho. Do nascimento da Clarice até a criação da joalheria ele reciclou seus horários, cuidava da nossa filha. Me deu esse tempo e agora pode se dedicar também à carreira de engenheiro, que está deslanchando”

 

“Comecei despretensiosamente e a Inffinità está crescendo; consigo reconhecer o tempo de tudo”

 

“As joias eternizam a felicidade da vida, mas também lido com a dor, histórias de perdas. Então não é só vender, mas colocar o coração em dada peça”

 

soraia_nakano_post3

Por A mais B: Clarice, a filha que revolucionou o mundo profissional da designer Soraia Nakano; de alta executiva à criação da Infinittà, uma escolha de amor

Como era a vida de executiva em uma multinacional?
Sempre trabalhei com projetos inovadores, tive oportunidade de implantar o Internet Banking no Brasil quando essa realidade emergiu, depois participei do processo de migração dos papeis vale-refeição para cartões com chip e a transformação do celular pessoal em um meio de pagamento para pessoas sem contas em bancos. Quase 100% dos meus projetos estavam associados com grandes bancos. Conheci muita gente boa que contribuiu para transformação do Brasil. Minha vida como executiva era cercada de desafios, reuniões, viagens, decisões e realizações. Meus chefes ficavam em NY e Miami, a base da operação no Missouri EUA e clientes na America Latina, a maioria bancos.

Clarice nasceu em 2012 e a Inffinità foi criada em 2015. Mas foram os pezinhos dela que a levaram a desenvolver a técnica de miniatura a partir do carimbo da maternidade – a primeira joia afetiva da futura grife. Nesse espaço de tempo continuou  como executiva?
A Clarice completou quatro anos em dezembro. Voltei ao trabalho após a licença maternidade de seis meses. Levei dois anos para amadurecer a ideia de sair do mundo corporativo e empreender. A criação da Inffinità não foi instantânea. Foi um processo que amadureceu dentro de mim. Brinco que foi um novo filho e passei por todo processo de gestação da ideia até que nascesse e ganhasse vida. Após pedir demissão passei três meses sabáticos. Depois comecei a Inffinità.

A maternidade mudou também sua história profissional. Como é hoje a vida de mãe e designer?
A maternidade mudou minha história de vida. Foi doloroso ter que deixar uma bebê de seis meses dez horas por dia no berçário. Convivíamos pouco, porque chegava tarde do trabalho e ela já estava pronta para dormir. Apesar de querer passar mais tempo com a Clarice, tinha muito claro que não gostaria de parar de trabalhar. O trabalho é um pedaço importante da minha vida. Me sinto feliz, realizada e adoro um novo desafio. Mas o ponto principal era ser dona dos meus horários. Hoje convivemos bastante, cuido da Clarice de manhã, almoçamos juntas todos os dias. Acompanho suas atividades extras como natação e balé. É uma delícia ver o seu desenvolvimento.

 

“Apesar da rotina ser puxada para conciliar com a empresa, posso flexibilizar as horas e trabalhar em horários alternativos. Para que consiga me dedicar a Inffinità durmo menos horas por noite e, quando preciso, trabalho no final de semana”

 

Do mundo corporativo para a Inffinità e as joias afetivas. Fez cursos na área de design? Cada peça da marca é desenhada por você?
Fiz um curso de design de joias. Sai do curso com a ideia de desenhar os pezinhos. Resgatei o carimbo da maternidade da Clarice, desenhei e comecei a testar diferentes formas de fabricação. Passei a oferecer para amigas próximas de forma despretensiosa para testar a aceitação e descobri um novo nicho de mercado, a partir disso a Inffinità ganhou vida. Desenho 90% das joias da marca, terceirizo algumas, como as mandalas.

soraia_nakano_post2Dos pingentes com pezinhos grafados em ouro ou prata, a Inffinità hoje desenvolve outras joias no conceito de afeto. Fale um pouco da ampliação do universo criativo da joalheria
Tudo começou com a coleção “O nascimento”, onde o tema principal são as joias com o carimbo da maternidade. A ampliação do portfólio foi natural, já que as mães queriam joias que acompanhassem toda a evolução dos filhos. Com isso nasceram as coleções “A gravidez”, onde eternizamos o perfil da mamãe grávida, ou o bebê ainda na ultrassonografia, e “O crescimento”, com as mãozinhas, letras e desenhos das crianças. Além de agradar as mães, os pais começaram a pedir algo para que eles pudessem usar. Diversificamos formatos e criamos a linha masculina com cordões de couro, escapulários e chaveiros. Com o tempo, as irmãs, dindas, dindos e avós ganharam joias exclusivas.

A Inffinità sempre tem novos lançamentos, como o relicário para guardar os primeiros dentinhos do bebê. Todas essas criações que envolvem design e afeto vêm da sua usina de ideiass?
O processo criativo é contínuo e estou sempre antenada no que pode agradar as famílias. Coloco a afetividade como essência em todas as criações. O dentinho de leite é um marco importante no crescimento das crianças. Já existem linhas de joias que usam os dentinhos como parte integrante da própria joia, mas fiz a opção de guardá-los em um lindo relicário.

Você trabalha peças em prata, ouro amarelo, ouro branco, algumas com delicados diamantes. Isso faz com que essas joias de afeto sejam acessíveis de acordo com o tipo de metal. Desde o início criou essas opções?
A ideia é ter joias para todos os bolsos e gostos. Claro que todos gostariam de ter suas joias em ouro 18K ou ouro branco, principalmente por simbolizarem algo tão único e exclusivo, mas sabemos que nem sempre é possível, principalmente com essa crise que o Brasil passa. Há diferentes clientes e diferentes realidades.

Como é o contato com os clientes?
O poder das redes sociais é incrível. Conecta pessoas de diferentes lugares em instantes. As joias da Inffinità agradam tanto que as mamães sentem vontade de contar o que acabam de receber e geram posts espontâneos, que trazem novas clientes. O boca a boca nas redes sociais são os posts. Passei a receber encomendas de diferentes partes do Brasil e de outros países. A ideia de exportar parece bem legal, mas por enquanto o foco é atender o Brasil e só depois crescer e expandir para fora. Tenho várias clientes nos EUA, alguns na Europa e outros pontuais em Singapura e Israel. Saber que as joias são inovações nesses outros locais mostra que temos muito mercado para explorar.

O mundo anda muito acelerado e sua joias são uma espécie de resgate de ternuras. Quando criou a Inffinità qual era sua expectativa do projeto joalheria afetiva?
Depois que você é mãe, uma boa parte do seu mundo gira em torno dos filhos. As conversas com amigas e você ganha novas amizades do universo materno. Criar a Inffinità com o foco na maternidade foi natural. Já fazia parte da minha nova realidade. Hoje a Inffinità ocupa um lugar diferenciado, pois entregamos muito mais do que uma joia. Diferente das joalherias tradicionais, onde tudo é padronizado, nós conseguimos fazer com que os clientes sejam co-autores das suas próprias peças. Ter algo único, exclusivo, personalizado e afetivo é nossa marca registrada.

#poramaisb – #bethbarra
beth.poramaisb@gmail.com
bethbarramoda@gmail.com

Leia MAIS
Gente
Design

Por A mais B: Joias afetivas e personalizadas Inffinità, da designer Soraia Nakano
« 1 de 17 »
Categoria: Décor/Design, Gente, Photos