Conheça a Loja Nila e seu movimento por uma moda com mais representatividade + entrevista com Júlia Ferreira


Júlia Ferreira sócia da Loja Nila - Arquivo Pessoal

Por A mais B; Entrevista: “Uma boa modelagem plus size não é aquela que simplesmente foi ampliada para tamanhos maiores. É preciso começar do zero para que a peça fique com uma modelagem interessante e confortável”, diz Júlia Ferreira 

Rodrigo Costa*

Toda mulher quer estar bonita e feliz consigo mesma. E quando uma mulher, independentemente da sua idade ou do seu tipo físico, vai às compras de roupas sempre acaba tendo um imenso prazer e ao mesmo tempo um grande desafio pela frente. Principalmente, para as mulheres com perfis de corpo não estabelecidos pela indústria da moda que usam tamanhos maiores aos convencionais.

Instagram - Júlia Ferreira

Instagram – Júlia Ferreira

Um dos desejos das mulheres é se sentirem representadas, bonitas e bem vestidas em todas as ocasiões, no entanto, existem dificuldades para encontrar produtos ou inspiração de roupas que combinem beleza e estilo, sem contar o peso ou perfil pessoal. Devido a tímida consolidação do mercado de roupas com numeração GG. Contudo existe uma crescente exigência de consumidores que buscam sofisticação, qualidade e estilo, fugindo do clichê tradicional. Não se trata de  apenas uma roupa com tamanho maior, mas uma roupa que atenda ao manequim, e que ressalte o seu estilo e à sua beleza.

Devido a isso o mercado de roupas especializado plus size não para de crescer. E encontrou uma possibilidade de expansão que ainda não havia sido notada pelo mercado da moda convencional. De acordo com dados da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), o mercado plus size cresce 6% anualmente e movimenta cerca de R$ 5 bilhões, (dados de 2017). Esse percentual corresponde a aproximadamente 300 lojas físicas e cerca de 60 virtuais. A expectativa, segundo a associação, é de um crescimento de pelo menos 10% ao ano.

Renata Poskus, diretora do Fashion Weekend Plus Size e digital influencer do segmento plus com o blog Mulherão, disse para o portal Novarejo, que o mercado plus size já evoluiu muito, mas ainda tem muito espaço para ser explorado. Segundo ela, quando entramos em um shopping center com cerca de 200 lojas, uma ou duas lojas, no máximo, atenderão ao público plus size. É um descompasso levando-se em consideração a realidade da metade da população brasileira que usa tamanhos maiores do que os oferecidos.

Pensando nisso, o Por A mais B, entrevistou Júlia Ferreira, mineira de Belo Horizonte, 29 anos, formada em Relações Públicas pela UFMG e trabalha há 6 anos como diretora comercial do Chata de Galocha, um dos primeiros blogs brasileiros a entrar para a lista dos mais influentes do mundo do Signature 9. Já trabalhou em parceria com marcas como MAC Cosmetics, L’Oreal, P&G, Renner e outras. No final de 2017 fundou a Nila junto com a sua sócia Natália Resende, marca feminina online voltada exclusivamente para o setor plus size.

Na descrição da loja Nila podemos observar que é ela é fruto de um sonho compartilhado entre as duas sócias que cresceram juntas e vivenciaram a realidade de ser plus size, buscando a auto aceitação e a busca de amor próprio. Assim, surgiu a marca mineira, que atende nacionalmente através do e-commerce. Com o objetivo de oferecer para outras mulheres as peças que elas merecem e desejam, mas que não encontram com facilidade em um mercado ainda limitado que dita um perfil de corpo “perfeito”.

Natália Resende e Júlia Ferreira sócias da Loja Nila - Arquivo Pessoal

Por A mais B; Entrevista: Natália Resende e Júlia Ferreira sócias da Loja Nila – Arquivo Pessoal

Acompanhe nossa conversa com ela:

Vocês que desenham as roupas das coleções da loja Nila? 

Sim, mas temos ajuda de uma estilista que refina toda a coleção, pois nem eu nem Natalia temos formação na área e sentimos a necessidade de ter um olhar mais apurado no processo criativo.

Como é o processo de produção das peças?

Sempre começamos com um brainstorming analisando o que acreditamos faltar nesse mercado. A partir disso fazemos um esboço da coleção e depois das escolhas de tecido batemos o martelo no que de fato vai ser produzido.

Por que uma marca focada na moda plus size?

Acreditamos que o mercado plus é muito carente de marcas que tenham uma visão efetiva de moda. Até pouco tempo atrás as pessoas tinham a imagem que gordos deveriam usar roupas para se cobrir, mas hoje esse pensamento tem mudado (ainda bem!!). Roupa é muito mais que um pedaço de pano, logo o que você escolhe para usar diz muito sobre quem você é e o que você quer passar para o mundo. Dessa forma a Nila nasceu para dar mais chances para esse público se conectar com a moda, que é extremamente carente.

Loja Nila - Arquivo Pessoal

Por A mais B; Entrevista: Loja Nila – Divulgação

O que você acha desse mercado? E quais são as tendências dele? 

Ter uma marca plus size é muito mais do que simplesmente produzir roupas. Eu brinco que é quase que uma terapia que a gente precisa exercer com nossas clientes, pois muitas ainda acreditam que não podem usar um certo tipo de roupa por estarem acima do peso. Então por esse motivo é muito mais difícil do que mercado padrão. Eu acredito que esse mercado só tem a crescer nos próximos anos, mas é preciso entender que ter uma marca plus size exige conhecimentos e tem desafios que marcas padrões não tem.

No cenário atual o mercado plus size acompanha as novidades do circuito convencional?

Acredito que ele está começando a acompanhar, mas de forma muito lenta. Hoje já é possível perceber uma desconstrução dos padrões e ver pessoas ousando sair da caixinha, mas acredito que ainda é preciso melhor muito.

Grandes marcas usam suas redes sociais para divulgarem suas modelos plus size, mas ainda elas não ganharam o espaço merecido nas passarelas das semanas de moda. Há uma perspectiva para isso?

Acho que essa pergunta vai na linha da que foi feita anteriormente. O mercado da moda tem percebido essa mudança de comportamento da sociedade, que não aceita mais as imposições que uma minoria ditava, mas ainda acho que mudanças concretas vão demorar a acontecer.


Loja Nila - Arquivo Pessoal

Por A mais B; Entrevista: Loja Nila – Divulgação

Qual é o desafio em adaptar as tendências, materiais e shapes para produzir uma moda plus size antenada com as novidades, mas ao mesmo tempo adequada ao conforto do público?

O desafio é justamente esse. Uma boa modelagem plus size não é aquela que simplesmente foi ampliada para tamanhos maiores. É preciso começar do zero para que a peça fique com uma modelagem interessante e confortável. Acho que o mais difícil desse mercado é tentar fazer uma peça que fique bem em diferentes shapes, por que os corpos plus são muito diferentes entre si.

Como está sendo a participação da marca Nila em feiras especializadas? Como por exemplo BH Estilo Plus e Pop Plus.

Muito positiva! É incrível receber o feedback das consumidoras ao vivo, e muitas delas se emocionam falando que nunca haviam encontrado determinada peça em seus tamanhos. Essa para mim é a melhor hora.

Conheça mais:

BH Estilo Plus

Nos dias 4 e 5 de agosto de 2018, no  Museu da Moda e na Casa do Jornalista, em Belo Horizonte, acontece o Movimento BH + Estilo Plus com debate público e rodas de conversa com estilistas, blogueiras plus e especialistas da área da saúde e da cultura, desfile em intervenção urbana, consumo consciente, exposição de marcas plus size, flash day tattoo pin-up, brechó, confeitaria e gastronomia regional.

O objetivo do evento é movimentar a Capital da Moda com pautas sobre o potencial da moda mineira plus size, como política cultural e de diversidade, e temas como gordofobia, feminismo, liberdade de estilo autoral, autoestima, identidade e cidadania na moda, tendo em vista que o assunto, sob o viés humanista, cultural e político, ainda tem pouca visibilidade na mídia, no campo acadêmico e em eventos de moda em geral.

#poramaisb – contato.poramaisb@gmail.com

* Rodrigo Costa – Jornalista é um dos fundadores da Gonnabe Conteúdo Web 

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Por A mais B; Entrevista: Movimento BH + Estilo Plus – Divulgação