Cristóbal Balenciaga, o arquiteto da moda que revolucionou a haute couture

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Por A mais B: Celebrando Cristóbal Balenciaga ( 21/01/1895 – 23/03/1972): Discreto, elegante, bonito, um dos mestres da haute couture, deu apenas uma entrevista nos seus 77 anos de vida (Foto: Reprodução)

Beth Barra

Em 2013, quando Mary Blume lançou The Master of Us All: Balenciaga, His Workrooms, His World, particularidades da carreira e da vida de Cristóbal Balenciaga Eizaguirre foram reveladas com respeito e admiração. A jornalista de Nova York, que vive em Paris, teve como uma das fontes para o livro Florette Chelot, que trabalhou por mais de 30 anos com o estilista e foi sua primeira funcionária. Outro nome a quem recorreu foi o de John Fairchild, que por 15 anos atuou no Women’s Wear Daily, famoso em sua perseguição ao designer, sempre atrás de detalhes de seu trabalho. A insistência do ex-editor é justificada, em toda sua vida, o mestre da costura deu apenas uma entrevista, após comunicar sua aposentadoria. Por A mais B celebra o criador espanhol nos 45 anos de sua morte (23/03/1972), como um dos mais geniais nomes da haute couture.

Quando abriu sua maison em Paris, aos 41 anos, Cristóbal Balenciaga já era um criador celebrado na Espanha. Nascido em 21 de janeiro de 1895, em Getaria, província de Guipúzcoa, o estilista morreu aos 77 anos, na pequena Xàbia, Alicante, hoje com pouco mais de 30 mil habitantes. De família pobre, pai pescador e mãe costureira, em sua cidade natal vivia a marquesa de Casa Torrès, que foi sua grande incentivadora – aos 12 anos ele desenhou um vestido para a ama. Logo depois, foi aprendiz de uma alfaiate madrilenho e abriu sua primeira casa de costura em 1915, em San Sebastião, e logo a instalou em Madri. Sua arte o levou para Paris, em 1935, onde apresentou sua primeira coleção no ano seguinte.

Discreto, elegante, bonito, sabia cortar e costurar com perfeição e tornou-se conhecido como arquiteto da costura, também pela solidez das formas e  por suas linhas clássicas. “Não acrescente detalhes inúteis a um vestido. Não coloque uma flor, simplesmente porque você tem vontade de fazê-lo, mas para indicar o centro da cintura, o ponto final de um desenho” – a frase, atribuída ao designer, expressa seu trabalho primoroso na construção de silhuetas, proporções e cores, às vezes, surpreendentes.

Balenciagar POst internoNo livro  Mary Blume,  conta, ainda, que se surpreendeu ao descobrir que o mestre preferia trabalhar com corpos curvilíneos. O célebre couturier criou uma maison que elevou ainda mais a alta costura francesa. Em sua carreira, ele também inovou silhuetas com os vestidos em modelo ‘saco'(1956), a famosa manga-melão – ele tinha obsessão pela ‘manchon de vêtements’ e essa ganhou a aplicação de corte quadrado com uma linha de ombros caídos. Outra criação foi o dress badydoll. O chapéu noiva, de 1967, confeccionado para acompanhar um dos ‘robe de mariée’. Os anos 50 foram o auge de suas criações, começando pela mudança na modelagem, eliminando a cintura marcada e trabalhando os ombros.

O primeiro vestido preto Balenciaga foi lançado em 1940. Um modelo de quadris acentuados por drapeados e busto ajustado. Dois anos depois vieram as jaquetas largas usadas com saias evasês; o paletó-saco e rendigotes são de 1946, assim como as mangas quimono. A Espanha também inspirou Balenciaga: em suas coleções de 1947 e 1948 – belíssimos vestidos e boleros para a noite.

A expertise de construção de silhuetas do designer espanhol parecia inesgotável. O vestido túnica (1955); no ano seguinte subiu barras de vestidos e casacos na frente, alongando-as atrás (a silhueta mollet) e criou a linha império três anos depois: cinturas altas nos dresses e mantôs em modelagem de quimono. Os impermeáveis transparentes de 1965 foram um olhar para o futuro. A última coleção, de 1968, foi repleta de vestidos tubinho, saias mais curtas, jaquetas largas e cores, muitas cores.

Em 2001, a maison foi comprada pela Gucci, que teve Nicolas Ghesquière (hoje na Louis Vuitton) como diretor criativo por vários anos. Na sua saída, entrou Alexander Wang, estilista que teve período curto na grife, agora assinada por Demna Gvasalia.

 

Christian Dior sobre o arquiteto da haute couture
“A alta-costura é como uma orquestra, cujo maestro é Balenciaga. Nós, os outros couturies, somos os músicos e seguimos as instruções que ele nos dá”

 

Coco Chanel sobre o arquiteto da haute couture
“Só Balenciaga é um verdadeiro costureiro. Só ele é capaz de cortar bem um tecido, de montá-lo e costurá-lo à mão”

 

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Por A mais B, celebrando Cristóbal Balenciaga ( 21/01/1895 - 23/03/1972): Criações do mestre do corte e das formas (Fotos: Reproduções)
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