Divando a bela e talentosa Kay Francis, uma das musas do Pré-Code Hollywood

0divando_kay_francis_post1Por A mais B, divado Kay Francis:  Olhos cinzas, pele clara, cabelos escuros, 1,75m de altura, a talentosa atriz ficou famosa também pela elegância e alguns filmes ousados do período pré-code Hollywood (Reprodução)

Beth Barra

Na década de 30 Kay Francis era um dos mais famosos nomes de Hollywood e ganhava um dos melhores salários entre as estrelas da meca do cinema. Olhos cinzas, pele clara, cabelos escuros, 1,75m de altura e magra – seios pequenos, pernas longas e uma elegância que a destacava de seus pares dentro e fora das telas. Por A mais B celebra a atriz no divando, que, apesar dos anos de ouro e dezenas de filmes, foi também rapidamente esquecida e trocada pelas novas musas cinematográficas da época. Katherine Edwina Gibbs nasceu em Oklahoma City no dia 13 de janeiro de 1903 e morreu em 26 de agosto de 1968.

A atriz do divando participou de várias produções antes do pré-código, ou pré-code Hollywood, como ficou conhecido o moralizante Código de Produção estabelecido por acordo dos estúdios, que começou em 1930, praticamente ignorado até 1934. Os beijos, por exemplo, deviam ser discretos e durar no máximo seis segundos, ficou proibido relacionamento entre negros e brancos nos filmes, além de temas como sexo, drogas, homossexualidade, escravidão branca. Os estúdios contrataram Will Haysm, pastor presbiteriano que analisava os roteiros, e criador da cartilha de censura, conhecida como Código Hays. Francis Kay era então uma das estrelas da era do pré-código e brilhou em longas como Ladrão de Alcova (Trouble in Paradise, 1932). Vale lembrar que na década de 50, filmes memoráveis como Juventude Transviada (Rebel Without a Case, 1955) e Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof, 1958) desafiaram abertamente o anacrônico código, só cancelado oficialmente em 1968.

0divando_kay_francis_post2_trouble_paradiseCom direção de Ernst Lubitsch, o filme da Paramount traz Kay Francis em uma atuação exuberante como Madame Mariette Colet, uma milionária que se envolve com o golpista Gaston Monescu (Herbert Marshall). Um ladrão de alta classe, que com sua amante e parceira Lily/Senhorita Votier (Miriam Hopkins), deixa Veneza e segue para Paris. É na cidade luz que a dupla envolve-se com a bela ‘madame’, que se apaixona pelo falso barão.

Diálogos inteligentes, trama ágil envolvendo amor, desejo, luxúria, poder, reviravoltas no roteiro e a performance do elenco tornam Trouble in Paradise um dos grandes filmes da era pré-code. (Nas imagens cenas e cartaz do filme – reproduções)

O figurino de Travis Banton entra para a história cinematográfica como um dos destaques da produção – o talentoso estilista iniciou com Ladrão de Alcova os vestidos de corte enviesado, inspirados na genialidade de Madeleine Vionnet, e os longos de festa realçaram as curvas delicadas de Kay Francis e Miriam Hopkins. Dresses despojados e em tecidos luxuosos realçando silhuetas magras e que dominaram várias produções dos anos 30. As peças clean e sofisticadas foram uma referência do minimalismo da década de noventa.

0divando_kay_francis_post3_jewel_robberyJewel Robbery (1932), de William Dieterle, é outro título da era pré-code em que Kay Francis brilha como Teri von Horhenfels, uma mulher bela e ambiciosa e que se distrai com seus amantes. Casada com o barão Franzun (Henry Kolker), um homem mais velho que faz tudo para que a jovem esposa fique com ele. O filme é ambientado em Viena e o partner da atriz é William Powell – o ladrão de joias Robber, com quem trabalhou em outros longas. (Na imagem, cena do filme – Reprodução)

Nos pouco mais de dez anos em que Kay Francis foi uma das eleitas de Hollywood, ela trocou a Paramount pela Warner Bross, onde participaria de outros grandes filmes. Amores Trágicos (I Found Stella Parish), de 1935, dirigido por Mervyn LeRoy, foi um deles, vivendo o papel título de Stella Parrish, uma atriz com passado obscuro, que deixa a Inglaterra e vai viver em Nova York. A heroína é seguida pelo repórter Keith Lockridge (Ian Hunter), os dois se envolvem e ele descobre os segredos da diva.

Filha de uma atriz, Kay Francis viajava com a mãe e planejou sua carreira. Estreou no teatro e chegou às telas em 1929 participando de Hotel da Fuzarca (The Cocoanuts), de Robert Florey e Joseph Santley, comédia onde brilharam os irmãos Marx. A partir desse pequeno papel ela fascinou diretores e estúdios e da Paramount foi para a Warner Broos no final de 1932. Enquanto sua carreira no cinema estava em ascensão a vida pessoal era atribulada – três casamentos, o segundo com James Dwight Francis (1929 a 1924), de quem adotou o sobrenome artístico, e bastidores repletos de suposições sobre sua sexualidade e os muitos amantes – homens e mulheres.

Uma atriz belíssima, talentosa, elegante e dezenas de filmes. Esses predicados não foram suficientes para Kay Francis continuar brilhando no cinema e, a partir do final dos anos 30, os papéis escassearam e ela praticamente ficou sem filmar. Entrou para a galeria das deusas esquecidas até sua morte aos 64 anos de idade em Nova York, onde levou uma vida praticamente reclusa. Mesmo sem um prêmio de interpretação, ela continua uma referência para cinéfilos por algumas de suas atuações brilhantes e como uma das divas da era pré-code.

 

No escurinho com Kay Francis+ sete filmes com a deusa

Passion Flower (1930) – Direção de William de Mille. Com Kay Francis, Kay Johnson, Charles Bickford

Por Detrás da Máscara (Behind the Make-Up, 1930) – Direção de Robert Milton. Com Kay Francis, Hal Skelly, William Powell, Fay Wray

Capricho Branco (Mandalay, 1934) – Direção de Michael Curtiz. Com Kay Francis, Tanya Borodoff / Spot White / Marjorie Lang, Ricardo Cortez, Tony Evans, Warner Oland, Nick, Lyle Talbot, Dr. Gregory Burton, Ruth Donnelly, Sra. George Peters,

Outra Aurora (Another Danw, 1937) – Direção de William Dieterle. Com Kay Francis, Ricardo Cortez, Warner Oland, Lyle Talbot, Ruth Donnelly

A Primeira Dama (First Lady, 1937) – Direção de Stanley Logan. Com Kay Francis,  Preston Foster,  Victor Jory, Verree Teasdale

Esposa só no nome (In Name Only, 1939) – Direção de John Cromwell. Com Cary Grant, Carole Lombard e Kay Francis

The Man Who Lost Himself (1941) – Direção de Edward Ludwig. Com Brian Aherne, Kay Francis, Henry Stephenson, S.Z. Sakall, Nils Asther, Sig Ruman

 

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Por A mais B, divando Kay Francis: Uma das mais belas e talentosas atrizes dos anos 30, musa esquecida da era dos filmes pré-code (Reprodução)
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