Divando Claire Trevor, a blond que se tornou um dos grandes nomes do cinema noir

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Por A mais B: Divando Claire Trevor, atriz que se tornou um dos rostos e talentos do cinema noir nos anos 40 e 50 (Reprodução)

Beth Barra

Claire Trevor, nascida em Nova York (08/03/1910), filha de pai francês e mãe irlandesa, fez mais de 60 filmes. A atriz do divando do Por A mais B morreu aos 91 anos, em 8 de abril de 2000 – uma vida longa, dramas na vida pessoal como a morte do único filho, três casamentos, quatro indicações ao Oscar e uma estatueta de Coadjuvante por Paixões em Fúria (Key Largo, 1948). No longa de John Huston, viveu Gaye Dawn e contracenou com Edward G. Robinson, Humphrey Bogart e Lauren Bacall, vivendo uma ex-cantora que se torna alcoólatra. O filme, em preto e branco, a consagrou como um dos nomes do cinema noir entre as décadas de 40 e 50, interpretando mulheres inteligentes, astutas, frias, que por vezes escondiam suas vulnerabilidades no álcool, no sarcasmo e na crueldade.

divand_claire_trevor_post2Nos vários filmes noir em que atuou, Claire Trevor foi muitas mulheres. Femme fatalle; renegada; alcoólatra, prostituta, criminosa. Encarnou a maldade e o cinismo em um de seus papéis mais densos como Helem Brent, surgindo em cena com cabelos escuros, em Nascido Para Matar (Born to Kill, 1947), de Robert Wise. O filme chocou Hollywood ao revelar o lado mais sombrio do ser humano – ela vive a amante de Sam Wilde (Lawrence Tierney), um sociopata, e esse relacionamento revela a amoralidade, ganância e corrupção, levados a extremos, no longa de forte apelo e tensão sexual. (Nas imagens, Claire Trevor com Jhon Wayne em No Tempo das Diligências (1939); em cena de Paixões em Fúria (1948) com Edward G. Robinson, que lhe deu o Oscar de Atriz Coadjuvante; com Humprehy Bogart no drama Dead End (1939), que lhe valeu a indicação à estatueta em pouco mais de cinco minutos de atuação; e no impactante noir Nascido Para Matar (1947) com Lawrence Tierney – fotos: Reproduções).

Possivelmente a atuação mais impactante da atriz, que estreou na telona em 1933 em Life in the Raw, de Louis King, quando conseguiu um contrato com a Fox. No mesmo ano fez The Mad Game, de Irving Cummings, com Spencer Tracy. Com o ator filmou também O Inferno de Dante (1935), de Harry Lachman, trailler vagamente inspirado em A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

A atriz  tornou-se conhecida como a prostituta Dallas , no emblemático western  No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939). Ela foi convidada por Jhon Wayne para para participar do filme,  onde ele atuou como ator e diretor no roteiro que envolve uma viagem através do Arizona.

Sua beleza de traços delicados, cabelos loiros e olhar sedutor abriram as portas do cinema para Claire Trevor. A atriz, ao longo da carreira, trabalhou com grandes diretores e atores. O cinema noir deu à atriz, em personagens principais ou coadjuvantes, a oportunidade de revelar na telona a extensão de seu talento encarnando mulheres fortes, ambiciosas, determinadas, politicamente incorretas.

Nascida Claire Wemlinger, ela começou a trabalhar para ajudar a família quando o pai perdeu sua alfaiataria durante a Grande Depressão. Nos anos 20, conseguiu aulas na Academia Americana de Artes Dramáticas e começou a atuar na Broadway.

Sua vida pessoal teve uma discrição pouco comum na época. O primeiro casamento foi em 1938 com Clark Andrews, diretor de rádio, e terminou após quatro anos. Depois ela se uniu a Cylos William Dunsmore, tenente da Marinha, com quem teve Charles, seu único filho. Logo após o rompimento, casou-se novamente com o produtor cinematográfico Milton Bren, que já tinha dois filhos, e foram viver na Califórnia.

Duas perdas parecem ter devastado uma das grandes atrizes do noir. Em 1978, o filho Charles morreu em um acidente de avião e, no ano seguinte, Milton, com quem estava casada há três décadas, foi vítima de um tumor cerebral. Claire Trevor voltou a morar em Nova York por alguns anos e retornou à Califórnia. Ao contrário de outras divas de Hollywood, seu nome continua pouco conhecido fora do círculo dos cinéfilos – Claire Trevor não se tornou uma referência entre moda e cinema, como Audrey Hepburn ou Grace Kelly; ou habita o Olimpo de musas midiáticas, das quais Marilyn Monroe tornou-se símbolo. Mas sua trajetória no cinema e interpretações magistrais permanecem.

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Por A mais B: Divando Claire Trevor (08/03/1910 - 08/04/2000);fotos: Reproduções
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