Divando Ingrid Bergman; inesquecível em Casablanca, sublime em Sonata de Outono

Por A mais B, divando Ingrid Bergman: Atriz morreu em 29 de agosto de 1982, dia em que completou 67 anos; “Eu não exijo muito. Só quero tudo”; em cena de On the Sunny Side, de Gustav Molander, 1936 (Foto: site doctormacro)

Beth Barra

Elas são de um tempo em que talento e beleza quase sempre eram um só elemento. O fascínio pelas atrizes das décadas de 30, 40, 50 parece eterno e a constelação é imensa – lindas, sensuais, elegantes, misteriosas, fatais, doces. Cada uma deixou o legado de alguns dos mais emblemáticos filmes da história do cinema – Ingrid Bergman é uma dessas estrelas cultuadas pelos personagens intensos e por uma história de vida que desafiou o star system norte-americano. O divando do Por A mais B celebra essa mulher de olhos claros, cabelos cor de mel e atuações memoráveis, vitimada por um câncer de mama em 29 de agosto de 1982 – dia em que completou 67 anos. Três Oscars (À Meia Luz e Anastácia, a Princesa Esquecida), um deles de coadjuvante (Assassinato no Expresso Oriente) e cultuada por Casablanca (1942) como Ilsa Lund, que reencontra o antigo amor de sua vida (Humprey Bogart), exilado na cidade marroquina durante a Segunda Guerra. Além da música As Times Goes By, uma frase de Rick entrou para a história cinematográfica – “We’ll always have Paris” (Nós sempre teremos Paris).

ingrid_bergman_casablanca12A beleza nórdica e o talento de Ingrid Bergman foram celebrados quando chegou a Hollywood, em 1939, para a refilmagem de Intermezzo, longa sueco que a projetou, e iniciou um novo tempo em sua carreira. A meca do cinema encantou-se pela atriz, 1,75m de altura, traços aristocráticos e extremamente versátil – era capaz de interpretar qualquer papel, de camponesa à princesa, e de encarnar mulheres adultas, classudas e misteriosas. (Em cenas do nais conhecido de seus filmes, Casablanca)

Nos Estados Unidos foi consagrada por atuações inesquecíveis, tornou-se uma das favoritas de Alfred Hitchock (Quando Fala o Coração, Interlúdio e Sob o Signo de Capricórnio, o grande fracasso de bilheteria do mestre do suspense, com locações em Londres. Realizou um projeto pessoal – filmar Joana d’Arc, dirigido por Victor Fleimng (1948). Mas no auge do sucesso, a indústria do cinema e o público a condenaram pelo envolvimento com o diretor Roberto Rossellini, iniciado durante as filmagens de Stromboli, em Roma. Era demais para uma sociedade puritana que a estrela revelasse ao mundo seu caso de amor proibido.

Os dois eram casados, ela já era mãe de uma menina, e ficou grávida do primeiro filho com o diretor, Roberto, que nasceu em 1950. O casal retornou à Europa, Ingrid Bergman divorciou-se do primeiro marido, um médico. Em 1952, em Roma, nasceram as gêmeas Ingrid e Isabelli Rosselini – atriz do emblemático Blue Velvet, de Dadid Lynch (1982). O caso de amor que abalou a América terminou quatro anos após o nascimento das filhas e a musa de Casablanca retornou à Hollywood.

Antes, filmou na Inglaterra ‘Anastácia, a Princesa Esquecida’, que lhe deu o segundo Oscar. De volta a Hollywood filmou esporadicamente. Estava ‘perdoada’, mas com poucas ofertas de trabalho, embora tenha atuado em Coisas de Paris, de Jeans Renoir, em 1956. Uma nova consagração veio com Assassinato no Oriente Express (1974) – um Oscar de Coadjuvante pelo longa de Sidney Lumet. Mas foi o sublime Sonata de Outono, de Ingmar Bergman, que completaria, em 1978, sua carreira no cinema. Estava fechado o ciclo da atriz sueca, que passaria seus últimos anos lutando contra o câncer.

 

“Eu não exijo muito. Só quero tudo”

 

“Fui de santa para vadia e para santa de novo em uma só vida” (Sobre o retorno aos Estados Unidos e o Oscar por ‘Anastacia, a Princesa Esquecida’)

 

No escurinho com Ingrid Bergman

♥ Intermezzo, de Gustaf Molander, 1933

♥ Intermezzo, de Gregory Ratoff, 1939

♥ Casablanca, de Michael Curtiz, 1942

♥ Por Quem os Sinos Dobram, de Sam Wood, 1943

♥ À Meia Luz, de George Cukor, 1944

♥ Quando Fala o Coração, de Alfred Hitchcock, 1945

♥ Interlúdio, de Alfred Hitchcock, 1946

♥ Joana d’Arc, de Victor Fleimng, 1948

♥ Romance na Itália, de Roberto Rossellini, 1954

♥ Anastácia, a Princesa Esquecida, de Anatole Litvak, 1956

♥ Assassinato no Orient Express, de Sidney Lumet, 1974

♥ Sonata de Outono, de Ingmar Bergman, 1978

 

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