Divando Joan Bennet, musa do cinema noir, que trabalhou com Fritz Lang e Jean Renoir

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Por A mais B: Divando Joan Bennet, atriz que nos anos 40 tornou-se um dos grandes nomes dos filmes noir (Reprodução)

Beth Barra

Nos anos quarenta, Joan Bennet tornou-se uma espécie de musa do cinema noir, uma expressão que só começou a ser usada em 1946 por Nino Frank, crítico francês, numa alusão à Série Noir, coleção lançada pela Gallimard. Foi atuando em obras de diretores do gênero, originalmente em preto e branco e alto contraste, que a atriz do divando do Por A mais B marcou sua história na telona. Antes dessa imersão nas histórias envolvendo suspense, drama, mistério e sensualidade – muitas adaptadas de romances da época da Grande Depressão – ela interpretou moças ingênuas em produções menores, mas começou a se destacar em Quatro Irmãs (1933), de Geoge Cukor. Em 1938, fez Os Segredos de um Don Juan (Trade Winds, de Tay Garnett) e passou nesse filme de belíssima blonde à morena.

Não só a cor dos cabelos mudaram. A atriz começou também uma nova fase na carreira, que inclui quatro filmes com Fritz Lang durante seu exílio nos EUA, além de trabalhar com outros diretores célebres, como Jean Renoir em A Mulher Desejada (The Woman on the Beach, 1947), uma das incurssões a Hollywood do cineasta. Uma década de atuações memoráveis, contracenando com grandes atores e encarnando à perfeição a mulher fatal no cinema noir.

A carreira de estrela bela e talentosa foi interrompida em dezembro de 1951 quando marido à época, e produtor cinematográfico, Walter Wanger atirou, por ciúmes, em seu agente Jennings Lang. O escândalo fechou as portas dos estúdios para Joan Bennet, que na década de cinquenta voltou também a trabalhar em algumas produções mais leves, algumas dirigidas por Vincente Minnelli. Longe da telona, participou de séries na TV e fez uma última aparição no cinema na produção italiana Suspiria (Suspiria, de Dario Argento, 1976). A atriz morreu praticamente esquecida pelo público, não pelos cinéfilos e estudiosos do noir, no dia 7 de dezembro de 1990, aos 80 anos de idade. Era casada desde 1978 com David Wilde, crítico de cinema, o quarto e último marido, com quem teve duas de suas quatro filhas.

Filha do ator Richard Bennet e irmã de Constance, outra diva do cinemão, nascida em Nova Jersey, em 27 de fevereiro de 1910, ela estreou aos 18 anos – um pequeno papel na comédia Soberania (Power, de Howard Higgin, 1928). Entre os anos de estrela do noir e o fim da carreira no cinema, Joan contabiliza dezenas de filmes e atuações memoráveis. Com Fritz Lang atuou em O Homem Que Quis Matar Hitler (1941); Almas Perversas (1945); O Segredo da Porta Fechada (1947) e Um Retrato de Mulher, lançado em janeiro de 45. Nesse longa, de 99 minutos, contracena com Edward G. Robinson como Alice Reed, uma mulher misteriosa em uma trama surpreendente, especialmente pelo final.

joan_bennett_divando_post2O filme é uma adaptação de Once Off Guard, de J.H. Wallis, publicado em 1942, com roteiro de Nunnally Johnson e trilha sonora indicada ao Oscar de 1946. Joan Bennet – e vale citar o figurino belíssimo de Muriel Kinger, especialmente o vestido negro das cenas iniciais – é a misteriosa e sensual Alice Reed, que envolve Richard Wanley (Edward G. Robinson), professor de Psicologia da Faculdade Gotham, em Nova York, em um assassinato. Um homem culto que frequenta um clube fechado em Manhattan, onde geralmente encontra o médico Michael Barkstane (Edmund Breon) e o promotor Frank Lalor (Raymond Massey). (Nas imagens, cenas de Um Retrato de Mulher; reproduções).

Com a mulher e os dois filhos em viagem de férias, Richard Wanley vai encontrar os amigos no clube, mas antes de entrar, fica fascinado com a pintura de uma mulher na vitrine de uma galeria. É esse encantamento que o leva à misteriosa mulher do retrato, a matar acidentalmente o amante da bela desconhecida, que passa a ser chantageada por Flynn (Dan Duryea). Todos os ingredientes – da música, à fotografia em p&b, da angústia, medo e limites rompidos fazem de Um Retrato de Mulher, em seus 99 minutos, um clássico do cinema noir. A direção de Fritz Lang, o célebre cineasta de Metrópole, conduz o espectador a um final impactante. O diretor austríaco, que entre 1935 até o final dos anos 50 viveu nos Estados Unidos, chegou a ser rejeitado pelos críticos europeus pelos trabalhos em Hollywood. Até que se reconheceu que, lá, ele também realizou grandes obras, como The Woman in the Window, título original do longa.

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Por A mais: Divando Joan Bennet; das comédias aos filmes noir (27/02/1910 - 07/12/1990 - Fotos: Reproduções)
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Categoria: Divando, Photos