Divando Mary Astor; ela escandalizou Hollywood e brilhou em O Falcão Maltês

divando_mary_astor_post1Por A mais B: Divando Mary Astor, a bela, talentosa e sedutora atriz que brilhou na telona, ganhou um Oscar de Coadjuvante teve uma vida pessoal conturbada (Reprodução)

Beth Barra

Alguns filmes memoráveis e muitos escândalos na vida de Mary Astor, um deles, em 1935, correu o mundo e quase acaba com sua carreira em Hollywood, quando seu então marido Franklin Thorpe descobre um diário, pede o divórcio e a custódia da filha. O juiz recusa as anotações, que revelam seus casos amorosos, entre eles com o dramaturgo George S. Kaufman, em textos com detalhes sobre suas aventuras sexuais. Os relatos para uma Hollywood puritana, onde o ‘pecado’ morava ao lado, mas precisava ser ocultado, a acompanharam por anos com a reprodução de vários trechos pela imprensa. Mas a atriz do divando do Por A mais B enfrentou as turbulências, casou-se outras duas vezes, e teve mais um filho. No cinema, ganhou o Oscar de Coadjuvante por A Grande Mentira (The Great Lie, 1941, de Edmund Goulding) contracenando com o mito Bette Davis. E continuou trabalhando; ora como protagonista; ora brilhando em papéis menores.

divando_mary_astor_post2A volta por cima após a divulgação do diário inclui trabalhos ao lado de Humphrey Bogart. O Falcão Maltês, lançado em 1941, foi o primeiro filme de John Huston como diretor, tornou-se uma referência de cinema noir. O longa retrata a história de Samuel Spade, detetive particular que perde o parceiro de trabalho em uma investigação para Brigid (Mary Astor), mulher misteriosa   sensual. Ao tentar descobrir o assassino do amigo, descobre, também, uma trama internacional para o roubo de uma estatueta cravejada de pedras preciosas, exatamente o ‘falcon’ do título. (Na imagem, cena de O Falcão Maltês)

Nessa época, o cinema praticamente ainda aprendia a falar. Os filmes sonoros tinham pouco mais de 14 anos na época, e Huston, então um jovem roteirista, usou os maneirismo e excessos na atuação dos personagens. Um Bogart deliciosamente canastrão, uma Mary Astor afetada, sexy e que chorava falsamente em cena. Mas se hoje o roteiro parece previsível, assim como a trama e seu desenrolar, o diretor também soube trabalhar a agilidade, e violência, dos filmes policiais norte-americanos com o mistério das produções inglesas. Tanto que recebeu indicações ao Oscar, de Roteiro e Melhor Filme, pela terceira adaptação do livro de Dashiel Hammett. Os dois atores tinham a imprescindível química em cena – o homem durão e a dama misteriosa e sensual.

No ano seguinte, Mary Astor e Bogart voltam ao set para filmar Do Outro Lado do Pacífico (Across The Pacific), também de Jhon Huston. O celebrado ator de Casablanca encarna o misterioso Rick Leland, que embarca em um navio japonês que vai cruzar o canal do Panamá. A bordo conhece Alberta Marlow – Mary Astor novamente fazendo uma mulher misteriosa, por quem se apaixona, e doutor Lorentz (Sydney Greenstreet), que se apresenta como professor de Sociologia. Apesar de ser um título pouco citado na cinebiografia do diretor, o longa traz as intrigas envolvendo os três personagens e ótimas atuações dos dois protagonistas.

Enquanto brilhava no cinema com seu talento, vários personagens sensuais e cruéis, alguns românticos do início da carreira e a beleza de traços aristocráticos – era filha de um imigrante alemão e a mãe descendente de irlandeses e portugueses – Mary Astor tinha uma vida pessoal marcada pela bebida, crises de depressão e uma tentativa de suicídio. A atriz do divando do Por A mais B nasceu em 3 de maio de 1906 e começou a atuar aos 15 anos, fazendo participações às vezes cortadas na edição dos filmes. Em 1924, estrelou O Belo Brummel (Beau Brummel, de Harry Beaumont), ao lado de John Barrymore, que praticamente a impôs como parceira de cena. A partir desse filme, a carreira deslanchou e ela atuou em dezenas de outras produções, afastando-se a partir do final da década de 50 dos sets, mas ainda aparecendo eventualmente na TV e alguns longas. O último deles em 1964 –  um pequeno papel em Hush Hush, Sweet Charlotte (Com a Maldade na Alma, de Robert Aldrich).

Mary Astor, cujo verdadeiro nome era Lucille Vasconcellos Langhanke, morreu em 25 de setembro de 1987, aos 81 anos, longe do cinema e praticamente esquecida, apesar das grandes atuações no cinema. Escreveu duas biografias, algumas novelas, mas deixou um rastro de beleza, sensualidade e mistério dos tempos em que seu nome brilhava nos roteiros.

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Por A mais B: divando a atriz Mary Astor; 03/05/1906 - 25/09/187 (Fotos: Reproduções)
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