Emilio Pucci, uma celebração ao ‘The Prince of Prints’ nos 24 anos de sua morte

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Por A mais B, moda: Emilio Pucci, o criador de origem nobre que revolucionou o vestuário feminino nos anos 50 com suas celebradas estampas autorais, tons sofisticados e vivos, silhuetas libertárias (Reprodução)

Beth Barra

Na Itália do pós-guerra, com a economia européia ainda em ruínas no início da década de 50, alguns estilistas italianos despertaram o mundo da criação para além das fronteiras de Paris. Entre eles, Emilio Pucci. Nascido em Nápoles, em 20 de novembro de 1914, o Marquês di Barsento foi criado em um palácio de Florença, rodeado pela arte de Da Vinci, Rafael Donatello, Botticelli. Chegou a cursar Sociologia nos Estados Unidos entre 1935 e 1937 e quando retornou ao país alistou-se na Aeronáutica Italiana. Nos 24 anos de sua morte – ocorrida em 29 de novembro de 1992 – Por A mais B celebra o genial criador, que se considerava um artesão, mas desenvolveu um design autoral. Especialmente a partir de Capri, sua segunda coleção, que revelava a influência de sua temporada na ilha em silhuetas, tons e na estamparia: traços sinuosos que vinham do reflexo da luz do sol sobre as águas do mar, disse certa vez.

Nascia também nessa coleção de 1949 a calça Capri, que evoca ainda hoje o espírito do verão na sua silhueta justa, mais curta do que a corsário e mais longa do que a ciclista. Cinco anos depois, no filme Sabrina, Audrey Hepburn celebrizou o modelo criado por Pucci, usando a peça com sapatilhas e blusa de manga comprida em uma versão totalmente em preto.

Um homem culto, refinado, apaixonado por viagens, esportes e pela paisagem exuberante do litoral mediterrâneo. O designer, que se tornaria mundialmente celebrado como ‘The Prince of Prints’ (Princípe das Estampas) começou confeccionando algumas roupas para seu uso, quando ainda era piloto. Uma amiga usou um de seus trajes de esqui – calça mais justa na cintura, camisa, pullover e parka com capuz e fechamento com zíper. O modelo foi fotografado por Tony Frissell, colaboradora da Harper’s Bazaar, e as imagens chegaram à Diane Vreeland, editora-chefe da magazine. Ela publicou a matéria ‘An Italian Skier Designs’ na revista e em 1948 nascia a primeira e pequena coleção do nobre florentino.

pucci_post4_divasVisionário, talentoso, perfeccionista, o designer logo seria celebrado pela estamparia inspiradora, vibrante, cores como turquesa, laranja, limão, magenta e tecidos, entre eles o jérsei de seda, que ele patenteou. Leve o suficiente para dar liberdade de movimento às mulheres. A coleção Capri (1949) incluiu, definitivamente, o nome de Emilio Pucci à nova geração de criadores italianos. As modelagens livres da rigidez estrutural de designers franceses da época, mesmo brilhantes, tornou-se seu estilo – o ‘free-moving’. Roupas com frescor, leveza, graça e adotadas por mulheres das luxuosas praias do Mediterrâneo. A primeira butique foi aberta na sofisticada ilha italiana localizada no golfo de Nápole e, em 1951, ele fundou oficialmente a grife desejo do jet set.

Vestidos em jersey de seda de efeito fluido, camisas, blusas, calças em modelagens simples e precisas – mas com cores e estampas inspiradoras, encantadoras também na silhueta em modelos que logo cruzariam o oceano. O estilo Pucci em clima balneário foi adotado por divas como Lauren Bacall, Marilyn Monroe, a própria Diane Vreeland , sua incentivadora e divulgadora nos EUA. Uma foto de Jacqueline Onassis usando na cabeça um lenço do designer bastou para que as norte-americanas se rendessem às criações do italiano que trabalhava tons e estamparia como um artista. (Nas imagens, Jacqueline Kennedy, a modelo Suzy Parker em editorial para a Vogue de 1953 e  MM – reproduções)

 

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Por A mais B, moda: Criações de Emilio Pucci, o estilista que amava as mulheres + fotos na galeria (reproduções)

Emilio Pucci era um criador que amava as mulheres. Suas roupas libertárias vestiam divinamente, geralmente eram sem forro. Além do jérsei de seda ele desenvolveu e patenteou outro tecidos com a ajuda das têxteis italianas. Entre eles,  o Emilioform uma composição de 45% de xantungue de seda e 55% de naylon. No final da década de 50, outra revolução libertária – o Viva Panty, hoje chamado bodie, confeccionado em seda strech, que não comprimia o corpo. A linha de lingerie foi outro sucesso – sutiãs, calcinhas, camisolas, baby doll e as icônicas estampas em muitas das peças.

Um grande colorista, sempre inspirado pela paisagem mediterrânea e os muitos lugares para onde viajava. Emilio Pucci, alma florentina, tornou-se um cidadão do mundo com suas combinações alegres, vivas e os traços ora abstratos, geométricos; ora trabalhando detalhes de locais em uma fusão sofisticada de tons e desenhos. Pucci pesquisava e estudava movimentos estéticos como o da art nouveau e as artes asiáticas e africanas. Telas pintadas em seda com sua assinatura, simplesmente Emilio.

A alta costura foi lançada em 1962, vestidos e peças para mulheres de formas delicadas e longas pernas. Roupas effortless – a elegância sem esforço dos modelos também em cocktail dress, mas o custo da produção ‘haute’ levou Emilio Pucci a investir ainda mais no prêt-à-porter. Em 1966, veio Vivara, considerada uma de suas coleções mais emblemáticas e uma síntese de sua estampa abstrata e autoral, uma explosão psicodélica de cores e geometrias. O conde criou também linhas de perfumes, óculos, acessórios – o mundo Pucci desejado e usado por mulheres do mundo todo.

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Por A mais B, moda: Coleção Vivara, de 1966, umas das mais emblemáticas de Emilio Pucci (reprodução)

Declínio e ressurgimento da era Pucci

A era Pucci, que parecia permanente, entrou em declínio entre a metade da década de 70 e nos anos 80. O designer mantinha o controle total sobre a produção, enquanto a indústria da moda se concentrava cada vez mais na mulher emancipada e encarando a competição do mercado de trabalho. Ele começou a se afastar dos negócios em 1989. Com sua morte, em 1992, a filha Laudomia Pucci assume o comando e oito anos depois une a label ao grupo LVMH. O estilista porto-riquenho Julio Espada assume a direção criativa, mas logo é substituído pelo genial Christian Lacroix. Foi o francês que em três anos recolocou o nome da grife entre as grandes do mundo da moda – ele trouxe de volta as estampas e revisitou arquivos do fundador.pucci_post5_lecos_novosO inglês Matthew Williamson sucedeu Lacroix até 2009, quando Peter Dundas assumiu a vaga. Há pouco mais de um ano ano, Massimo Giorgetti tornou-se o novo diretor criativo. Ele lançou uma nova série de lenços inspirados nos trabalhos do mestre – foi a terceira edição da linha Cities of the World, iniciada em 2014, e batizada com nomes de cidades relacionadas com o mar: St. Tropez, Portofinno e Capri, desenhos de traços preenchidos com a cartela de cores Pucci, como a combinação de pink e laranja. (Nas imagens, estampas revisitadas do acervo Pucci última linha lançada no Brasil da coleção Cities of the World; divulgação)

A estreia de Massimo Giorgetti, então com 38 anos de idade,  começou com o Episódio Piloto e indica uma revolução na estética da marca, até então focada no clima dos anos 70 – novas modelagens; prints recriados ao sabor do século 21, silhuetas esguias,  cores e fluidez no spring 2017. Uma coleção quase toda trabalhada em jersey de seda, o tecido do mestre, e mixagens de tons em neon, outra herança do criador. Brilhos, paetês e peças acinturadas ou esvoaçantes. Bodies, dress curtos, longos,  aquarela de amarelos, azul mar, cereja, rosa, preto. Sobreposiçõe,s recortes, contrastes de cores e tecidos unidos formando estampas que vêm do arquivo criativo de Emilio, como Bersansaglio e Labirinto. (Nas imagens, estampas revisitadas do acervo Pucci última linha lançada no Brasil da coleção de lenços Cities of the World; divulgação)

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Por A mais B, moda: Spring summer 2017 Emilio Pucci por Massimo Giorgetti (Fotos: Divulgação)

 

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O épico do homem e de sua marca

Em 2013, a Taschen lançou ‘Pucci’, 416 páginas, com texto da jornalista Vanessa Friedman. O livro, primeiro em edição limitada, teve a tiragem ampliada e pode ser comprado no Brasil em sites online e na Cultura, também na versão em português e preços entre R$ 400,00 e R$ 700,00.

Centenas de fotografias, croquis e desenhos cedidos pela Fundação Emilio Pucci e um texto que contextualiza a importância histórica do estilista e da grife na moda, na arte, na pesquisa de tecidos, na tecnologia. No texto de apresentação, o fundador da marca é apontado como um visionário de trajetória épica.

“O fundador da marca, o marquês Emilio Pucci di Barsento, foi um aristocrata carismático cuja linhagem se estende até o século XIV. É uma história de evolução: como uma empresa familiar cresceu de uma pequena loja para uma marca internacional com dezenas de boutiques. E, finalmente, é um conto de inovação: Pucci foi uma das primeiras marcas a ter um logotipo, e um pioneiro da diversificação em interiores, vestuário atlético e acessórios” – Pucci, Editora Taschen

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Por A mais B, moda, 'The Prince of Prints': Celebrando o criador italiano Emilio Pucci nos 24 anos de sua morte (20/11/1914 - 29/11/1992 - reproduções)
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