Looks diáfanos, transparências, fluidez e conto de fadas na haute couture Dior

dior_ve17paris_haute_post1

Por A mais B, moda: No conto de fadas contemporâneo de Maria Grazia Chiuri em sua estreia na haute couture Dior, vestidos diáfanos em nude e chá entra transparências e fluidez (Paris, Fotosite)

dior_ve17paris_haute_post3Beth Barra

A haute couture Dior, primeira coleção da grife francesa por Maria Grazia Chiuri, que fez sua estreia no prêt-à-porter da maison ano passado com o spring summer 2017 entre tules, couro, fluidez, peças street e camisetas celebrando o empoderamento feminino, foi o grande acontecimento da semana do luxo na capital francesa. Dessa vez, a italiana revisitou, com muito frescor, conceitos do criador da casa nos pepluns; nas referências sutis ao tailleur bar, sem a amplidão do mestre. Assim como sua paixão por flores e jardins inseridos na delicadeza de tecidos fluidos nos moelos longos e abaixo dos joelhos. A coleção foi apresentada nos jardins do Museu Rodin –  muitos looks homenagearam monsieur, mas seguiram o zeitgeist – o espírito dos tempos. Entre as silhuetas esvoaçantes de tons rosados, nudes e chá surgiram também em tule vestidos de transparências, veladas ou reveladoras, com as celebradas flowers aplicadas e salpicadas sobre peças de cintura marcada ou tomara-que-caia. (Nas imagens, inspirações do tailleur bar com o conceito contemporâneo da estilista italiana para um ícone da maison; Fotosite)

Uma coleção de conto de fadas e um passeio, escapista e belíssimo, pelo glamour e requinte da Christian Dior. A estilista italiana, que fez uma longa e bela carreira na Valentino, em dupla com Pierpaolo Piccio, agora em voo solo na grife, trabalhou seus próprios conceitos e criaouum dioríssimo contemporâneo. Entre os longos fluidos evaporosos, muitos com a silhueta princesa do mestre, drapeados, pontos e aplicações de brilho e decotes um pouco mais ousados. Mais sedas, rendas sobrepostas – entre elas, a  saia de babados em azul contrastando com o nude chá do corpete.

dior_ve17paris_haute_post4Uma Dior moderna. Diáfana nos longos haute couture – as tops usando acessórios de fadas e princesas para os cabelos como diademas com penas ou rosas. Maria Grazia Chiuri criou um rocker princesa em alguns looks. Da passarela desse conto de fadas emergiram ainda vestidos ousados também na delicadeza – como o modelo sem alças, cintura definida, saia ampla e franjada na barra e bordado salpicado de flores. Ou a total transparência do dress quase oliva, pequenas flores aplicadas, que revelaram cada detalhe do contorno do corpo sobre a hot pant em branco.

Nessa fantasia onírica fadas e também feiticeiras. Elas apareceram nos looks negros com ou sem capuz, alguns em veludo. As encantadas também surgiram sob capuz salpicados de flores em tons suaves. E mulheres muito sensuais nos vestidos pretos em seda, renda, tule e valvet. Modelos com máscaras na face no baile da floresta encantada, chocker no pescoço trabalhada com duas grandes flores – uma joia belíssima e moderna. Além dos tons suaves, vermelho, verde e além dos florais, uma estamparia criativa repleta de cavalos e criaturas míticas. (Capuz no conto de fadas da haute Dior e a nova lady que emerge das criações de Maria Grazia Chiuri – Fotosite)

Alfaiataria na série em preto. Um luxo diurno na coleção haute couture Dior nos looks austeros de tecidos nobres – casacos, casaquetos, paletós e saias estruturadas, algumas plissadas, com tornozelos à mostra. Transparências também nesse black, contrastando as silhuetas arquitetônicas à fluidez de saias  levíssimas em sobreposições.

dior_ve17paris_haute_post2

Por A mais B, moda: Alfaiataria  na série em preto da haute coutur da Dior por Maria Grazia Chiuri (Paris, Fotosite)

 

A haute couture é um oásis de beleza e experimentações. Um clube fechadíssimos de maisons, estilistas e compradoras – ou colecionadoras como passaram a ser chamadas as mulheres que podem e gastam milhares de dólares por uma peça exclusiva. Cada grife ou designer que participa da semana de alta costura de Paris passa pela aprovação do Chambre Syndicale de la Haute Couture, que anualmente revê os nomes que vão estar na passarela. Ter um ateliê na cidade luz, apresentar duas coleções ao ano, ter um grupo de artesãos, costureiros, bordadeiros que trabalhem em tempo integral para a casa e confeccionar peças de encomenda, únicas. Essas são algumas das exigências para integrar o seleto grupo. Roupas que custam fortunas e podem demorar semanas até ficarem prontas, Haute couture é prestigio, inspiração e sonho – as marcas de luxo cada vez mais assumem coleções de prêt-à-porter linkadas ao street style, às ruas. Looks com modelagem, tecido e acabamentos impecáveis, mas que são logo copiados pela indústria  fastfashion. Sem a perfeição dos originais, mas esse é o espírito dos tempos, do acesso às coleções, muitas vezes com os desfiles transmitidos ao vivo. A alta costura e seu  glamour criam desejo e o sabor dele vem dos acessórios, dos sapatos, perfumes, makes que dão as mulheres ricas, mas sem milhares de dólares para gastar em um dress, a sensação de fazer parte desse mundo. Isso é moda, criação e negócio.

#bethbarra
beth.poramaisb@gmail.com
bethbarramoda@gmail.com

Leia MAIS
Moda

Por A mais B, moda: Estreia de Maria Grazia Chiuri na haute couture Dior, spring 2017 (Paris, Fotosite)
« 1 de 11 »