Medalha de ouro na fotografia, emoção e poesia vintage por lentes analógicas

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Rodrigo Costa

Em tempos olímpicos somos cercados por imagens dos jogos. Vários atletas, de todos os esportes exibem toda a beleza envolvida. Milhares de profissionais, os melhores do mundo, equipamentos de última geração, milhares de dólares, câmeras digitais conectadas a rede, buscam pela imagem perfeita, aquela que mostra o que está acontecendo e o que ocorreu. Mas poucos conseguem um resultado tão lindo, puro – e tão cheio – e porque não poético como o fotojornalista norte-americano David Burnett, 69 anos.

Brunett começou a retratar Olimpíadas em 1984 em Los Angeles e está atuando nos jogos Rio 2016. Suas imagens são granuladas, em preto e branco, com histórias completas, em que a composição e o assunto se entrelaçam perfeitamente. Não são simples fotos. Seu estilo vintage é o mesmo usados em vários aplicativos atuais encontrado em qualquer store dos celulares. Sua estética vem da técnica original, câmeras analógicas, que usam filmes, que são revelados manualmente, uma a uma.

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As câmeras foram fabricadas há mais de 50 anos. Entre elas, estão uma Graflex Speed Graphic 4×5 e uma Holga. Sendo que a Holga o corpo e a lente são feitos de plástico. Modelos clássicos e que exigem toda uma preparação manual de maneira ordenada para se conseguir um resultado. E claro uma sensibilidade aguçada como de David.

Em uma entrevista concedida ao site “Lomography”, o repórter perguntou a Burnett por que registrar uma Olimpíada assim. Ele respondeu: “Só estou tentando fazer algo que deixe as fotos um pouco mais especiais para mim”. E sinceramente David você conseguiu e consegue deixar essas fotos muito mais que especiais, verdadeiras obras, que fazem com que nossas vidas tenham mais momentos belos.

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Para o jornal LA Times, disse que sempre tenta trazer uma ideia do que seria ser um espectador nas arquibancadas. Não precisa ser aquele momento em que o atleta ganha a medalha de ouro. Um atleta pode falhar miseravelmente, mas ter um grande coração, afirma.

Burnnet não busca alcançar mais do que um momento preciso, ele concentra toda sua atenção em um único, justamente por usar equipamentos analógicos, o que não o permite acelerar tanto e fazer vários cliques como os demais. Mas apenas um. Perfeito. Usando todo o seu conhecimento e atenção para capturar um grande e profundo instante.

Quase 40 anos de trabalho renderam uma coletânea intitulada “Man Without Gravity”, em cartaz na galeria de arte Anastasia Photo, em Nova York, que fica em cartaz até o dia 25 de setembro e reúne imagens feitas desde 1984 durante diversos jogos olímpicos.

#poramaisb – rodrigo.poramaisb@gmail.com

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Categoria: Gente, Photos