O mundo continua blue, blue jeans; o crème de la crème do verão 2017 em silhuetas, texturas e tons para cada paixão

Por A mais B, moda: Detalhe do vestido em clima couture de Samuel Cirnansck, o jeans leve e fluido mixando à delicadeza da renda (SPFWn42, Fotosite)

jeans_post2_fabiana_millazoBeth Barra

Crème de la crème do verão 2017, o jeans anda também seduzindo ladylikes – os longos trabalhados com renda, aplicações delicadíssimas de cristais e transparências de Samuel Cirnansck surgiram em denim leve e sensual na passarela do SPFWn42. O designer dos vestidos de festa criou peças ultrafemininas no tecido e lançou uma nova linha, a SCK Resort, com seu sportwear ancorado em diversos tons do blue mais famoso do planeta. O protagonista da temporada do sol, celebrado nas ruas do mundo, flerta com a couture – Fabiana Millazo criou uma série com tops em cetim + saias com o tecido trabalhado em vazados e efeito franjado em Teen Spirit, mixagem de luxo + referências grunge também nos dresses em renda com casacos estonados. Parceria da estilista com a Canatiba, iniciada em 2015, com o projeto LAB. Nas passarelas internacionais; destaque para os looks em índigo escuro da Kenzo em saias, vestidos, calças. (Looks do desfile de Fabiana Millazo, verão 2017, Minas Trend, Fotosite).

Mas são peças como calças, camisas, jaquetas, coletes, tops, jardineiras, saias que mantêm a celebridade do tecido. Os efeitos destroyd + rasgos, desgastes, bordados, pedrarias e spikes, especialmente das calças, levam o jeans para noitadas em duetos com tops, blusas, camisas, cacaquetos de tecidos luxuosos, tricô em seda, brilho dos novos lurex. Salto alto, clutches ou carteiras que revelam a diversidade do denim em produções noturnas. Dá para emergir uma diva moderna sem perder o despojamento que vem do tecido.

O jeans do verão 2017 ampliou ainda mais suas fronteiras. Mistura de tons, texturas, lavagens e peso do denim – as etiquetas geralmente indicam a quantidade de onças; quanto maior ela for, mais pesado é o tecido. As cores são representadas pelo DIP, abreviação de deep em inglês: o blue mais intenso depende do tempo de mergulho (deep) nas caixas de corantes. Tingimentos uniformes de intensidades variadas e os tratamentos nas peças prontas. Daí os efeitos destroyde, estonado, delavé, used, lixado, rasgado.

jeans_blue_ellus_post100A Coca-Cola explorou essas possibilidades em combinações de claro e escuro em vestidos, alguns na técnica de alfaiataria e plissados. Modelagens oversized nas camisas, calças pantacourt, macacão/jardineira, jaquetas curtas ou longas, casaquetos, casacos amplos e compridos, acolchoados, saias envelope. Mais assimetrias, recortes geométricos e aplicações grafitadas. A Ellus segue na trilha looks luxo, mas o jeans continua carro-chefe da grife fundada por Nelson Alvarenga – a modelagem perfeita das calças e a diversidade de estilos – da large à ultrajusta, as lavagens e aplicações mantêm a grife como uma referência nacional. Jaquetas integram o street style da etiqueta e a cada temporada surgem com tons e shapes variados; no verão 2017; o modelo com rasgos localizados está entre os eleitos da estação (Foto: Desfile Ellus no Minas Trend, Fotosite).

Calças de shape amplo são o high light da temporada. Elas dançam no corpo criando uma silhueta contemporânea; esse despojamento cria um efeito sensual em dueto large + peça justa, não colada ou bandage, nas camisas ou tops. Derivação da boyfriend, que teve seu auge no ano 2000, sequenciada pela dad’s – gancho menor, mais curta, às vezes com barras dobradas. Influência das peças em índigo usadas por trabalhadores norte-americanos no final dos anos 30 e também na Segunda Guerra. No blue clarinho ou estonado, desgastes localizados, rasgos estratégicos, cintura alta ora frouxa; ora ajustada e definida, a modelagem contrapõe-se à supremacia da skinny, criada para evidenciar o corpo, que as brasileiras adoram, e continua na wishlisting do verão 2017.

 

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Por A mais B, moda: Samuel Cirnansck lançou sua linha SKS no SPFWn42; a jaqueta estonado e blue claríssimo é peça desejo imediato; sapatos em denim e detalhes girl sexy dos shorts + camisa (Fotosite)

A nova skinny tanto privilegia a cintura alta – saltos e plataformas alongam ainda mais essa silhueta; quanto os modelos mais baixos. Samuel Cirnansck, em sua linha SCK, apresentou calças ‘garota sexy’ acompanhadas de tops cropped e barriguinha à mostra, usando um  jeans mais pesado, com rasgos ou aplicações. Mas também trouxe outra-peça chave do verão 2017 – o macacão/jardineira em versão confortável ou ‘no large’ usada com camisas delicadas e ultrafemininas. Já sua camisaria explora um denim mais leve, de aspecto lustrado com os bordados que são uma de suas expertises + shorts (lindos) com algumas barras desfiadas, rasgos e a graça também da aplicação de flores. Peça desejo imediato da coleção: as jaquetas híbridas, na altura da cintura – jeans estonado e blue claríssimo printado em aquarelados de azul.

jeans_sartorialist_post3Existe um denim para cada paixão pelo tecido celebridade. Das modelagens amplas, amarrações, assimetrias, alfaiataria e clássicos às silhuetas justas das calças em comprimentos diversos + cintura alta, baixa, boca reta, justa, flare, cropped, capri. Jaquetas curtas, médias, longas com aplicações, patches, pedrarias, cristais spikes ou sem qualquer ornamento. Versão em jeans para saias, shorts, vestidos, casacos três quartos, longos.

Por A mais B fez um passeio online pelo The Sartorialist, do fotógrafo Scott Schuman, que criou seu site street há 11 anos, uma bússola de como as ruas, e as pessoas interessantes que ele clica, revelam modos e modas além de trends.

Nas imagens, seis looks clicados por ele em diferentes cidades dos Estados Unidos e da Europa – inspirações que revelam jeitos personalíssimos, originais e criativos de usar o queridinho do planeta; o índigo em diferentes stylings. O mundo continua blue, blue jeans.

 

Um tecido de algodão, originalmente feito em Nimes, na França, com o nome simplificado para denim – de ‘serge de Nimes’. A nomenclatura jeans vem de Gênis, denominação francesa para a italiana Gênova, onde marinheiros usavam as calças resistentes para o trabalho, do mesmo tipo que o alemão Levi Strauss, em 1860, começou a vender para os mineiros do oeste norte-americano durante a Corrida do Ouro.

 

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