O preto, poetizado por Lacroix e eternizado por Chanel na Cor do Mês do Por A mais B

Por A mais B, preto na Cor do Mês: Jogo de transparências, veludo, brilho no black sensual e requintado BBoucle (Minas Trend, Fotosite)

Beth Barra

Temporada de outono, o preto é o eleito na Cor do Mês do Por A mais B. Em clima glamour para as noites; em combo total black para adeptas de produções monocolor, contemporâneas e aditivadas por acessórios poderosos – dos clássicos e atemporais stilettos às botas de salto alto, coturnos luxe (e solado tratorado). O little black dress resiste há décadas – dificilmente alguma mulher não tem um modelito salva-produção no closet. Herança de mademoiselle Chanel (1883/1971), que em 1926 lançou seu best seller: o cocktail dress de mangas longas, cintura ligeiramente baixa, delineando sutilmente o corpo, comprimento abaixo dos joelhos. No croqui original, chapéu cloche e discreto colar de pérolas. O ford dos vestidos – como classificou a Vogue americana na época – continua seu percurso 89 anos após ganhar os editorais de moda.

O LBD é queridinho de quem busca mobilidade, elegância e efeito máximo sem grande esforço e irradia alegria, seja no olhar, nos gestos naturais. Black exige identidade, o sentir-se no seu elemento. O preto, definiu mestre Christian Lacroix, “é o início de tudo, o ponto de partida, a silhueta, o recipiente – e depois o conteúdo”.

Corte, shapes (assimétricos, com movimento, sequinhos). Peças impecáveis, garantindo style de sobra e vida longa. Preto é investimento – nos modelos de festa (acorde sua diva, ela existe!), no cocktail dress em renda, seda, tafetá (provocantes ou quase recatados), nos suits (ultrafemininos ou em vibe Marlene Dietrich); nos moletons luxuosos e macios com pontos de luz; nas bolsas (pequenas, mínimas, miniaudière para noites), compactas e médias, big bags.

O preto é cinematográfico, remete  à Rita Hayworth (de Charles Vidor, 1946) com seu longo seco e sexy na inesquecível Gilda, do filme homônimo. Ou à icônica Audrey Hepburn em Breakfast at Tiffany’s (de Blake Edwards, 1961) – o memorável longa Bonequinha de Luxo.

 

black divasPor A mais B, preto na Cor do Mês: Rita Hayworth em Gilda e Audrey Hepburn em Breakfast at Tiffany’s: atuações memoráveis e vestidos pretos dividindo a cena (fotos/divulgação)

 

Icones Black vale

Por A mais B, preto na Cor do Mês: Ícones em edições black: Bolsa média Versace (Net a Porter); stilettos Christian Loubotin e Yves Saint Laurent (Net a Porter); oxford Tod’s (Net a Porter); coturno Jimmy Choo (Net a Porter); o eterno Converse Chuck Taylor e o imbatível Wayfarer, da Rayban

 

As regras de uso do black são democráticas, mas necessário dosar a paixão para a produção não cair na invisibilidade, ou o excesso do escuro. Portanto, carimbe seu black!

♥ Dress sequinho e cool

♥ Vestidos de shape cinquenta (atualizado nos tecidos, texturas, recortes)

♥ Duetos em alfaiataria com paletó e calça (atenção ao modelo cropped, it total, pede stiletto, e paletó mais longo)

♥ Saia-lápis (peça coringa e queridinha da estação): os modelos em couro podem ser elegantes e sensuais (coleção Reinaldo Lourenço tem saias em leather, com fenda frontal). A peça realça curvas, mas nunca deve ser grudada ao corpo; cintura mais alta é chique e atual. Vale a dupla com camisa branca, it peça, gola pequena ou Mao para multiuso, mais larga, quase tomboy

♥ Jeans black, em edição luxe para a noite com blusas de renda, camisas de seda e salto. Altíssimo! A skinny continua na linha de frente

♥ O preto é superlativo, apesar de os vestidos de noite ou festa – longos ou curtos – tornarem-se tão ou mais impactantes quanto menos acessórios dramáticos ostentarem. Trocando em retalhos pretinhos, o black dress é antiperua

♥ Clima noir: transparências veladas, tecidos resinados, mix de texturas, pontos de brilho ou rocker de luxo

 

INGLES VALEQueridinho: Oxford flatform, estilização do tradicional modelo orginalmente masculino (que fica lindo com vestidos leves, saias mídis, calça cropped). Em verniz ou couro, totalmente preto ou detalhes mínimos – vermelho arrematando a plataforma, mix com animal print (cobra, o bicho da vez), acabamento do solado em evidência. Na imagem, modelito da londrina Hewen Oxford Platform.

Vale lembrar, o flatform mais desejado é da linha Stella McCartney, espécie de precursora da releitura. Embora a Prada, há três ou quatro temporadas, tenha lançado uma linha referência.

 

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