O verão masculino 2018 Giorgio Armani, dândi e cool; requinte e despojamento

armani_man_spring18_post1aPor A mais B: O cinza perolado, criado pelo estilista, cool e sofisticado como o verão masculino 2018 Giorgio Armani (Reprodução)

Beth Barra

O homem de Giorgio Armani usa ternos que são uma assinatura criativa do designer, paletós de alfaiataria desconstruída, tricôs mais ajustados ao corpo, jaquetas, camisas e t shirts em silhuetas slim. O estilista que renovou a modelagem desde a criação de sua marca, em 1975, trabalhando a tradição dos alfaiates italianos em novas proporções e caimentos, segue o espírito dos tempos. O verão 2018 masculino, apresentado na última semana de Milão, traz seu requinte despojado em cada peça e sua celebrada aquarela de cores, que, nessa coleção, inclui vários tons de cinza. Dos mais escuros e neutros aos perolados com nuances de bege, que ele criou nos anos 80, e reinventou para a atual temporada. Assim como os caquis e algumas edições de xadrez nos looks mais esportivos; sua cartela de azuis relaxantes; ora clarinhos; ora acessos, mas de acabamento esmaecido e padronagens como risca de giz, pied de coq, príncipe de Gales, prints de listra e efeitos de texturas quadradas. As calças foram das edições clássicas em bolso faca e pregas às de linho, justas nos tornozelos, enquanto a camisaria inclui gola coreana e jaquetas bomber de seda.

A desegnição ‘armaniano’ é perfeita por incorporar um universo criativo único. Requintado e despojado como o verão 2018 do estilista, um mestre também nos cortes perfeitos dos ternos. Eles apareceram especialmente no requintado azul marinho liso, ou risca de giz, e em branco com a alfaiataria mais desconstruída – um convite a férias pela costa italiana. Os paletós foram trabalhados em clássicos como dois botões, o quatro para um (apenas o botão do lado direito é funcional) e em modelagens slim, mais curtos, com a manga deixando ver dois centímetros do punho das camisas. Algumas das calças com barra virada e uma elegância que vem da perfeição dessa expertise em alfaiataria.

Paletós avulsos também ganharam modelos nos variados tons de cinza, perolados ou clássicos, alguns sobre coletes em seda. Eles foram contrastados com outras aquarelas em grey da coleção ou usados com camisas de um azul claro e colarinhos pequenos de ajuste perfeito.

armani_giorgio_gal_spring18b26Os cinzas são protagonistas da coleção, mas Giorgio Armani é um artista também no uso das cores. Elas estão nos looks informais em azul, lilás, verde de coletes, paletós, camisas, calças, e discretas nos tons de bege e caqui, que inclui trench coat desabado. Jaquetas curtas e justas, bomber em seda, casacos leves,  parkas e tricôs ora justos em tom único; ora trabalhados em tramas de efeito óptico; ora mesclados.

Uma linha de bermudas clássicas, bolsas de viagem, alpargatas em couro, oxfords ou mocassins para os ternos. Ai vem o clima dândi das coleções masculinas Armani; mais pelo imaginário e significado do termo, que remete a blasé calculado – hoje, cool e descolado. O dandismo, desde sua origem, com Beal Brummell, o representante seminal da indumentária que reformou o código inglês do vestir no início do século 19, é mais o requinte despojado do que um estilo.

Assim como no passado surgiram outros dândis célebres na indumentária e na postura aristocrática, como os escritores Oscar Wilde e Tom Wolfe, as criações de Giorgio Armani parecem feitas para quem possui esse talento. O sentir-se e mostrar-se à vontade em peças confortáveis, modelagens contemporâneas, sem malabarismos de sobreposições ou choques visuais. Um efeito de elegância sem esforço – o effortless.

 

Em 1982, Apenas um Gigolô levou ao topo Richard Gere e também o figurino do ator no longa de Paul Schrader, assinado por Giorgio Armani. Cinco anos antes, o estilista fundou a marca que leva seu nome com uma coleção masculina – a primeira linha lady viria 12 meses depois. Desde então, o designer nascido em Piacenza, em 1934, construiu um império a partir de sua alfaiataria desconstruída e as criações entre andróginas, requintadas e sensuais de seu feminino. O ‘rei’ da Itália, que estudou medicina e trabalhou com Nino Cerruti, tornou-se celebrado também pelo trabalho com tecidos e o domínio das cores. As paletas de azul, os cinzas escuros ou perolados, os beges, os tons de vermelho, verde, hortênsia, tornaram-se únicos entre sedas, georgettes, veludos, casimiras, tricolines, crepes, lãs, fios de tricô.

 

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Verão 2018 masculino Giorgio Armani, cool e sofisticado, a assinatura do estilista italiano (Fotos: Reproduções)
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