Os 40 anos de Annie Hall, obra-prima de Woody Allen, que mudou a história da moda

00000_annie_hall_post1aPor A mais B: Diane Keaton e Woody Allen em cena de Noivo Neurótica, Noiva Nervosa (Annie Hall), que completa 40 anos, ganhou quatro indicações ao Oscar, deu a única estatueta a atriz e tornou-se também um ícone com o style tomboy da protagonista (Reprodução)

Beth Barra

Em 1977 Woody Allen lançou o Noivo Neurótica, Noiva Nervosa, longa que ainda hoje marca uma virada na carreira do cineasta e ator. O Dorminhoco, entre outras comédias pastelão, inteligentes e divertidas, eram então a assinatura de seu trabalho. Annie Hall, o título original, revolucionou o cinema com uma história cool, diálogos nonsense ou intelectualizados e o relacionamento moderninho para os padrões setentinha entre o judeu Alvy Singer, humorista e escritor, em crise dos quarenta, e Annie, aspirante a cantora. Por A mais B celebra os 40 anos dessa produção memorável, indicada a quatros Oscars, e que deu a Diane Keaton, então sua namorada do diretor, a única estatueta a atriz.

Noivo Neurótica, Noiva Nervosa foi um dos filmes mais aguardados de 1977 e desde sempre é considerado uma obra-prima na filmografia de Woody Allen. Uma história recheada de flash back, onde seu personagem recorda seu relacionamento com Robin, uma intelectual que nunca alcançava o orgasmo. Mas é a história e o romance com Annie Hall que conduzem o longa – de como se conheceram, as diferenças políticas, culturais e de comportamento, os desencontros dos dois e o desejo. O casal faz terapia e, enquanto ela avança, Alvy continuava  ciumento, conservador, possessivo e deprimido. Com um humor judaico, sem preconceitos, é uma característica do ator e diretor, falas irônicas sobre sexo e até conversas sobre as diferenças entre Nova York e Los Angeles.

A primeira é a cidade onde viviam e se conheceram, a segunda para onde Annie se muda e começa sua carreira. Entre encontros e desencontros, a insegurança dele afasta ainda mais o casal nesse filme que é considerado um retrato do relacionamento dos dois atores, embora Woody Allen, até hoje, negue. O papel de Diane Keaton foi escrito especialmente para ela, que nasceu Diane Hall e tinha o apelido de Annie, em um dos filmes mais honestos e emocionais do cineasta.

00000_annie_hall_post2bPor A mais B: Cenas de Neurótica, Noiva Nervosa (Annie Hall), a comédia pop e uma obra-prima de Woody Allen, com seu roteiro diálogos e figurinos e completa 40 anos de lançamento (Fotos: Reproduções)

Além de ser considerada uma comédia pop com atuações memoráveis de Allen e Diane Keaton, o figurino da atriz praticamente inaugurou o tomboy na moda e nas ruas. A atriz e suas ‘roupas do namorado’ encantaram quem assistiu ou não o filme em 1977. O style Annie Hall – blazer, colete, calças, paletós, chapéus, gravatas, camisas, sobreposições, botas, mocassins – foi adotado e reverenciado pelo mundo. Sim, Saint Laurent já havia lançado seu célebre le smoking em 1966, e décadas antes Coco Chanel já tinha levado peças do armário masculino para suas criações e o longa revelou a diversidade dessa vestimenta.

Mas nada se compara a febre ‘sou menina e menino’ das roupas da personagem. Na verdade, muitas das peças vieram do guarda-roupa da atriz; outras da grife Ralph Lauren, no figurino assinado por Ruth Morley. Diane Keaton deu a Annie Hall seu próprio style – o que foi uma combinação perfeita e celebrizou ainda mais sua personagem. Quando fez o filme, ela estava com 31 anos; Woody Allen com 42, e na vida real, ainda hoje, seus looks remetem ao tomboy, que ela inaugurou para o mundo em 1977. Um lifestyle que inspirou as ruas e também levou as pessoas a descobrirem as delícias de criar e experimentar novos jeitos de se relacionarem com a moda.

Aos 71 anos, Diane Keaton continua fiel ao seu estilo ‘annie hall’. Embora também seja criticada pelo que alguns consultores de moda chamam de excessos. Mas a atriz segue livre e tomboy de saia ou calça, usando belos casacos, paletós e meias com sandálias. O que já foi apontado como exagero pela idade, assim como alguns óculos coloridos e shapes amplos em vestidos ou casacos de cintura marcada. Bom, isso antes de as passarelas e estilistas do mundo espantarem o certinho com salto alto e soquete; misturas de pull oversized com saias fluidas, alfaiatarias desconstruídas, ternos sempre e o genderless, a roupa sem gênero, tornar-se um conceito libertário.

00000_annie_hall_post2aPor A mais B: Diane Keaton e seu lifestyle ‘tomboy’, que chegou a ser criticado quando a atriz fez a curva dos 60 anos, está com 71, pelos excessos; mas ela pode, com certeza (Fotos: Reproduções)

Apesar do único Oscar de Melhor Atriz por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Diane Keaton tem uma bela filmografia. Que inclui os dois primeiros longas de O Poderoso Chefão de 1972 e 1974 atuando com Al Pacino até o último último da trilogia de Francis Ford Coppola, em 1990. Vale anotar sua participação no inesquecível Reds (1981), de Warrem Beaty, que também foi seu namorado, sobre a história real de um jornalista norte-americano envolvido com a revolução russa. Suspenses como À Procura de Mr. Goodbar (1977), de Richard Brooks; outra parceria com Allen no Misterioso Assassinato em Manhattan (1993), dramas como A Chama Que Não Se Apaga (1982, Alan Parker),  A Garota do Tambor (1984, George Roy Hill) e Crimes do Coração (1986, de Bruce Beresford). Comédias, entre elas Presente de Grego (1987,d e Charles Shyer) ou o delicioso Alguém Tem Que Ceder (2003, de Nancy Meyers) ao lado de Jack Nicholson, até o delicado Ruth & Alex, de 2014, com Morgan Freeman e direção de Richard Loncraine.

 

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Categoria: Cult, Moda e Acessórios