“Quando estou com a câmera, esqueço, me desfaço de tudo. Isso é paixão” (Veronica Manevy, Fotógrafa Convidada)

 

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Por A mais B, Veronica Manevy, Fotógrafa Convidada: “O domínio da fotografia e da técnica me levaram a esse ofício como um canal de expressão – imagens que retratam silêncio, raiva, dor, beleza, vida” (Foto: Marcelo Sant’Anna)

Beth Barra

Em 2011, Veronica Manevy expôs no Ateliê OÇO, em São Paulo, ‘Cidade Efêmera’ – 13 imagens do Treme-Treme (edifícios Mercúrio e São Vito), que estava sendo demolido. O aclamado ensaio foi como um rito de passagem da música para a fotografia, uma paixão guardada na memória onde habitam os muitos filmes assistidos com a mãe e o irmão Alfredo – “que estudou Cinema e me incentivou desde sempre”. Sessões familiares com  obras grandiosas de cineastas como Fellini e Ettore Scola. “A minha estética fotográfica vem do cinema”, conta a Fotógrafa Convidada do Por A mais B. Filha de argentinos, que vieram para o Brasil em 1976 – deixando o país que enfrentou uma das mais sangrentas ditaduras da América Latina – ela nasceu em Curitiba, mas viveu a infância em locais como Rio, Vila Velha, Belo Horizonte, Campinas. O pai trabalhava em uma multinacional, daí essa geografia de diferentes cidades – “até que na adolescência voltamos para BH”.

Foi em São Paulo que a jovem formada em Música pela UEMG iniciou sua trajetória na fotografia. Ainda na capital mineira, participou da exposição inaugural da Casa Fiat de Cultura como arte-educadora. Atividade que rendeu um convite de Christiana Moraes, que coordenou aqui a inauguração do espaço, para integrar a equipe de educadores da 27ª Bienal, em 2006 .Os trabalhos iniciais na capital paulista envolveram o Centro Cultural São Paulo, MASP,  CENPEC. Na Ong, que tem núcleos de educação, arte e cultura, assumiu no Projeto Terra Paulista as pesquisa Iconográficas, selecionando imagens para o site do projeto – “terminei produzindo e fotografando algumas”.

 

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Por A mais B, Veronica Manevy, Fotógrafa Convidada:”A fotografia é a melhor linguagem entre todas pelas quais transitei. Consigo, nas imagens, falar também de mim, me coloco, humanizo, troco e me disponibilizo para o outro”
(Fotos: Marcelo Sant’Anna)

Hoje, aos 34 anos, morando novamente em BH há dois, trouxe na bagagem cursos que adicionaram o domínio da técnica à fotografia e outros envolvendo arte e antropologia. Da ‘terra da garoa’ um portfólio de trabalhos como freelancer para Carta Capital, Revista Carro Hoje, Editora Motorpress e séries para o terceiro setor, muitos ligados à cultura na periferia paulistana. “Quando deixei São Paulo já sobrevivia profissionalmente como fotógrafa; consegui realizar lá o que imaginei, isso traz satisfação”, diz ela, olhos brilhantes e um sorriso de quem guarda ainda muitos sonhos. Entre eles, os projetos autorais – “que exigem um outro tempo”.

Outro, já é uma realidade –  a criação da Original Fotografia, fundada recentemente em parceria com o marido Marcelo Sant’Anna. “Tem o desafio de trabalhar em dupla, respeitar nossos espaços, mas também a troca, o aprendizado que vem desse cotidiano em duas vias”. A agência foi formatada para cobertura de festas, casamentos, ensaios – “mas com essa abertura de criar projetos, ensaios, trabalhar luz, ambiente”.

Essa abrangência  do projeto é a soma do repertório estético de Veronica Manevy, que vem do cinema, e das artes plásticas e design, áreas também de formação de Marcelo Sant’Anna, que por mais de 20 anos atuou como fotojornalista em redações de dois jornais. “A agência tem dois significados, um de ser nosso futuro profissional; o outro é o exercício da paixão pela fotografia e da liberdade criativa, atendendo clientes, mas com trabalhos que sejam uma referência, não à toa a batizamos de Original”.

 

“A fotografia está no meu campo da paixão; é minha ferramenta de comunicação, de expressar minha afetividade, como a música já foi”

 

“Tudo o que fiz antes na música e como arte-educadora foi também com entrega, paixão, comprometimento”

 

“O domínio da fotografia e da técnica me levaram a esse ofício como um canal de expressão – imagens que retratam silêncio, raiva, dor, beleza, vida”

 

“Quando estou com a câmera, esqueço, me desfaço de tudo. Só existe a imagem; isso é paixão”

 

Ela vive também uma nova experiência na assessoria de imprensa do Estado, convivendo em um ambiente político. Mas que permite exercitar o olhar humanizado, como a cobertura da tragédia de Mariana, em 2015. “Que me deixou mais liberta, tive tempo para realizar um trabalho de excelência, fotografando gente e, antes de acionar a câmera, emoção e técnica se harmonizam”. Em São Paulo, mergulhou nessa mistura de dois mundos, fotografando casas em áreas de vulnerabilidade pela Ong CENPEC. Mas, antes, ela visitava as famílias, conversava, bebia café, sentia as vidas das pessoas naqueles espaços. “Outro experiência intensa lá foi a série na Cracolândia”.

A fotografia é também um fragmento da realidade, diz.  “Isso é um pouco do lindo da fotografia, penso muito no cinema quando fotografo; então anota outro desejo, que é trabalhar cinema, vídeo, uma outra esfera que envolve meu ofício”, diz.  Esse turbilhão criativo de técnica, emoção e arte move Veronica Manevy – uma bela mulher, de fala contagiante, criada em um ambiente de idealismo e luta por igualdade e justiça social. Ao final da entrevista me vem um trecho do poema Motivo, de Cecília Meireles, que remete a esse jeito ao mesmo tempo doce e libertário, à junção de coração e cérebro, de desapego e sonhos da fotógrafa: …”tem sangue eterno a asa ritmada”.

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Fotógrafo Convidado

 

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