Raf Simons estreia na Calvin Klein com tons vibrantes, cinza, alfaiataria ’90, ternos + looks ultrafemininosnos ; inverno 2018

calvin_klein_raf_post1 Por A mais B: Sobretudo, despojamento e requinte nos looks para elas e eles e algumas inspirações genderless na estreia de Raf Simons na Calvin Klein, coleção inverno 2018 (NY, Fotosite)

Beth Barra

Tons vibrantes de azul, amarelo, roxo, verde, cereja, pink. Ora nos duetos contrastantes em looks de camisa + calça; ora trabalhados com o cinza quadriculado e discreto. Em sua primeira coleção para a Calvin Kein o belga Raf Simons, assim como na apresentação de sua marca masculina, fez uma homenagem a Nova York. A nova coleção outono-inverno 2018 da grife mixou feminino e masculino na passarela com muitas peças em clima genderless nos terninhos, sobretudos, nas jaquetas amplas em marrom e preto de couro brilhante, que continuou no styling refinado, também em leather, combinando calças de silhuetas slim + camisas.

Uma alfaiataria esportiva e retrabalhada em clima dos anos 90, com o color surgindo também nas saias mídis caneladas, harmonizando sua criação minimalista à história cool da grife norte-americana. A herança ready to wear da Calvin Klein, de coleções usáves e itens intercambiáveis ganhou esse aproach de tons acessos – o estilista belga domina o mix com requinte e modernidade, que foi uma de suas assinaturas nos looks sofisticados da Dior, a ex-maison que ele deixou em outubro de 2015, assumindo a CK em agosto do ano passado.

Cores audaciosas e contrastantes em looks limpos. O menos é mais de Raf Simons surge nos cortes precisos e clean, que nessa primeira coleção foram trabalhados na alfaiataria noventinha, com adições  soprtwear. Ternos coloridos para eles e para e para elas na mesma proposta e detalhes; ou no xadrez clássico atualizado nos cortes e silhuetas, as inspirações genderless foram marcantes na coleção inverno 2018 Calvin Klein.

calvin_klein_raf_post2Raf Simons vem da Escola da Antuérpia, na Bélgica, integra a pós geração de designers que estabeleceram novas silhuetas nos anos 80 – Ann Demeulemeester, Walter van Beirendonck, Dries Van Noten, Dirk Bikkembergs, Dirk van Saene e Marina Yee (The Antwerp 6). Suas referências mixando arte, fotografia, música, tecnologia podem ser ainda mais exploradas na nova casa. O que ele revelou nessa primeira coleção – os looks ele + ela dos ternos, calças, sobretudos. Mais as texturas, alguns grafismos e as criações delicadas e ultrafemininas.

Elas estão nos florais, nos vestidos trabalhados com plumas, nos casacões de tons suaves, de um acolchoado delicado e patchwork gráfico e suave + mangas em lã xadrez. Por baixo, vestidos leves, quase diáfanos. Uma feminilidade que pode ser quase escondida como no vestido/trend xadrez, surgindo na barra a transparência em negro, arrematada pela jaqueta em couro de shape masculino. Com salto alto, uma ‘feminice’ que inclui os modelos com transparência e a parte traseira lembrando asas, que se repetem nas sandálias de tiras finas. Despojada e autoral no styling da passarela, como o uso de sacos plásticos transparentes sobre alguns looks.

Homens e mulheres que usam ternos e peça coloridas em silhuetas slim remetendo à década de 90 nas calças mais folgadas. Ou saem de sobretudo de tons escuros e calças em cáqui, se vestem com jeans escuros ou o azul quase puro do denim em edições conjuntinho. Ou a segunda pele com mangas de tricô desabadas e arquitetônicas ou riscas amplas na diagonal, coloridas – quase todas como base para os paletós ou em duetos com saia ou calça. Que, sim, na vida real, pedem sutiã, body ou sobreposição.

Uma Calvin Klein que retoma o amor por Nova York e suas propostas clean, incendiadas pelas cores e o contrastes entre elas. Raf Simons faz também uma declaração à pluralidade étnica da Big Apple –  aos migrantes de todas as partes do mundo que adicionam mais arte, música, cultura e street style à metrópole; aos afro-descendentes,  latinos,  árabes, orientais que trazem efervescência e misturam suas heranças nesse caldeirão de culturas, moda, modos, crenças.

Destaque – Para as botas em design cowboy, geralmente combinando dois tons, brilho discreto, com direito a pares também amarelos. A grife amada pelos norte-americanos parecer ter encontrado o designer perfeito para harmonizar sua herança criativa com os tempos atuais.

Luxo – Vale lembrar, em janeiro, foi lançada a campanha do By Appointment – uma apresentação para as peças feitas sob medida, sofisticadas e contemporâneas, que surgem como uma nova linha da marca. Estão lá vestidos de roda ampla e itens clean em edição luxo.

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