Celebrando o mestre dos sapatos Salvatore Ferragamo no mês de seu nascimento

0000_post1a_ferragamoPor A mais B: Salvatore Ferragamo mudou a história do sapato no século 20 com criações geniais, dos materiais ao design que respeitava a anatomia dos pés femininos; uma celebração ao mestre, que nasceu em 5 de junho de 1898 (Foto: Reprodução)

0000_post6_ferragamo_des5Beth Barra

Aos 11 anos ele era aprendiz de Luigi Festa; aos 14 abriu uma sapataria em Bonito, sua terra natal, em uma manhã domingueira, na lojinha em frente à igreja. Logo os curiosos apareceram, encantados com suas criações, e o adolescente, que aos nove fez um modelo para a irmã usar na primeira comunhão, dava início a mais emblemática marca italiana de calçados, que se transformou em dos ícones de luxo da moda. Por A mais B reverencia Salvatore Ferragamo no mês de seu aniversário, celebrando o artista, que nasceu em 5 de junho de 1898.

A label foi lançada oficialmente em 1935. O talento de seu criador fez dela um império e, após sua morte, em 7 de agosto de 1960, os filhos seguiram os ensinamentos de arte e estética de Salvatore Ferragamo com uma produção, hoje em grande escala, ainda quase toda artesanal, com o couro sendo cortado à mão. O sapateiro das estrelas, como era chamado, confeccionava modelos sob medida para divas do cinema, entre elas Marilyn Monroe, Sophia Loren, Audrey Hepburn, Marlene Dietrich, Ava Gardner, Greta Garbo e clientes sofisticadas, que podiam pagar por um par exclusivo. (Nas imagens, Salvatore com Audrey Hepburn; experimentando o par sob medida para Sophia Loren e Marilyn Monroe com um dos stilettos desenhados pelo design para ela – Reproduções).

Pesquisador incansável, artesão talentoso, Ferragamo estudou engenharia química, matemática e anatomia na Califórnia, onde viveu um período de sua juventude. Ele queria que seus calçados, além de belos e sedutores, deixassem os pés confortáveis e fossem perfeitos do material ao acabamento e design, como os stilettos celebrizados por Marilyn Monroe, que exigem técnica e perícia para que a altura do salto vá além da sensualidade.

0000_post1_ferragamo_invisible_1947Antes e durante a Segunda Guerra, especialmente com a escassez do couro, matéria-prima tradicional, Salvatore Ferragamo confeccionou modelos em tecido, celofane, algodão, fios de malha, linho bordado, lã, cortiça, ráfia. Época das mais belas e originais criações do artista, termo que ele não usava, considerava-se um artesão e sapateiro, que a vida inteira buscou criatividade, técnica e impecáveis a cada par produzido. Em 1947, já em tempos de reconstrução da Europa, criou um modelo em manilha e nylon, a famosa sandália Invisibele de salto anabela, outra de suas invenções. “Não há limite para a beleza e a busca pela perfeição”, tornou-se uma de suas frases mais conhecidas. (Na imagem, a sandália Invisibele de salto anabela – reprodução).

O talento de Salvatore parecia não ter limites e, desde os anos 20, quando desenhou as sandálias romanas com tiras de amarrar nos tornozelos, suas criações encantavam as mulheres; primeiro as italinas, na sequência as norte-americanas e as divas do cinema; depois o mundo ficou pequeno tal a fascinação causada por seus calçados. Os celebrados modelos formam uma longa linha do tempo – onde aparecem a anabela e a Rainbow (1938), entrelaçada em camadas revestidas de camurça colorida ou o sapato de 1939 com salto em mosaicos e os celebrados scarpins, que se tornaram sinônimo do andar ondulante de Marilym Monroe. Para as plataformas, surgidas nos anos trinta como item de moda para alongar a silhueta, o genial sapateiro criou uma base leve, mas resistente, usando rolhas de cortiça, que poderiam ser recobertas com outro material. A mais famosa delas é de 1939, feita para Carmen Miranda com placas douradas e efeito luminoso.

0000_post4_ferragamo_marilyn2Por A mais B: Um dos modelos de salto agulha em metal, sensual e classudo, que foi celebrizado por Marilyn Monroe, umas clientes de Salvatore Ferragamo, que usava suas criações dentro e fora da telona (Reprodução)

0000_post5_ferragamoQuando foi para os Estados Unidos, em 1923, logo seus sapatos estavam no cinema, usados por divas da telona. Cada um deles era feito sob medida e as fotos do mestre sapateiro com os moldes dos pés das celebridades são históricas. Quando retornou à Itália, no ano de 1927, já tinha patenteado dezenas de modelos. Em seu país, já famoso além-mar, abriu uma fábrica e contratou 60 artesãos, que trabalhavam diretamente com ele. Depois veio a loja no palácio Spini Feroni, em Florença, e a produção chegou a mais de 350 pares por dia. Todos feitos à mão, refinados e com a diversidade de materiais que o celebrizaram – do couro, notadamente o de cabra com a pele tingida em cores variadas e combinado a outros materiais, como o cetim. Nos anos 50, Salvatore Ferragano também utilizou o plástico, e em 1955 nasceu a sola transparente e invisível. Ele também usava cores fortes, vivas e contrastantes em um tempo de sapatos com os clássicos preto, marinho e bege. (Nas imagens, sapato lançado em 1938; scarpa Chiusa, de 1925 e salto agulha de 1958 – reproduções).

O homem que entendeu a anatomia dos pés femininos foi um visionário e passou a vida pesquisando a arquitetura dos saltos, solados, materiais. Belos sapatos que não ferissem os pés, permitindo um andar natural e elegante, unindo luxo e materiais baratos, como palha e ráfia, em modelos sofisticados. Criatividade que se estendeu a seus filhos, especialmente Fiamma, que em 1978 lançou um dos ícones da label – o Vara, com bico arredondado e laço na frente, que ganhou uma releitura trinta anos depois, a sapatilha batizada Varina, ambos continuam sendo produzidos.

0000_post6_ferragamo_varinna_vara2Por A mais B: Vara e Varinna, criações da filha de Ferragamo, que se tornaram também clássicos da label, modelos da coleção 2017 (Imagens: site da grife)

Em 1995, a família inaugurou o Museu Ferragamo no segundo piso do histórico Palácio Spini Feroni, em Florença. No local ficava o ‘formarino’, que abrigava as centenas de formas em madeiras das clientes ilustres do gênio e, desde então, guarda as criações do designer, especialmente após seu terno à Itália, em 1927. São organizadas exposições, o espaço tem mais 10 mil modelos, com os sapatos exibidos em ordem cronológica, revelando a diversidade de materiais, desenhos, saltos, acabamentos, detalhes, a técnica, habilidade e o domínio do mestre na confecção de calçados. As imagens que ilustram a galeria do Por A mais B trazem algumas dessas criações geniais – muitas delas do acervo do Ferragamo Museo.

 

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Por A mais B, reverenciando Salvatore Ferragamo (05/06/1898 - 07/08/1960): Modelo flower de 1938 (Reprodução)
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