Três marcas e quatro jovens designers que vão além do despojamento chique e a herança cult do japonismo; Pitti Uomo

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Por A mais B, moda e criação: Looks das coleções de Teppei Fujita (Sulvam), Jang Hyeong Cheol (Ordinary People) e Byungmun Seo e Jina Um, da Bmuet (Te); o talento de uma nova geração de designers asiáticos no 91º Pitti Uomo (Imagens: site Pitti Immagine Uomo)

Beth Barra

Teppei Fujita, Jang Hyeong Cheol, Byungmun Seo e Jina Um são quatro jovens designers asiáticos. Do lado de cá do mundo, o trabalho deles e suas marcas – Sulvam, Ordinary People e Bmuet (Te) ainda não são tão conhecidas. Mas em Tóquio, Seul, Nova York e na Europa já aparecem entre os nomes de uma nova e personalíssima geração de criadores. Eles participaram da 91ª edição da Pitti Uomo (10 a 13 de janeiro, Florença), uma das maiores e mais célebres plataformas de lançamentos e feira de moda masculina do mundo. E apresentaram suas coleções no evento, que esse ano teve como tema Dance Off – “um convite para se expressar, expressar seus próprios corpos e estilo, pois é esta a abordagem da dança da moda: a essência da diversidade e a liberdade do estilo pessoal”, anotou Agostino Poletto, vice diretor, no site pitti.immmagine.com

O foco também no mercado asiático do 91º Pitti Uommo vem de uma parceria de dois anos com a organização da semana de moda japonesa, em colaboração com a Koccam agência governamental, que apoia a moda na Coréia do Sul. As três grifes fizeram desfiles independentes e cada uma trilha seu próprio caminho criativo – os looks das coleções estabelecem algumas conexões e identidade com o japonismo inaugurado pela célebre geração que chegou a Paris nos anos 80. Os jovens estilistas da Sulvam, Ordinary People e Bmuet (Te) têm suas próprias ideias e conceitos, passeiam pela alfaiataria e cortes preciosos, dominam tecidos e seus efeitos sobre o corpo, mas suas criações vão além do despojamento chique dos grandes mestres asiáticos, que eles parecem naturalmente celebrar.

 

umo_teppei_fujita_sulvam_post1Yamamoto, o mestre de Teppei Fujita, criador da Sulvam

Teppei Fujita, que criou a Sulvam em 2014, e trabalhou com Yohji Yamamoto – seu professor e mestre, como já revelou – mostrou uma coleção de silhuetas inovadoras, base na alfaiataria, tecidos de qualidade e tempero street. Peças amplas e esportivas mixadas à camisaria, trench coats, sobreposições e uma vocação genderlress  nas roupas privilegiando estampa gráfica e abstrata, tons de cáqui e oliva, cinza e o preto. Jovem, instigante, transgressora e precisa nos cortes e movimentos, incluindo itens de tricô. O estilista, que ganhou o “Tokyo Moda Award” em 2014 e foi um um dos vencedores do concurso “Quem está em Next Dubai”, em 2015, tem 33 anos, nasceu em Chiba, Japão, formou-se pelo Bunka Fashion College. O nome da marca vem do latim e está ligado à improvisação. No caso dele, recheada de talento e aprendizado nos anos de trabalho com o célebre Yamamoto. Ele também já participou com sua grife de exposições em Paris, foca uma roupa usável e quer desenvolver ainda mais suas habilidades com elementos inesperados. E manter as reinterpretações da alfaiataria clássica nesse junto e misturado criativo para pessoas reais: aquelas que buscam no vestuário expressões pessoais, que experimentam, ousam e também simplificam.

Por A mais B, moda e criação: Coleção da Sulvam, de Teppei Fujita, no 91º Pitti Uomo (Imagens: site Pitti Immagine Uomo)
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uomo_ordinary_peolple_post1Uma nova alfaiataria por Jang Hyeong-cheol, da Ordinary People

Em 2011, Jang Hyeong-cheol lançou a Ordinary People com o pequeno investimento de 30 milhões de wons – pouco mais de US$ 26 mil. No primeiro mês, a coleção inicial vendeu aproximadamente US$ 11 mil em quatro lojas na Coréia do Sul. Quatro anos depois, tornou-se à época o mais jovem designer coreano a desfilar na Semana de Moda de Nova York, inserido no Concept Korea, criado para promover estilistas globalmente. Nas entrevistas sobre o ‘feito’, ele explicou que não recebeu boas notas dos avaliadores locais, mas foi escolhido como representante do conceito Coréia pelas avaliações dos estrangeiros. Nas pistas da Big Appel,  resolveu não mostrar nenhum look preto, o que lhe valeu o status de inovador entre os criadores asiáticos. Na última edição do Pitti Uomo, uma conquista e tanto com a visibilidade e a importância da plataforma no mundo, o designer revelou sua alfaiataria contemporânea. Casacos, trench coats, calças e peças como jaquetas de couro, tricô, itens em veludo – criações para jovens e homens do mundo, onde o preto surge em produções requintadas e limpas. Jaquetas acolchoadas, paletós, gravatas, dueto de cores, algumas sobreposições em criações singulares, mas para serem usadas de verdade. Essa identidade mixando a expertise em alfaiataria, corte, tecidos à vida real transformam clássicos em looks contemporâneos. Um minimalismo sem excessos e a habilidade de combinar calça, camisa e paletó, itens eternos, em novos padrões, texturas e detalhes que vêm dos botões, do caimento de cada peça. Uma curiosidade garimpada em entrevistas internacionais: formado pelo Seoul Fashion College, ele queria, inicialmente, mais aprender sobre moda do que se tornar um estilista de imediato.

Por A mais B, moda e criação: Coleção da Ordinary People, de Jang Hyeong Cheol, no 91º Pitti Uomo (Imagens: site Pitti Immagine Uomo)
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uomo_bmuet_te_post1Byungmun Seo e Jina Um, a dupla da Bmuet (Te)

Em 2012, Byungmun Seo e Jina Um lançaram a Bmuet (Te) e logo a dupla caiu nas graças de celebridades, lista onde entra Justin Bieber. Eles se conheceram trabalhando com designer em Seul e resolveram ampliar as fronteiras mudando para Londres. Na capital inglesa, ele completou o mestrado no London College of Fashion e ela continuou suas pesquisas em criação de moda, colaborando também com vários artistas. A grife tem um apelo experimental e destemido, conexões com arte e o mundo high tech; inspirações suficientes para criar e desenvolver a etiqueta masculina, que no 91º Pitti Uomo inclui looks com mulheres na passarela. Entre as três, é a marca mais conectada ao japonismo. Um novo japonismo que manteve na coleção apresentada em Florença muito preto e cinza, formas limpas e um styling de desfile criativo e foco na estética do look, transgressor em sua reinterpretação das heranças asiáticas. Casacões clássicos ganharam amplidão na finalização das mangas; camisa branca compondo o look com calça reta e colete fechado. Mas ela é usada invertida, com a frente para trás – um jeito cool, jovem e personalíssimo revelando possibilidades de peças básicas. Golas amplas, altas e soltas em tricô; outro colete em tecido com textura e um trabalho unindo alfaiataria à origami. Faixas e cintos na altura do peito fechando a roupa, uma espécie de compressão estética,  que pode ou não ser adotada, mas cria um ultraefeito na passarela. Os detalhes, mix de tecidos, texturas e a beleza do negro em criações que causam espanto e encanto, revelando a expertise da dupla no grande desafio dos estilistas: o corte perfeito que dá movimento ao tecido sobre o corpo.

Por A mais B, moda e criação: Coleção da Bmuet (Te), de Byungmun Seo e Jina Um, no 91º Pitti Uomo (Imagens: site Pitti Immagine Uomo)
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Homens elegantes pelas ruas de Florença, mostra fotográfica, estreia de Tommy Hilfinger e as criações de Tim Coppens. Isso é a Pitti Umo!

A última edição do Pitti Uomo – que em 2016 teve a participação impactante de Raff Simons, logo após sua saída da Dior, com sua marca própria masculina – além dos vários desfiles, 1220 marcas expositoras e a mostra Fashion in Florence through the lens of Archivio Foto Locchi, mais de 100 fotos contando a evolução da moda em Florença. Estreias que vieram dos EUA, como a passarela de Tommy Hilfilger, homenagens e Tim Coppens como convidado especial. O estilista belga, sediado em Nova York, fez lá sua estreia no mercado europeu.

Nos quatro dias do evento, as ruas são inspiradoras em pela presença de homens elegantes, que formam um retrato de trends, acessórios, roupas e styling. Eles são tão fotografados como os desfiles das passarelas – essa festa de moda é um mix democrático entre a alfaiataria clássica e primorosa, uma vocação italiana e novas referências de vestir exibida pelos jovens que comparecem ao evento. Um tudo junto e misturado onde nada parece banal, mas forma um todo diversificado e autêntico de street style.

#poramaisb – #bethbarra
beth.poramaisb@gmail.com
bethbarramoda@gmail.com

 

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Por A mais B, moda e criação: Looks do belga Tim Coppens, convidado especial da da 91ª edição da Pitti Uomo em Florença (Imagens: site Pitti Immagine Uomo)