Um designer apaixonado pelas culturas do mundo, que inspiram as criações da Qndaq

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Por A mais B: “Tribal, gipsy, boho, indiana, indígena, maia e asteca, mas é também esquimó, mongol, maori, celta, mojave, tem também steampunk, realidade fantástica e por aí vai”, diz Adriano Vendemiatti sobre as criações da Qndaq (Foto: Isa Silvano)

drizo_croche_post2O paulistano Adriano Vendemiatti é como uma bússola para muitos amigos na internet. Sem lero lero, seus posts nas redes sociais transitam entre moda, arte, cultura, comportamento, atualidade, compartilhando links, imagens e opiniões nada herméticas. Ele parece ter um radar que dá a volta ao mundo. “Diariamente”, diz, sempre começando o dia com leituras online de alguns jornais, revistas, sites: “antropologia, arqueologia, ciências, atualidades, banalidades, e, claro, tudo que conseguir sobre Moda, com M maiúsculo mesmo”. Designer e criador da Qndaq, em parceria com Sol, sua mulher, grife de bijus étnicas, que abriu 2017 com uma série trabalhada em crochê resinado e cristais. “Estamos entrando em uma era do revival dos trabalhos manuais. Esqueça o tapete do banheiro ou a toalhinha na mesa da cozinha. O crochê está sendo relido e aplicado a peças incríveis. Da haute couture aos biquínis, o handmade é a ordem da vez. E voltou para ficar”, diz sobre a nova coleçãoCrochet.

Desde o lançamento da marca o conceito criativo e de produção é slow fashion; daí as peças que brincam com o bruto e o suave, o artesanal e o industrial no design e material, a maioria feita exclusivamente à mão. “O couro, os cristais brutos, os metais opacos estão no nosso DNA”, explica, ao falar também da paixão pelas culturas do mundo que terminam inseridas nas coleções. “Tribal, gipsy, boho, indiana, indígena, maia e asteca, mas é também esquimó, mongol, maori, celta, mojave, tem também steampunk, realidade fantástica e por aí vai”.

Antes de deixar o quadradinho, como conta na entrevista ao Por A mais B, e encarar a paixão por criação e design, Adriano Vendemiatti passou com Sol uma temporada no exterior. “Pela sincronia do Universo, minha mulher sempre trabalhou com Moda. Moramos um tempo fora do Brasil e ela queria fazer um curso, mas não falava o idioma. Fizemos juntos e então aceitei o que sempre neguei. O que eu gosto mesmo de fazer é Moda”.

Um caminho e tanto até chegar ao design de moda. Ele passou nos vestibulares de Odontologia (sonho do pai), Direito (pensou em ser diplomata), mas começou a estudar Publicidade e Propaganda, que nunca terminou. Seguiu aprendendo sobre moda, fazendo cursos de História da Arte – “por esses conhecimentos, caí no Turismo de paraquedas e me especializei na área. Fui muito feliz por um tempo. Eu não vendia pacotes ou passagens, eu vendia experiências de vida e enriquecimento cultural”.  Mas poucos abraçaram sua proposta e lançou com Sol uma grife de roupas, que há três anos migrou para as bijus étnicas e ganhou o nome Qndaq, que vem das rainhas/guerreiras da antiga região de Méroe. Confira a entrevista com Adriano Vendemiatti e a história de como um garoto curioso e apaixonado por conhecimento rendeu-se à arte da criação e confessa: “Sou workaholic”.

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Por A mais B: Colares da coleção Crochet, da Qndaq, lançada em janeiro, técnica manual que está sendo relida e aplicada – da ‘haute couture aos biquínis, o handmade é a ordem da vez”, diz Adriano Vendemiatti

 

“Gostamos de experimentar, mas a paixão pelo artesanal e o couro sempre foram muito fortes, inclusive no vestuário. Chegamos a tingir vestidos de flanela com metais, sementes e ervas. Fizemos alças de vestido e cintos com câmara de pneu, forramos sapatos com tecido de vestidos comprados em brechó, clutches com aqueles tapetes de tiras de malha, comum em bancos de motorista de ônibus, sacolas de feira viraram bolsas, bordamos casacos com cascalho de ametista e citrino. Tudo isso muito tempo antes desse papo eco-friendly”

 

“Sempre fui rato de biblioteca. Muito do que sei se deve a uma fome voraz de saber. Não acredito que eu possa usar o termo autodidata, afinal sempre fui atrás dos melhores professores do mundo. Se queria saber sobre filosofia, lia Kant, Pascal, Nietszche. Se a curiosidade era política, apelava para Hamurabi ou Engels. Se o assunto era pintura ou música, não me contentava com a obra, queria saber cada detalhe da vida de Mozart ou Luiz Gonzaga, David Bowie, Van Gogh, Bosch, Lygia Clark. Mundanismos eu buscava nas biografias de Régine Zylberg, Andy Warhol, Mark Fleischman bem como junto aos malditos Charles Bokowski e John Fante. A melancolia de Victor Hugo e o que mais aparecesse”

 

Sua mãe, funcionária pública, é uma supercrocheteira; tricoteira, bordadeira e pianista. Como foi essa parte da infância entre linhas, agulhas, pontos, cores e música?
Sempre fui curioso por tudo. O mundo sempre me fascinou. Até hoje olho para tudo com olhos de extra-terrestre. Para absorver cada detalhe, cor, textura. Então, sim, baguncei muito seus novelos de linhas e lãs, mas o que eu gostava mesmo era ouvir ela tocando Le Lac de Come ao piano. Até tentei tocar um instrumento, piano e violão, mas sou um ogro para fazer música. Meu talento se resume a ouvir e aplaudir.

Pai médico, que também desenhava e era crítico de música clássica. Seu avô materno criou peças em cobre que decoram o Palácio da Alvorada; a avó uma bruxa na cozinha. A convivência com essa pluralidade de talentos e saberes ficou guardada até a vida adulta?
Embora meu pai tenha ido cedo demais, sua marca é muito forte e indelével. Mas o que fica guardado são lembranças que manifesto no meu dia a dia. Hoje, olhando de longe, consigo ver esses talentos todos. Na verdade nunca vi aquilo como algo extraordinário. Afinal era a nossa rotina. Nunca pensei em tudo isso como algo surpreendente. Fui entender o tamanho dessas referências muito mais tarde, já no fim da adolescência.

Você disse que moda e estilo sempre foram muito presentes em sua vida. Mas começou a faculdade de Publicidade e Propaganda. Seguiu aprendendo sobre moda, modos, cursos de arte. Veio o trabalho com o Turismo, de paraquedas…
Na verdade o turismo como profissão veio da paixão pela cultura dos países, principalmente os do Oriente Médio e da África. Não só que roupa vestiam ou porque faziam determinada coisa, eu queria colar na retina dos povos e ver o mundo com seus olhos. Sempre fui rato de biblioteca. Muito do que sei se deve a uma fome voraz de saber. Até hoje sou assim, quero aprender alguma coisa nova todo dia. E não sou seletivo ou erudito, amo Millenium, Harry Potter, Jogos Vorazes (tão atual). Se me agrada, absorvo. Sou meio dementador de conhecimento. Os idiomas também. Aprendi um pouco em escolas e muito em experiências. Francês, por exemplo, foi a paixão por Balzac que me deu o start para querer aprender. Sou reflexo dessa grande faculdade que comecei sabe lá Deus com que idade. Aprendi ler e escrever aos seis anos e penso que começou aí.

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Por A mais B: Adriano Vendemiatti e Sol, parceria na vida e no trabalho e muita criação na marca de bijus étnicas (Foto: Isa Silvano)

Como foi o encontro com a Sol, sua mulher, que já trabalhava com Moda?
Nos conhecemos na faculdade de Publicidade, logo no primeiro dia a notei. Ela também me notou. Claro! Cheguei atrasado. Quase meia hora depois de começada a primeira aula, entrei com dois amigos, conversando e rindo e nem notei a professora, que achei que era uma aluna. No começo ela não foi muito com a minha cara, achou que eu era “um tumulto” (na verdade, ainda acha). Até começarmos a namorar. De lá para cá, são 25 anos. Ela sempre gostou de costurar, fez cursos de corte e costura, mas também sempre teve sede de experimentar, do tipo que comprava Burda, Manequim, Moda Moldes e fazia as próprias roupas, mudando os moldes.

Sair do quadradinho e investir na criação de moda em dupla com a Sol. Quando criaram a primeira marca, de vestuário, que veio antes da Qndaq?
A primeira peça que criamos juntos foi para ela. Eu ainda trabalhava no Turismo. Ela queria um vestido longo para ir a um casamento, mas não encontrava nada pronto, até que viu em uma revista um vestido do Valentino e falou: É isso! Mas não quero copiar, quero algo com a minha cara. E quebramos a cabeça para fazer o molde, apesar de simples não tínhamos expertise (dois atrevidos), infelizmente nem foto sobrou, o casamento durou menos que o vestido. Era longo em georgete de seda com forro de cetim. O que pegou foi o recorte em V na saia e, óbvio, cortar tudo em viés e costurar em máquina caseira, mas ela conseguiu. Do original sobrou mesmo só o estilo lingerie. Nem a cor, que era vermelha, foi copiada, ela optou por um azul Royal e o forro fizemos em cetim preto para que ficasse no tom que ela queria. Sem modéstia, ficou incrível. Então, vieram as primeiras clientes, as irmãs dela. Depois as amigas. E a coisa foi acontecendo e crescendo. Tomando totalmente os dias dela e todo meu tempo livre. Paralelo a isso eu já estava bem decepcionado e desestimulado com meu trabalho. Para tirar o pé de uma das canoas, foi temeroso, mas rápido.

Qndaq é referência a um título de rainha; como o nome foi escolhido? Fale um pouco da pluralidade de inspirações da grife
Como disse sou fascinado pela cultura do Oriente Médio e da África Saariana. Tinha lido sobre as qndaqs muito tempo antes, guardei a informação em uma prateleira e lá ficou. Ela só voltou quando mudamos de roupas para acessórios. Queríamos ventilar, trazer ar fresco, então decidimos mudar até o nome. A Qndaq está com três anos, e é uma pirralha atrevida. Sempre gostamos de experimentar, mas a paixão pelo artesanal e o couro sempre foram muito fortes, inclusive no vestuário. A inspiração? Vai parecer clichê, mas qualquer coisa nos inspira, tingimos à mão uma coleção toda com as cores do por do sol do outono, violeta, rosa, vermelho, laranja, amarelo e azul.

drizo_resina_post1aPor A mais B: Cristais, couro, fibras sintéticas e metais nobres nas criações da grife, peça da coleção Resina, da Qndaq

Vocês já produziram para várias marcas. A Qndaq está focada agora exclusivamente nas criações próprias?
Também. Ainda trabalhamos para algumas empresas, desenvolvendo coleções de acessórios e eventualmente t-shirts. Continuamos com essas parcerias, mas queríamos por a cara no sol e mostrar nosso trabalho autoral, desvinculado das coleções de nossos parceiros. A Qndaq por ser slow fashion nos permite certas ousadias e conceitos que sabemos ter um público menor e ávido. Sempre ouvimos de clientes que só encontram algo similar em lojas no exterior e a preços absurdos. Esse é um detalhe que não podemos ignorar em tempos bicudos. Não posso criar uma peça linda, porém caríssima, tenho de ter em mente a realidade do Brasil. Embora algumas lojas especializadas em Boho Style no exterior já tenham itens nossos em suas vitrines, ainda sou um produtor brasileiro, para o público brasileiro.

Janeiro começou com uma série em crochê resinado e cristais. O couro ainda será o ponto de partida das peças que têm metais nobres, cristais, fibras naturais, resinas e agora a beleza da Coleção Crochet?
Sempre. O couro, os cristais brutos, os metais opacos estão no nosso DNA. Sempre procuramos criar peças de aceitação mais rápida e outras nem tanto. É quando pesamos mais a mão no nosso estilo. Já foi assim quando fizemos as tramas japonesas, as contas Masai. Tivemos peças com apenas um leve perfume e outras mais densas, importantes. O grande prazer que temos é criar uma peça perene, atemporal. Daqui a dois anos você pode usar, como daqui a dez. É claro que queremos vender sempre e mais, afinal esse é nossa fonte de renda, mas queremos que as pessoas montem um acervo e que nossas peças estejam sempre lá. Pelo menos uma nova a cada lançamento.

Você resumiu as criações como releituras brincando com o bruto e o suave, o artesanal e o industrial. Há muitas etapas feitas à mão?
A grande maioria das peças são feitas exclusivamente à mão, incluindo os metais. Tornando-as únicas, ainda que parecidas. Terceirizamos muito pouco, porque temos uma preocupação grande com o material. Quando tem banho então, vira obsessão. Afinal tem o cádmio, muito usado e extremamente tóxico e comprovadamente cancerígeno. Escolho pele por pele, cristal por cristal que vamos usar. Temos fornecedores fantásticos, certificados e que estão no mercado há décadas; que, assim como nós, não querem arriscar o nome, patrimônio maior, por uma bobagem.

Seu radar dá a volta ao mundo?
Ahahahahaha! Diariamente. Sou ávido por informação. Não consigo começar meu dia sem ler online alguns jornais, revistas e sites que abordam política, economia, antropologia, arqueologia, (enfim, grande parte das ciências), atualidades, banalidades, e claro tudo que conseguir sobre Moda, com M maiúsculo mesmo, por se tratar de todo um universo, como pesquisas mercadológicas, tendências, lançamentos, tecnologia, análises, críticas, réplicas. Mas você falou uma coisa bacana. Conhecimento que se guarda e não divide é como dinheiro. De que adianta ter se leva uma vida miserável? Então, divido todos os dias alguma coisa do que leio e confesso que muitas vezes revi minha opinião sobre algum assunto pelo post de algum amigo que tem uma visão diferente da minha. E o grande segredo é esse, nunca se achar informado o suficiente para ter uma opinião hermética sobre qualquer coisa.

Marcas eco friendly. Qual sua avaliação desse viés na moda?
Tenho preguiça e má vontade. Ao menos inicialmente. O que mais tenho visto é marca usando o termo eco friendly para vender mais. Porque de friendly não tem nada. Vamos pegar um exemplo gringo, uma grife inglesa que tem o maior orgulho de falar que não usa couro animal em suas produções. Não existe couro vegetal! ‘Couros sintéticos’ são verdadeiras bombas tóxicas, feitos de derivados de petróleo, além de usar químicas pesadas para sua produção. Agora me responda. Como é feito o descarte do resíduo altamente poluidor da produção? Vai me falar que transformam tudo em plantação de girassóis? Não! Eles vão para aterros ou o caminho mais prático: a água!

E o couro natural?
Já o couro natural, de origem animal, se manipulado por empresas sérias (tem gente ordinária em todos os lugares, não vamos tirar isso de vista), tem um impacto poluidor infinitamente menor e trata-se do aproveitamento de uma matéria prima secundária na produção de carne para consumo. Boi, rã, peixe, avestruz, jacaré, até píton são alguns exemplos de animais que são abatidos para o consumo de suas carnes. O que se faz ao curtir o couro desses animais pode ser considerado mais ecológico até. Mas, não entendo porque em um mundo com acesso à tecnologia, alguém ainda abata um animal apenas por sua pele. Você já viu espetinho de raposa? Alguém compra lombo de urso no açougue? E sabe o que é mais interessante? Tirando um peixinho e um eventual peito de frango, nem eu e nem a Sol comemos carne. Portanto não estou advogando em causa própria.

 

“Poderíamos começar extinguindo as malditas garrafas PET, junto com as sacolinhas plásticas. Eu sou do tempo das garrafas de vidro, dos sacos de papel nos supermercados, dos copinhos descartáveis feitos em papel encerado, das sacolas de ráfia. Não sou contra o plástico, sou contra seu uso indiscriminado. Muito mais faz pela Natureza a Luciana Bueno e seu Banco de Tecido do que muita empresa com um tag verdinho”

 

“Se você procurar por processos ecologicamente corretos, vai ver que o mundo está evoluído, mas esses novos materiais têm processos em que o ganho extorsivo terá de ser revisto, portanto, não interessa. Se nem o cuidado com o descarte ainda é levado a sério, o que dizer sobre processos e materiais eco conscientes?”

 

Moda é também negócio; slow fashion envolve consumo consciente. Como harmonizar essas equações?
É sobre consumo consciente. Slow fashion é sobretudo um movimento que busca trazer coerência. Não se trata de não comprar roupas novas todo mês. Mas comprar peças que terão uma vida útil maior. Não existe nada mais cafona que os fashion victims ou label slaves. As pessoas estão entendendo melhor seus corpos e percebendo que se é muito alta deve evitar calças justas de cintura alta, se for baixinha e gordinha não é recomendado usar franzidos e por aí vai. Então o “tem que ter” está com data de morte anunciada, mas ainda não foi nem para a UTI. Está forte o suficiente para promover estragos visuais e financeiros.

Verbo customizar…
Em paralelo tem o resgate das técnicas artesanais e as customizações que conferem exclusividade a cada peça. Se você tem uma saia que tem uma modelagem incrível, mas está meio derrubadinha, não se desfaça dela. Mude a cara. Mande tingir, borde, cole patches, enfim, renove. Mas se você quer uma saia arrasa-quarteirão, daquelas de dar torcicolo em invejosa, que tal trocar a renda industrial por uma em crochê ou bilro? E para os marmanjos a jaqueta de couro ou jeans também pode ser customizada. Eu mesmo tenho uma que eu customizei com uma caveira mexicana e um blazer também, que é usar para receber proposta de venda. Mas se você me perguntar se as redes de fast-fashion vão acabar, respondo que não. E isso não é uma contradição. Fatalmente terão de fazer a reengenharia e se adequar em algum momento.

Estilistas e marcas que ajudaram a criar a moda no Brasil.
Caramba! São tantos nomes! Mas sempre bati cabeça para Simão Azulay, então ele sempre vai encabeçar uma lista dessas. Mas temos muitos nomes do passado e do presente, como Marilia Valls, Luís de Freitas, Teresa Gureg, Marco Rica, José Augusto Bicalho, Gregório Faganello, Zuzu Angel, George Henri, Lino Villaventura, Clo Orozco, Renato Kherlakian, Glória Coelho, Ronaldo Fraga, Alexandre Herchcovitch, não vou conseguir lembrar de todos. E some a esse nomes, os de pessoas que não encabeçam uma marca, mas também ajudaram e ajudam a solidificar a moda no Brasil, como Daniel Maia, Marcelo Rojo, Leda Senise, Ruth Joffily, Regina Guerreiro, Gloria Kalil, Costanza Pascolatto, Erika Palomino e de novo não vou lembrar todos os nomes.

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Por A mais B: Adriano Vendemiatti com a jaqueta feita e customizada por ele

E o hoje da moda nacional?
Precisa ser urgentemente reavaliada. Não que não tenha gente super competente, mega criativa, mas a pasteurização comercial tem castrado essas mentes brilhantes. Em paralelo temos alguns criadores com potencial, mas que se colocam em pedestais perigosos, que os distanciam do que o mercado pede, então o que você vê são bazares e mais bazares para queimar estoques incoerentes. Alfredo Mascarenhas me disse uma vez que para fazer moda, você tem de olhar a rua. O que ela pede e o que ela vai aceitar. Sempre cito Suzy Menkes, por ela ter dado voz mundial ao que sempre acreditei, quando disse que temos um talento humano incrível no Brasil, precisamos tomar posse disso. Principalmente os talentos manuais, rendas, bordados, tramas. É só ver o resultado comercial no exterior de coleções que usaram o “brazilian handmade”. Mas como santo de casa não faz milagre, tem muita gente que acha que a moda daqui tem alguma coisa de menor. Colonialismo bobo.

 

drizo_post20ADRIANO POR ADRIANO

Persona – “O Adriano Vendemiatti é um nome lindo, porém mais usado em documentos. Para quem me conhece eu sou o Drizo. Um cara bem bacana, de gostos absurdamente simples, mas exigente com qualidade. Tenho um paladar fácil de agradar. Meu bom humor é bem resistente, embora muitas vezes ácido. Sou do tipo que prefere deixar prá lá a perder tempo com discussão. Não preciso que o outro me dê razão. Se eu sei que estou certo, é o quanto me basta. Jamais cometerei sincericídio, sou muito cuidadoso com as fronteiras, tanto com as minhas quanto com as alheias”

Rotina – “Quase monástica. Entro no atelier e começo o dia com os jornais e sites. Se tem alguma coisa bacana, já compartilho. Se a notícia é polêmica, espero a evolução dela para formar uma opinião. Então vou para emails profissionais, pedidos por instagram, whatsapp, respondo todas as mensagens. Se estou em fase de pesquisa, começo a partir desse ponto. Entro novamente nas redes sociais, por 10 ou 15 minutos, antes do almoço. Quarenta minutos depois já estou trabalhando de novo e como meu dia acaba por volta das 20 horas, nesse meio tempo entro mais uma vez nas redes por mais 10 ou 15 minutos. Depois do jantar me dou o direito de ver TV, ler e tals. Sou da turma da madrugada, por isso tenho de me policiar e partir para a cama até no máximo meia noite. Não gosto de domingo e assumo que sou workaholic”

#bethbarra
beth.poramaisb@gmail.com
bethbarramoda@gmail.com

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