Viva Zapata? Não, desta vez, viva Dolores del Rio, atriz do divando do Por A mais B

Dolores Del RioPor A mais B, divando Dolores del Rio: Para a bela atriz, que após o sucesso nos EUA ajudou a projetar o cinema mexicano no mundo, a verdadeira prova de fogo para um ator era o teatro (Imagem – Reprodução)

Beth Barra

Hollywood primeiro curvou-se à beleza de Dolores Del Rio, a mexicana de traços delicados, exóticos e aristocráticos era listada como uma das mulheres mais lindas da telona. Sua estreia foi em Joana, de 1925, uma participação no filme do produtor e diretor Edwin Carewe, que ela conheceu em uma festa. Na sequência, protagonizou Thre Price of Glory (de Raoul Walsh, 1926), que logo a tornou popular, ainda na era do cinema mudo. A atriz do divando do Por A mais B soube fazer a passagem para o sonoro em longas como Ave do Paraíso, lançado em 1932, e assinado pelo cineasta King Vidor. Estava aberta a trajetória de sucesso de Dolores Asúnsolo López Negrete, nascida em 3 de agosto de 1905, na cidade de Durango, que por 17 anos brilhou em dezenas de filmes e teve seu talento reconhecido nos Estados Unidos. Ela estrelou vários musicais, entre eles, Estrela de Fogo (In Caliente, 1935), de Lloyd Bacon, como a dançarina Rita Gómez.

divando_dolores_del_rio_poramaisb_post2Ainda na RKO, que depois ela trocaria pela Warner, fez Voando para o Rio (Flying down to Rio, 1933), de Thornton Freeland. No musical, interpreta Belinha de Rezende, envolvida em um triângulo amoroso com o compositor Roger Bond (Gene Raymond) e Julio (Raul Roulien), de quem é noiva. Mas o que tornou o filme lendário foi a dupla de dançarinos Ginger Rogers e Fred Astaire, apresentada ao mundo nessa produção. (Na imagem, Dolores Del Rio e Noel McCrea em Ave do Paraíso (Bird of Paradise, 1932), de King Vidor com produção de David O. Selznick, ambientado na Polinésia, o filme causou polêmica por algumas cenas consideradas de amor dos protagonistas, consideradas ousadas demais – reproduções)

Enquanto brilha na meca do cinema norte-americana, Dolores Del Rio também alimenta as colunas de fofocas. Divorciada de Jaime Del Rio, com quem se casou em 1921, adotando seu sobrenome, ela se une a Cedric Gibbons em 1930, chefe do Departamento de Arte da Metro-Goldwin-Mayer. Uma das estrelas mais lindas do cinema com um homem mais velho e feio e um casamento de onze anos – o marido, que adorava sua bela, construiu um palacete em estilo art déco, considerado na época um dos mais luxuosos de Hollywood.

O divórcio entre a bela e a fera – como o casal era maliciosamente chamado – aconteceu em em 1941, após onze anos de casamento. Dolores Del Rio teve um rumoroso romance com Orson Welles e voltou a casar-se em 1959. A atriz e Lewis Riley, ficaram juntos até a morte dela  em 11 de abril de 1983. Ele também a acompanhou na volta ao México na década de 40. O retorno ao país natal marca uma das fases mais importantes de sua carreira e a contribuição à industrialização do cinema mexicano.

A partir do retorno de Dolores del Rio, o México ganhou reconhecimento mundial por produções como Maria Candelária, que ganhou o Grand Prix de Cannes, e Flor silvestre, ambas de 1943, e protagonizadas pelas atriz. Os dois filmes são do diretor  Emilio Fernández e entram como obras-primas do cinema mexicano – o primeiro é um épico ambientado pouco antes da revolução mexicana, iniciada em 1910.

Dolores del Rio vive o papel título nesse drama que explora o preconceito e o fanatismo do povo e conta a história da jovem, cuja mãe tinha a reputação de prostituta, ganhando a vida vendendo flores cultivadas nos jardins flutuantes de Xochimilco. Ao contrair malária, seu noivo Lorenzo (Pedro Armendáriz) rouba quinina para seu tratamento e é preso, para libertá-lo, ela recorre a um pintor espanhol, que usa seu rosto para um quadro de nu. Um filme trágico, especialmente o final, que mergulha na cultura e no nacionalismo mexicanos, revelando também a beleza do país.

“O mais importante é que eu trabalhei não para admirar as pessoas, o que me interessa é o carinho do público, e acho que consegui, essa é a minha maior conquista” (Dolores del Rio em entrevista de 3 de fevereiro de 1976 ao El Siglo de Torreón e republicada esse ano pelo site da publicação)

 

divando_dolores_del_rio_poramaisb_post3Por A mais B, divando Dolores Del Rio: A atriz em Maria Candelária (de Emilio Fernández, 1943), onde vive o papel título no filme que é considerado uma obra-prima do cinema mexicano e levou o Grand Prix no Festival de Cannes (Reprodução)

Além dos filmes protagonizados por ela, Dolores del Rio colaborou em várias produções realizadas no México, como Domínio dos Bárbaros (The Fugitive, 1947), de John Ford, estrelado por Henry Fonda, onde fez também uma participação. Nos anos 50 e 60, a atriz, que ajudou a revelar o cinema mexicano para o mundo, trabalhou novamente nos Estados Unidos e na Argentina, e continuava filmando em seu país.

Filha de um banqueiro e proprietário de terras, Dolores Del Rio deixou o México durante a revolução mexicana, que começou em 1910. A família migrou para os Estados Unidos, onde deu à jovem uma educação esmerada, mas sua decisão de se tornar atriz foi um ato de coragem – os pais não aceitavam uma profissão considerada suspeita. O que não reteve aquela que seria eleita umas das mulheres mais belas do cinema, culta, refinada e com talento suficiente para trilhar o próprio caminho. Viva Zapata? Não, desta vez, viva Dolores Del Rio!

 

Confira fotos com cenas de filmes e, na galeria, a beleza de Dolores Del Rio, atriz do divando do Por A mais B

 

divando_dolores_del_rio_poramaisb_post6Por A mais B, divando Dolores Del Rio: Domínio dos Bárbaros (The Fugitive, 1947), a atriz faz uma participação no drama de John Ford estrelado por Henry Fonda, como o sacerdote católico que foge dos revolucionários que proíbem manifestações religiosas (Reprodução)

divando_dolores_del_rio_poramaisb_post8Por A mais B, divando Dolores Del Rio: No musical Estrela de Fogo (In Caliente, 1935), filme de Lloyd Bacon, vivendo a dançarina Rita Gómez, que provoca a paixão de Lawrence (Pat O’Brien), crítico que hostilizava suas apresentações

divando_dolores_del_rio_poramaisb_post9Por A mais B, divando Dolores Del Rio: Com Elvis Presley em Flaming Star (Don Siegel, 1960), considerado um dos melhores filmes do músico e ator, onde vive a mãe do protagonista, que tenta promover a paz entre rancheiros e nativos (Reprodução)

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