Carmen Miranda, a inesquecível ‘pequena notável’, maior estrela do Brasil nos EUA

Por A mais B, divando: Carmen Miranda, a atriz brasileira que apresentou o Brasil ao mundo (Foto: Reprodução)

Beth Barra

Carmen Miranda ainda é a maior estrela do Brasil nos Estados Unidos. A moça que encantou o mundo com sua música, trejeitos, rebolados, alegria e um figurino ultracolorido, inventou a plataforma – tinha 1,53mde altura e calçava 34. Fora dos sets, uma mulher elegante, que usava taillers, belos casacos, make suave. No cinema e nos shows seduzia pelo gingado, as canções, os belhos olhos e o sorriso luminoso. Maria do Carmo Miranda da Cunha, atriz do divando da semana, nasceu em 9 de fevereiro de 1909, em Várzea da Ovelha e Aliviada, Portugal. Foi criada no Brasil e a família tinha outra estrela na cena musical, sua irmã Aurora Miranda. Uma vida de sucesso, que começou no Rio de Janeiro, com shows que eletrizavam a plateia, admirada com a performance da ‘pequena notável’, como ficou conhecida pelo tipo mignon e delicado.

O americano Lee Shubert também se encantou com nossa estrela e em 1939 a levou para os Estados Unidos (sem falar inglês) . Lá,  Carmen Miranda começou uma carreira independente com seus shows e sua música. Ela chegou a fazer uma apresentação para o então presidente presidente Franklin Delano, na Casa Branca. A fama, a partir daí, sorriu para a bela cantora, que se tornou um hit na terra do Tio Sam – aparaceu também em desehos animados, entre eles, com os astros  Tom e Jerry e também Popeye.

Diva Carmen Miranda Post InternoO contrato com a Century-Fox levou Carmen Miranda para a telona. Embora com filmes de sucesso, a imagem que o estúdio criou de garota latina  tornou-se inconveniente com o tempo, não permitindo que ela transitasse por outrês gêneros que não fossem as comédias musicais. Eram produções luxuosas, onde ela tanto encarnava uma brasileira, como porto-riquenha, cubana, mexicana – embora com sua pele e olhos clarinhos. Mas  as roupas, os acessórios coloridos esua vivacidade ajudavam na construção desse perfil.

A atriz e cantora  participou, entre 1933 e 1940, de cinco musicais no Brasil,  e gravou músicas inesquecíveis, entre elas, Pra Você Gostar de Mim (Tai), Mamãe eu Quero e a deliciosa O Que É Que A Baiana. Estreou no cinema americano em 1941, com Uma Noite no Rio (That Night in Rio, de Irving Cummings), contracenando com Alice Faye e Don Ameche. O filme foi um sucesso, assim como a performance da ‘pequena notável’ também na comédia. . Um dos destaques da produção foi o belo figurino das duas atrizes.

Fama, sucesso e uma vida amorosa turbulenta. Carmen Miranda casou-se em 1947 com David Sebastian, quando recebia um dos maiores salários que Hollywood pagava a uma estrela. O casamento parece ter marcado também o início de sua decadência, já que o marido, empresário, conduziu mal os negócios da atriz. Ela começou a usar barbitúricos, ficou dependente da droga e tornou-se alcoólatra.

Aos 45 anos, em 1954, retornou ao Brasil e fez um tratamento de desintoxicação, que não a livrou totalmente da dependência. Em 1955, já nos EUA, deu início a turnês exaustivas, intercaladas por bebidas e remédios. O excesso de trabalho e o desejo de brilhar novamente para o mundo, além das drogas, fragilizaram Carmen Miranda em corpo e alma. Em 5 de agosto de 1955, em Beverly Hills,  Califórnia, fez uma apresentação no programa do comeddiante Jimmy, e sentiu-se mal no estúdio. Horas depois, em casa, sofreu um ataque cardíaco fatal. Seu corpo foi enviado para o Brasil, mais de 500 mil pessoas acompanharam o cortejo da atriz.

Com sua morte, aos 46 anos de idade, Carmen Miranda – seu talento, beleza, filmes, músicas, vícios, dores e sucesso – tornou-se a diva brasileira entre as estrelas de Hollywood e ganhou, do governo do Rio, no Aterro do Flamengo, o museu que leva seu nome.

 

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Por A mais B, divando: Carmen Miranda, a eterna 'pequena notável (0902/1909 - 05/08/1955 - Foto: Reprodução e estúdios)
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