Divando e celebrando Marilyn Monroe, a ‘adorável pecadora’ que seduziu o mundo

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Beth Barra

 

Marilyn Monroe tinha 36 anos quando foi encontrada morta, em 5 de agosto de 1962. Viciada em barbitúricos, fornecidos pelos médicos, a bombshell que balançou a moral e os costumes da América dos anos 50 era também uma mulher carente, com uma infância conturbada pela instabilidade emocional da mãe. O divando do Por A mais B celebra MM, que nasceu em 1 de junho de 1926. A bela Norma Jeane Mortenson  tinha um caso de amor com as câmeras – elas se adoravam, talvez o único casamento perfeito da atriz, que sofreu dois abortos e sonhava em ser amada e aceita. As comédias românticas e sensuais tornaram-se seus trabalhos mais conhecidos, mas ela brilhou também em dramas como Niágara e Os Desajustados.

Marilyn Monroe mantém seu Olimpo particular, onde parece guardar os segredos do andar ondulante, da boca vermelha, entreaberta e sutilmente umedecida, e do olhar cativante e misterioso. Um efeito fulminante completado pelos cabelos loiros, sempre acima dos ombros, que se tornaram blond desde a icônica foto nua do calendário, de 1949, do fotógrafo Tom Kelley ,

Mesmo que se leve uma vida olhando cada detalhe das centenas de imagens da atriz, em cena e fora dela, fica-se eclipsado por sua sensualidade. Milton H. Greene (14/03/1922 – 08/08/1985) foi um dos grandes fotógrafos de Marilyn Monroe e manteve uma amizade de anos com a estrela. Algumas de suas imagens tornaram-se célebres – entre elas, as séries Ballerina Sitting (realizadas em Nova York, em 1954) e Black Sitting (1956).

Greene a apoio e a estimulou a em sua carreira. Ele aconselhou a amiga e enfrentar a 20th Century-Fox, que enquadrava Marilyn Monroe nos papéis de loira burra ou ambiciosa. Em 2012, cinquenta anos depois de sua morte, MM foi homenageada nos quatro cantos do mundo – começando pelo Festival de Cannes, que lançou o cartaz oficial em sua homenagem.

“Fragmentos – Poemas, anotações e cartas de Marilyn Monroe” (Editora Tordesilhas, 2011), libertou a atriz da imagem unicamente sensual. O livro, com anotações íntimas, cartas, poemas dos autores favoritos, revela uma leitora de James Joyce, Gustave Flaubert, Ernest Hemingway. Algumas de suas confidências, publicadas e organizadas por Bernard Comment e Stanley Buchtahl, expõem uma Marilyn angustiada e sensível:

 

“Eu sou de ambas as suas direções
De alguma forma permanecendo de cabeça para baixo
na maior parte,
mas forte como uma teia de aranha no
vento – eu existo mais com a geada fria e cintilante.
Mas os meus raios borbulhantes têm as cores que
vi nas pinturas – ah vida eles
traíram você”

 

“Você começou e terminou no ar mas onde estava o meio?”

 

“A boca me torna a mais triste, ao lado dos olhos mortos. Há uma linha escura entre os lábios no contorno de várias ondas de brisa numa tempestade turbulenta – ela diz não me beije, não me engane sou uma dançarina que não sabe dançar”

 

A mais midiática atriz do século 20

 

♥ A altura e as medidas da atriz mais fotografada do mundo continuam uma incógnita. Oficialmente, ela tinha 1,67m de altura e 93/58/91 na sequência busto, cintura, quadril, de acordo com o estúdio. Os costureiros, especialmente o figurinista William Travilla, que desenhou o dress dourado e todo o guarda-roupa da estrela para Gentlemen Prefer Blondes (1953), costumava divulgar uma deusa menos voluptosa – 88/58/88. Meras reminiscências sobre a mais midiática atriz do século 20.

♥ A musa não deixou manuais de estilo, mas muitos dos vestidos que usou no cinema ficaram famosos.  O modelo branco, curto e esvoaçante, que causou perplexidade e possivelmente o fim de seu casamento com Di Maggio em O Pecado Mora ao Lado (1955), foi arrematado por US$ 4,6 milhões em um leilão. O modelo pink e sensual que de Os Homens Preferem as Loiras foi copiado à exaustão.

♥ Na vida real, mesmo cercada de fotógrafos, Marilyn costumava usar roupas relativamente simples e confortáveis – óculos escuros, trench coat, pulôver, calças capri ou mesmo um tailleur. Além de camisas brancas e saia-lápis, poucas joias e salto alto.

♥ Marilyn mais próxima do mundo real que se vê nas telas está em Adorável Pecadora (Let’s Make Love), vivendo a atriz iniciante Amanda Dell. Ela surge em várias cenas de pulôver ou tricô preto, vestidos também pretos de alça fina, realçando delicadamente o corpo.

 

Marilyn Monroe em oito filmes

Marilyn Monroe BUS STOP Nunca Fui SantaNUNCA FUI SANTA (Bus Stop, 1956). De Joshua Logan. Com Marilyn Monroe, Don Murray, Betty Field. Bo Decker (Don Murray) é um caubói atraente que se apaixona pela cantora de um café (Marilyn Monroe). O problema é que Bo acha que ela abandonará tudo por ele. Indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz (foto)

COMO AGARRAR UM MILIONÁRIO (How to Marry a Milionaire, 1953). De Jean Negulesco. Com Betty Grable, Marilyn Monroe, Lauren Bacall. Em Nova York, três modelos cansadas de namorados sem dinheiro alugam um apartamento em Manhattan. Schatze Page (Lauren Bacall), Pola Debevoise (Marilyn Monroe) e Loco Dempsey (Betty Grable) tem um objetivo claro: encontrar maridos milionários e levar uma vida de ostentação.

O PRÍNCIPE ENCANTADO (Prince & The Showgirl, 1957). De Laurence Olivier. Com Marilyn Monroe, Richard Wattis. História do amor impossível entre um príncipe (Laurence Olivier) e uma cantora de cabaré (Marilyn Monroe). A diva mais famosa de Hollywood é a produtora do filme, que tem a direção de Laurence Olivier.

OS HOMENS PREFEREM AS LOIRAS (Gentlemen Prefer Blondes, 1953). De Howard Hawks. Com Jane Russell, Marilyn Monroe, Charles Coburn. A rivalidade entre morenas e loiras compõe a trama, estrelada por Jane Russell e Marilyn Monroe. Ambas são dançarinas e embarcam em um cruzeiro dos Estados Unidos a Paris em busca de casar com um milionário.

O PECADO MORA AO LADO (The Seven Year Itch, 1955). De Billy Wilder. Com Jane Russell, Marilyn Monroe, Charles Coburn. Adaptação de uma peça de teatro, o filme dirigido por Billy Wilder traz a célebre cena da saia esvoaçante de Marilyn Monroe. Um chefe de família vivido por Tom Ewell passa pela crise dos sete anos de casamento e as tentações de cometer adultério, fase acentuada pela nova e sedutora vizinha, vivida por Marilyn.

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (Some Like It Hot, 1959). De Billy Wilder. Com Marilyn Monroe, Tony Curtis, Jack Lemmon. Curtis e Lemmon são dois músicos desempregados que testemunham o assassinato de uma gangue. Eles fogem da cidade disfarçados de mulher como integrantes de uma banda feminina. Tony Curtis se transforma em Josephine e Lemmon em Jerry. Marilyn é Sugar, a corista por quem o personagem de Curtis se apaixona. Disposto a conquistá-la, ele se faz passar por um milionário.

ADORÁVEL PECADORA (Let’s Make Love, 1961). De George Cukor. Com Marilyn Monroe, Yves Montand, Tony Randa. Jean-Marc Clement (Yves Montand) é um milionário e investidor da bolsa de Nova Iorque. Ao descobrir que será satirizado em uma peça, vai ao ensaio e conhece a atriz Amanda Dell (Marilyn Monroe). O diretor da montagem pensa que ele é um ator e o escala para representar a si mesmo. Jan-Marc aceita o papel para tentr conquistar Amanda.

OS DESAJUSTADOS (The Misfits, 1962). De John Huston. Com Marilyn Monroe, Clark Gable e Montgomery Clift. Roslyn Taber (Marilyn Monroe) é uma mulher sensível, enfrentando um divórcio. Gay Langland (Clark Gable) um cowboy frio, sempre disposto a domar cavalos e conquistar mulheres divorciadas. Os dois se envolvem e uma paixão condenada ao fracasso nasce entre eles.
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Divando

Marilyn Monroe por Milton H Greene, Ballerina Sitting, NY 1954
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