Divando Frances Farmes, a atriz que rompeu com o star system de Hollywood

Frances Farmer  foi além do cinema, tornou-se uma lenda com sua história de rebeldia, independência e tragédia (Arquivo)

Beth Barra

Frances Farmes tornou-se, nos últimos 45 anos – ela morreu em 1 de agosto de 1970 – mais do que uma talentosa atriz, uma lenda, com uma história de rebeldia, tragédia, confinamento. O divando da semana celebra essa mulher belíssima, que ousou romper com o star system de Hollywood, quando no auge da carreira, e contratada pela Paramount, resolveu abandonar o cinema e dedicar-se ao sonho inicial do teatro.
Loira, olhos claros, inteligente, fala provocante e um viés considerado socialista levaram Frances Farmes da glória da telona a internações psiquiátricas por vários anos. Foi o preço por sua rebeldia indomável e por renegar a imagem de glamour cultuada pelos estúdios. Uma história e uma lenda, envolvendo sua própria mãe, que projetava nela seus sonhos de grandeza e sucesso – e a teria condenado a tratamentos em hospícios, suplícios e maltratos. Além de uma lobotomia, não oficialmente confirmada, com o objetivo de aplacar seu suposto comportamento antissocial, agressivo e os problemas com álcool.

Frances Post Interno 2Sua história, após romper com a meca do cinema, é comovente e ainda guarda mistérios. Quem já assistiu Farmer (1982), de Graeme Clifford, com Jessica Lange (foto, cena) no papel título, um dos três filmes sobre sua vida, conhece um pouco de suas tragédias e dores em uma narrativa comovente e com a atuação memorável de Lange. Um longa inesquecível e uma reverência a atriz, que morreu aos 57 anos de idade, longe de seus sonhos de juventude e do palco que tanto amava, fazendo algumas aparições esporádicas na televisão.

Ela foi a mais importante das estrela a negar o mundo de glórias, dinheiro e fama oferecidas pelo cinema. Aos 17 anos, Frances Elena Farmer, nascida em 19 de setembro de 1913, escreveu em um jornal de Seatlle um ensaio sobre Deus intitulado God Dies. A jovem questionadora pergunta aos leitores porque um Deus poderoso permitia tantas injustiças conta inocentes, certamente esse Deus estava morto. Ao artigo, seguiu-se um escândalo, mesmo assim ela ganhou o prêmio do concurso.

Suas leituras de dramaturgia eram de autores sofisticados e com elas vieram o sonho de se tornar atriz de teatro. Ganhou um concurso para participar de uma peça e na sequência uma viagem à ex-República Socialista Soviética. Conhecer o país rendeu manchetes nos jornais norte-americacos pelo fato de uma jovem correr riscos de ser aliciada pelo comunismo. Para Frances, foi um roteiro de cultura, descoberta, arte.

Mas nem essa ‘mancha’ em sua biografia impediu que a Paramount lhe oferecesse um contrato de sete anos. Frances Farmer estreou no cinema e, entre seus longas, um dos destaques é Ídolo de Nova York (Toast of New York, 1937), dirigido por Rowland V. Lee, onde atuou com Cary Grant. Seguiram-se outros filmes, mas a atriz negava-se a interpretar, fora das telas, a moça linda, loira, sensual e quase tola.

Ao resolver deixar Hollywood e seguir uma carreira teatral, menos rentosa e visível, entrou em confronto com a mãe e o estúdio. Seu temperamento forte e a própria bebida, possivelmente uma forma de sobreviver às pressões do sucesso, a levaram a comportamentos pouco condizentes com os padrões puritanos de ua época.

O cinema perdeu sua estrela cerebral, linda e talentosa. E Frances Farmer foi viver seu martírio pessoal com as internações, em um tempo em que a psiquiatria engatinhava e os tratamentos eram cruéis. Nascia a lenda, enquanto ela, confinada em sanatórios, constantemente dopada, ia perdendo a fibra e a força moral. Porém, sua história permaneceu além dos filmes e da decadência imposta. Frances tornou-se, afinal, uma estrela, bem além dos padrões de Hollywood.

 

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