Divando Hedy Lamarr, atriz de uma beleza única e inventora do frequency hopping

Hedy Lamarr tornou-se famosa pelo sensual Êxtase, de 1933, e fez cerca de 30 filmes nos EUA, uma das inventoras do frequency hopping, sistema que décadas depois foi incorporado ao GPS e redes  wireless (Foto: Arquivo, site doctormacro)

Beth Barrra

Ela foi uma das mais belas atrizes de Hollywood com seus cabelos escuros, olhos enigmáticos, boca carnuda. Hedy Lamarr, atriz do divando da semana do Por A mais B, nascida em Viena, Áustria, em 9 de novembro de 1914, fez alguns filmes na Europa e migrou para os Estados Unidos, fugindo de Fritz Mandl, primeiro marido, fabricante de armas e íntimo do alto escalão nazista. Ela tinha origens judaicas. Levou suas joias e foi tentar a sorte em Hollywood. Mas, antes, protagonizou um dos filmes mais impactantes dos anos 30 – Êxtase (Ekstase, 1933), de Gustav Machatý. O longa foi produzido já no cinema sonoro, mas há poucos diálogos: as músicas e imagens é que o tornaram emblemático, ao abordar sexo, desejo e orgasmo com a história de Eva. Nossa diva aparece nua em uma das cenas, cavalgando, porém, tudo é muito sútil e vem daí essa sensualidade implícita. Em uma das cenas, apenas um close do colo e dos ombros, o colar de pérolas caindo no chão, as respirações ofegantes.

Além de linda, com seus traços perfeitos – “a garota mais bonita do século”, disse um dia Louis B. Mayer, um dos chefões da MGM -, Hedy Lamarr entrou para a história como uma das inventoras do frequency hopping. Desenvolvido por ela e pelo compositor George Antheil, que tinha também conhecimentos científicos incomuns para personalidades ligadas às artes. O sistema, patenteado em 1942, evitava que mensagens fossem interceptadas, com transmissões em frequências variadas, e décadas depois foi incorporado ao GPS, redes wireless e até mesmo à internet 3G. A dupla nunca ganhou qualquer dinheiro pelo frequency hopping, mas aos 82 anos, em 1997, ela e o parceiro científico, já falecido, foram homenageados com um prêmio da Electronic Frontier Foundation.

Hedy Lamarr sempre se interessou por ciência e tecnologia – dos funcionamentos das câmeras à invenção de aparelhos. Seu pai, banqueiro, costumava dar caminhadas com a filha e discorria sobre as maravilhas da tecnologia – das prensas para livros e jornais aos motores de veículos. Mas a bela escolheu ser atriz – que morreu em 19 de janeiro de 2000, na Flórida – sem perder o gosto pela pesquisa e as leituras cintíficas entre um filme e outro. Foram cerca de 30 produções nos Estados Unidos.

Beleza e inteligência eram dois de seus atributos, além de um talento que nunca foi totalmente reconhecido. Seis casamentos, três filhos e uma imensa vaidade – que a levaram a fazer várias plásticas com o passar do tempo, que quase acabaram com seus rosto aristocrático. A mente brilhante e algumas declarações mordazes sobre o sistema cinematográfico se tornaram célebres. “Qualquer garota pode ser glamorosa, basta ficar quieta e fazer cara de burra”, disse sobre o sucesso nas telonas.

 

NO ESCURINHO DO SOFÁ

♥ Êxtase (Ekstase, 1933, produzido na antiga Tchecoslováquia-Áustria), de Gustav Machatý

♥ Argélia (Algiers, 1938), de John Cromwell.

♥ Fruto Proibido (Boom Town, 1940), de Jack Conway

♥ Almas Boêmias (Tortilla Flat, 1942, de Victor Fleming)

♥ Sansão e Dalila (Samson and Delilah, 1949), de Cecil B. DeMille.

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Divando Hedy Lamarr
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