Divando Rita Hayworth, eternamente sedutora em Gilda, o noir dos anos 40

Gilda cenasBeth Barra

Houve um tempo no cinema em que a sensualidade emanava de pequenos gestos. Acender um cigarro ou dar uma cruzada de pernas podiam elevar os batimentos cardíacos e eclipsar a plateia. Em preto e branco, Gilda (1946) foi um pouco além. Rita Hayworth, protagonista do longa, era, até então, considerada uma atriz mediana. Mas transformou a personagem que dá nome ao longa em sinônimo de femme fatalle. Quando canta “Put the Blame on Mame” (Ponham a Culpa em Mame) usando o longo preto de seda (obra do figurinista Jeans-Louis) ela faz um strip, no final da canção, apenas tirando as luvas  – um ícone de beleza e malícia femininas. Nunca mais haverá uma mulher como Gilda, com certeza. O divando desta semana do porAmaisB é um tributo à atriz, que morreu aos 68 anos de idade, em 14 de maio de 1987 – um final de vida doloroso, já que sofria do Mal de Alzheimer.

O diretor Charles Vidor, bem menos conhecido do que Billy Wilder ou John Huston, realizou um dos mais notáveis filmes noir da década de 40. Luxo e decadência moral perpassam a história de Jhonny (o misógino e por vezes amoral personagem de Glenn Ford) e Gilda, temperamental, mas apaixonada. Com esse filme, Rita Hayworth entra para a galeria de atrizes inesquecíveis do cinema, mas ela  reafirmou seu talento em A Dama de Xangai, no ano seguinte, sob a direção de Orson Wells, com quem ficou casada de 1943 a 1948 – ele foi seu o segundo de seus cinco maridos.

Rita Hayworth, nascida em 17 de outubro de 1918, no Brooklyn, começou cedo sua carreira, não sob os holofotes de Hollywood, mas ainda como Margarita Carmen Cansino, seu verdadeiro nome. Ela subiu ao palco acompanhando o pai – vinha de uma família de ciganos espanhóis e desde menina foi treinada para se apresentar em cassinos. Lenda ou não, o que se conta é que no México enlouqueceu de paixão um barman, que teria criado o drink Margarita em sua homenagem.

Estreou no cinema em 1935 em  O Inferno de Dante, ainda com o nome de batismo. O chamado para a telona veio  após chamar a atenção de produtores em suas apresentações com a trupe Família Cansino de Dançarinos. Contratada pela Columbia dois anos depois, em 1937 adota o Rita Hayworth. Linda, 1,68 de altura, naturalmente sensual, o estúdio queria fazer dela uma estrela. O caminho para a fama, mesmo sendo considerada uma atriz com limitações naquela época, foi percorrido com Sangue e Areia, com Tyrone Power, e sucessivamente em Bonita Como Nunca e Ao Compasso do Amor, ao lado de Fred Astaire e Modelos, com  Gene Kelly. Essas produções revelaram seu poder de sedução e uma exímia dançarina.

Sua frase – “A maioria dos homens apaixona-se por Gilda, mas acorda comigo” – ficou conhecida quando Rita Hayworth explicava seus insucessos no amor. Seu último marido foi James Hill, um produtor de cinema, com quem ficou por três anos, divorciando-se em 1958.

A bebida, que se tornou quase um vício nos anos 60, atrapalhou a carreira de Rita Hayworth, que apareceu pela última vez nas telas em Aguirre, a Cólera dos Deuses, de 1972. Oito anos depois veio o diagnóstico de Alzheimer, que avançou rapidamente – a inesquecível Gilda perdeu-se totalmente e teve de ser tutelada pela filha Yasmin, que cuidou da mãe até sua morte.

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Eternamente Gilda, o memorável longa noir de 1946
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Confira o vídeo com os três memoráveis minutos da atriz cantando Put the Blame on Mame, em Gilda

 

 

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