Glória e fracassos na trajetória de Veronica Lake, a atriz que inspirou Jessica Rabbit

Beth Barra

Veronica Lake remete a duas lembranças distintas – os cabelos loiros, extremamente sedosos, ondulados e longos para o padrão hollywoodiano dos anos 40, sempre com uma mecha a encobrir um lado do rosto. Seu nome evoca também uma história de sucesso e fracasso em menos de cinco anos de cinema, embora em sua curta carreira tenha participado de uma obra-prima: Contrastes Humanos (Sullivan’s Travels, 1941), possivelmente o mais brilhante filme dirigido por Preston Sturges.

A atriz do divando da semana do Por A mais B morreu aos 53 anos, em 7 de julho de 1973. Pobre e esquecida, embora tenha tentado um retorno em Flesh Feast (1970), seu último e maior fracasso cinematográfico. Linda, traços delicados, voz rouca, mignon e delicada – 1,51m de altura – ela começou a atuar como Constance Keane, seu nome verdadeiro, e alguns sucessos depois aceitou a troca para Veronica Lake, proposta pela Paramount.

Casamentos fracassados, drogas e álcool – a atriz, ao morrer, sofria de cirrose hepática – mais uma sucessão de longas hostilizados por crítica e pública afastaram  Veronica Lake de Hollywood. Não existia espaço para belas mulheres sem uma boa bilheteria. Seu talento como atriz fica registrado em Contrastes Humanos, um filme não premiado; mas certamente reconhecido pelos cinéfilos e estudiosos do noir.

O longa de Preston Sturges, realizado quando a pobreza causada pela Grande Depressão ainda atingia milhares de americanos, conta a história de John L. Sullivan (Joel McCrea), cineasta rico que, cansado das comédias, resolve viajar pelos EUA como mendigo. Na estrada, sempre acompanhado à distância, ele vive diversas aventuras e o encontro com ‘a garota’, personagem de Veronica Lake. Um filme grandioso, que abarca gêneros diversos – comédia, drama, romance, pastelão, denúncia social.

Com Contrastes Humanos, o genial Preston Sturges, ele próprio autor de comédias brilhantes, valoriza na saga de seu personagem o humor inteligente no cinema. Não sem criticar diretores então engajados e críticos dos filmes que faziam rir.  As cenas de Veronica Lake com Joel McCrea revelam uma atriz talentosa. Consciente de que Contrastes Humanos era um filme para McCrea brilhar acima de todo o elenco. Mas, aos 22 anos, a belíssima atriz conseguiu roubar alguns momentos e foi celebrada pelos fãs. Não foi uma produção fácil – a Paramount exigiu um orçamento máximo de US$ 600 mil, filmagens em poucas semanas e não queria Lake para o papel.

Sturges venceu o tour de force com o estúdio e ela permaneceu. Antes de participar da obra-prima de Sturges, teve pequenos papeis, como em Sorority House (1939), filme de estreia. Na sequência, All Women Have Secrets e Dancing Co-Ed, os dois de 1939, vivendo novamente a moça bonita da Costa Leste – ela nasceu em Nova York, em 14 de novembro de 1919. Parecia o ideal para sua estampa de fios sedosos e voz aveludada – mas ela estudou na Bliss Hayden, escola de atores, em Hollywood, e só depois começou a atuar.

O sucesso chegou com I Wanted Wings, de 1941, realizado antes de Sullivan’s Travels. Veronica tornou-se uma estrela – seu cabelo, roupas e glamour discreto eram copiados e reverenciados. A partir de 1943, os filmes rarearam – a indústria queria uma femme fatale que garantisse bilheteria e as produções não emplacavam.

Uma linda e sofrida mulher

♥ Os fracassos na telona se juntaram ao alcoolismo. Em 1962, longe dos holofotes, foi localizada trabalhando como garçonete e convidada quatro anos depois para  – Footsteps in the Snow. Um novo fracasso e desilusão.

♥ O penteado adotado por Veronica Lake era o Peekaboo, que geralmente cobria o lado direito da testa e, no caso dela, costumava ocultar, por vezes, o olho direito

♥ Em 2009, um ano antes de ser demitido da Dior, John Galliano – o eterno enfant terrible da criação francesa, celebrou as divas do cinema dos anos 40 em makes e vestidos. Na coleção spring/summer 2010, desfilada na semana de pret-à-portèr de Paris, as tops se transformaram em musas da telona e Veronica Lake esteve entre elas, nos cabelos ondulados, sobrancelhas arqueadas e bem desenhadas, batom vermelho. Inesquecível (Fotos)

♥ A imagem glamorosa de Veronica Lake ressurgiu em Los Angeles – Cidade Proibida (L.A. Confidential, 1997, de Curtis Hanson), ambientado nos anos 40, com Kim Basinger vivendo a prostituta que seduz os clientes por se parecer com a diva. A atriz ganhou o Oscar de Coadjuvante pelo personagem

♥ Veronika Lake foi uma das quatro atrizes – juntamente com Rita Hayworth, Lauren Bacall e Gene Tierney – a inspirar Jessica Rabbit, a personagem ilustrada mais sexy do cinema, sem contar a icônica pin up Betty Boop.

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As imagens são reproduções de shooting de estúdio e do site doctor macro. No vídeo cena de Sullivan’s Travels, pelo MovieClips

Divando Veronica Lake

 

 

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