Grace Kelly, musa de Hitchcock; linda e inesquecível pela elegância e talento

Beth Barra

Um Oscar em 1955 por Amar é Sofrer (The Country Girl), dois Golden Globes e 11 filmes em cinco anos de carreira, que abandonou em 1955. A atriz do divando da semana do por A mais B manteve sua aura de beleza e elegância, um estilo refinado e discreto, até sua morte em 14 de setembro de 1982, aos 52 anos de idade. O belíssimo vestido azul de seda que ela usou para receber a estatueta foi desenhado pela figurinista Edith Head, numa época em que as maisons já disputavam as divas do cinema hollywoodiano. Na sua vida em Mônaco, as grifes de luxo faziam parte das festas. A ex-atriz norte americana envergou modelos de Yves Saint Laurent, Dior e Givenchy, entre outros criadores renomados em suas aparições oficiais ao lado do príncipe Rainier III.

Grace Kelly Post internoA musa de Alfred Hitchcock (Disque M para Matar, Ladrão de Casaca, Janela Indiscreta), criou um estilo que leva seu próprio nome, assim como a Kelly, bolsa compacta da Hermes, rebatizada pela marca francesa logo que Grace Kelly começou a usar o modelo em passeios e solenidades oficiais. Esse vestir repleto de classe à Grace permanece como inspiração para designers e marcas – seja nos longos diáfanos, de sensualidade velada e romântica, nos modelos cocktail dress de cintura definida e alças delicadas ou tomara-que-caia, ou nas peças day by day. Echarpes, óculos escuros e lenço ocultando os cabelos são referências eternas do estilo único da atriz.

Na vida real ou nos filmes, Grace Kelly construiu a imagem da moça bem nascida. Embora seu pai irlandês fosse milionário, não era de uma família tradicional, indicando que refinamento e elegância não vêm nem do dinheiro, nem do berço nobre. Simplesmente, savoir faire. Antes de se tornar princesa, a linda moça, nascida em 12 de novembro de 1929, a Filadélfia, já era uma referência de estilo, com seu corte de cabelo, make e roupas sendo copiados por toda a América do Norte a partir de seus filmes.

O cinema dos Estados Unidos criou, nos anos 30/40/50, divas e musas que influenciaram o jeito de vestir e de se comportar de várias gerações. Grace Kelly, assim como  Marilyn Monroe, Ava Gardner e atrizes que aportaram na meca hollywoodiana – Audrey Hepburn,  Greta Gabor e Marlene Dietrich, disseminaram sua própria cultura de beleza, elegância e estar no mundo. Dentro e fora das telonas.

Peças de tons claros, muito branco, pérolas, joias para a noite, brincos pequenos (e valiosíssimos), lenços e echarpes, óculos escuros, escarpins com salto de seis centímetros, bolsas compactas (como a grifada Kelly), casaquetos, twin set, saias amplas, vestido coquetel em shape new look (especialmente nos anos 50), ombros à mostra, seda ou tecidos diáfanos e transparências veladas nos vestidos de noite, o contraste do preto e branco.

Nos Estados Unidos, país que inventou o ready to wear, as norte-americanas seguiam o estilo de suas atrizes prediletas. Usavam peças inspiradas nas musas, ou copiadas dos figurinos dos filmes. Essa sinergia entre cinema e moda, acessível às mulheres de classe média, fez prosperar com mais rapidez a indústria do vestuário nos EUA, enquanto, na época, Milão e Paris mantinham a aura de luxo e exclusividade, mesmo no circuito de prêt-à-porter.

Grace Kelly Post 21Fotogênica e linda, Grace Kelly, com seus traços quase angelicais, dominava as câmaras. Sua maquiagem leve e a pele de porcelana eram a tradução da beleza sem máculas. Porém, quem se debruça sobre as fotos da ex-atriz, encontra, também, imagens mais sensuais e lânguidas expressas nos olhos penetrantes e nos lábios com batom vermelho. Essa mistura de anjo e mulher continua irresistível, especialmente em Grace Kelly, com seu porte aristocrático de quem parece já ter nascido princesa. Grace Kelly trabalhou como modelo e estreou na Broadway em 1949. Logo chegaria ao cinema: aos 22 nos, em 1951, participou de Fourteen Hours, de Henry Hathaway. O cinema logo perdeu-se de amor pela bela e talentosa atriz. Com Clark Gable e Ava Gardner fez Mogambo, em 1953 e tornou-se uma das musas de Alfred Hitchcok, em longas como Disque M para Matar e Janela Indiscreta, ambos de 54.

Migrou da vida de atriz para a de princesa em 1955, ao conhecer o príncipe Rainner, quando participou do Festival de Cannes. Deixou o cinema e após o casamento, em 18 de abril de 1956, foi viver em Mônaco assumindo as funções de princesa com a graça que a tornaram célebre. Sua biografia no principado é cercada de controversas sobre crises de melancolia, os ciúmes do marido, a saudade dos tempos do cinema, possíveis hostilidades por sua origem plebeia. Mas sua imagem de beleza, talento e requinte sobrevive às lendas e intrigas acima da vida pessoal. Com o príncipe Rainier III, que morreu em 6 de abril de 2005, teve três filhos – Caroline (1957), Albert (1958) e Stephanie (1965), que, muitas vezes, na juventude, fugiram à discrição da mãe – a eterna princesa.

 

NO ESCURINHO DA TELINHA

Matar ou Morrer (High Noon, 1952) – De Fred Zinnemann, com Grace Kelly, Gary Cooper, Llud Bridges

Mogambo (Mogambo, 1953) – De John Ford, com Grace Kelly, Ava Gardner e Clark Gable. A atroz ganhou um Globo de Ouro e sua primeira indicação ao Oscar

Amar é Sofrer (The Country Girl, 1954, Oscar de Melhor Atriz) – De George Seaton, com Grace Kelly, Bing Crosby, William Holden

Disque M Para Matar (Dial M for Murder, 1954) – De Alfred Hitchcock, com Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings.

Janela Indiscreta (Rear Window, 1954) – De Alfred Hitchcock, com Grace Kelly, James Stewart e Thelma Ritter

As Pontes do Toko-Ri (The Bridges at Toko – Ri, 1954) – De Mark Robson, com Grace Kelly, William Holden e Mickey Rooney

Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955) – De Alfred Hitchcock, com Grace Kelly e Cary Grant

O Cisne (The Swan, 1956, ano de lançamento) – De Charles Vidor, com Grace Kelly, Louis Jourdan e Alec Guiness

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Divando Grace Kelly
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