Lauren Bacall, a história de uma mulher bela, talentosa e ícone eterno de estilo

 

Beth Barra

Uma das últimas grandes atrizes do cinemão americano, Lauren Bacall (16/09/1924 – 12/08/2014) morreu aos 89 anos, sempre celebrada como uma das mais belas, sensuais e talentosas de sua geração. Apesar da cinebiografia com filmes memoráveis, ganhou apenas um Oscar de Coadjuvante, em 1997, por “O Espelho Tem Duas Faces”, dirigido e protagonizado por Barbra Streisand. E, em 2009, a estatueta honorária pelo conjunto de seu trabalho. A estreia na telona foi em “Uma Aventura na Martinica (To Have And Have Not, de Howard Hawks, 1944), longa adaptado de um conto de Ernest Hemingway e uma das obras-primas das quais participou.

A atriz do divando da semana do Por A mais B queria ser bailarina, mas foi o cinema que celebrizou Betty Joan Perske, seu nome de batismo. Olhos intensos e verdes, 1,74 de altura, dona de uma beleza personalíssima, Lauren Bacall trabalhava como modelo e foi capa da Harper’s Bazaar, descoberta pela jornalista e editora-chefe Diana Vreeland. Sua foto em uma das mais importantes revistas de moda norte-americana a levou aos sets de filmagem – já tinha estreado na Broadway, em 1942, com “Johnny Two By Four”. A mulher de Howard Hawks ficou impressionada pela beleza nada angelical da jovem e convenceu o diretor a lhe dar o papel de Marie Browning em “Uma Aventura na Martinica”.

O sucesso desse primeiro filme vem do roteiro impecável, do talento do diretor e da química irresistível entre Bacall e Bogart. Dentro e fora das telas – ele ainda era casado quando se conheceram, mas em 1945 oficializaram o romance – – certamente, o ator foi o grande
amor de sua vida. Com o marido, fez outros trabalhos memoráveis – um dos mais notáveis é Paixões em Fúria (Key Largo, 1948), de John Huston.

Apesar do título para o cinema brasileiro ser inadequado a uma história claustrofóbica, ambientada quase o tempo todo dento de um hotel, invadido por um gângster (Edward G. Robinson) e seus comparsas, Huston – em seu último trabalho para a Warner – fez de Bogart um personagem honesto, misterioso e valente; enquanto Lauren Bacall, a viúva Nora Temple, vai se apaixonando pelo melhor amigo do ex-marido.

Classe, beleza, sensualidadeLauren Bacall Edita (2)

Uma grande atriz e um ícone de estilo. As roupas, o cabelo, a maquiagem, o andar e até a voz rouca, de timbre sensual, eram admirados por mulheres de todo o mundo. Lauren Bacall foi uma mulher elegante – dentro de dress glamourosos assinados por Yves Saint Laurent, Emanuel Ungaro, Pierre Cardin – alguns de seus estilistas preferidos, ou no despojamento de calça em alfaiataria, camisa branca, saia lápis. Até o final da vida, ela guardou essa chama de sofisticação. Bacall personificou o effortless chic – exatamente o chique sem esforço, geralmente uma primazia das francesas. Usava peças no dia a dia, que realçavam o corpo bem feito e a altura – calças e shorts de cintura alta, saias em modelo lápis ou ligeiramente amplas, twin sets, camisas em shape masculino. Os vestidos passeavam do preto, realçando o colo, ao xadrez. Tudo ficava bem na atriz, que exalava savoir-faire no vestir e nas atitudes naturalmente. Em março desse ano, uma exposição no Fashion Institute of Technology, em Nova York, rendeu homenagens a seu estilo. Lauren Bacall: The Look reuniu 12 modelos, dos 700 cedidos por ela ao  instituto, entre 1968 e 1986.

#poramaisb – beth.poramaisb@gmail.com

 

Divando Lauren Bacall

 

 

 

Categoria: Divando