Gualter Naves, fotógrafo convidado: catarse, talento e superação em 30 anos de carreira

Por A mais B, Gualter Naves, Fotógrafo Convidado: “Quando descobrimos o caminho, aquilo que une talento e prazer, ninguém segura”

Maria Teresa Leal (*)

Nunca, em seus trinta anos de carreira – completados este ano – o fotógrafo mineiro Gualter Naves esteve tão produtivo. Além dos trabalhos jornalísticos para revistas e agências de notícias nacionais e internacionais, anda às voltas com projetos autorais. Coincidência? Não, maturidade. Como quase todo mundo, passou muito tempo canalizando energia para coisas que não tinham a ver com ele. “Sempre fui questionador e inquieto. Mas quando descobrimos o caminho, aquilo que une talento e prazer, ninguém segura”, conclui.

O rumo certo veio quando ele passou a dedicar-se com mais afinco à chamada fine art e, claro, a colher os resultados na forma de prêmios e convites. “Era o que eu já fazia há uns vinte anos, só que não tinha esse nome, nem o reconhecimento que tem hoje”. Naves mantém-se atento a tudo que possa render uma boa imagem e fotografa o tempo todo. “A foto me acha. Sou focado, quase obsessivo. Fotografia, pra mim, é uma religião, uma forma de catarse e superação”.

Projetos

Um dos projetos em andamento é “Biomas”, por meio do qual o fotógrafo planeja registrar os oito biomas brasileiros, sendo sete terrestres e um marinho. “Vamos começar pela Serra do Rola Moça, que representa a transição entre Mata Atlântica e Cerrado. A perspectiva é que, pelo menos, dois anos sejam consumidos na empreitada, que depende de captação de recursos via Leis de Incentivo à Cultura.

Naves vai contar apenas com a participação de Heitor Muinhos, do Estúdio Art Moulin, profissional licenciado pela Hahnemuhle, fábrica de papel alemã. “Faço questão desta parceria,  porque acredito que um trabalho cuidadoso pós-fotografia faz toda a diferença”, diz.

Outra ideia é registrar a natureza em seu entorno. Naves propõe reforçar, na prática, o consenso entre os fotógrafos de que não é preciso ir muito longe para se conseguir belas imagens. “Me inspirei em Guimarães Rosa, que falava muito do que estava próximo dele e também em Rubem Alves, que dizia: Só vê beleza, quem tem beleza dentro”. Naves tem conseguido resultados surpreendentes como o de uma quaresmeira, em frente à janela do seu apartamento, e a do tronco de uma Melaleuca, no mesmo bairro. A coletânea deve render livro e mostra.

O terceiro projeto ainda é segredo. O fotógrafo revela apenas ter como foco a incrível trajetória de uma pessoa que conseguiu sair do crime, deu a volta por cima e hoje é exemplo de superação no Aglomerado da Serra, em BH.

Revolta e melancolia

Além de beleza e emoção, as imagens de Gualter Naves carregam certa tristeza. Ele diz que a melancolia é fruto de sua indignação com as desigualdades do país. “Qual é a chance que um menino que nasce na favela e estuda numa escola pública tem na disputa com outra criança da zona sul, que estuda na melhor escola e tem os melhores estímulos e oportunidades?”, questiona.

Trajetória

Gulater Naves formou-se em Publicidade em 1982, e em Psicologia em 2001. O primeiro emprego foi numa empresa que agregava  agência de propaganda e estúdio de fotografia. Ele assumiu o cargo de redator, mas com o fim das atividades na publicidade, ofereceram a ele a vaga de laboratorista. Era o acaso dando sua “mãozinha”. Trabalhando ao lado do renomado fotógrafo Rogério Franco, Gualter  interessou-se cada vez mais pelo ofício. Sem dinheiro para comprar um equipamento profissional, se virava como podia: pegava emprestado ou usava câmeras simples para ‘treinar’ o olhar.

Dez anos depois, foi contratado pelo  Hoje em Dia como repórter fotográfico. A experiência no jornal diário foi a “melhor faculdade”. Depois de seis anos no HD, aceitou convite do Estado de Minas, onde ficou por sete anos e, posteriormente, dois anos e meio em O Tempo. “Foi uma época bacana de muita aprendizagem, viagens e experiências inusitadas. Mas também sofrida, po ter que lidar com situações pesadas como crimes bárbaros, injustiças e tragédias. Sou mais feliz hoje”. Há 15 anos ele integra a agência Light Press, ao lado do fotógrafo Washington Alves. Com a boa reputação da dupla, chega a trabalhar 12 horas por dia, cobrindo de futebol, a notícias factuais da política e tragédias como a de Barragem do Fundão em Mariana.   A partir desse mês, os trabalhos de Gualter Naves integram a Urban Arts, galeria de arte digital, também com espaços físicos em várias cidades brasileiras. Em Belo Horizonte, fica na rua Sergipe, 1171, Savassi.

 

 

Referências
“Cartier Bresson, considerado o “pai do fotojornalismo” e o mineiro Sebatião Salgado. Naves também cita o gaúcho Antônio Gaudério e seu primeiro “professor” Rogério Franco.

 

Antiestresse
Para relaxar, Gualter Naves pratica yoga, meditação, natação e caminhadas. Também preza o contato com a natureza. É pai de Clara, de 21 anos.

 

Por A mais B, Gualter Naves, fotógrafo convidado: Detalhe da cúpula do Colégio Arnaldo, bairro Funcionários, BH
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Prêmios e exposições

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Prêmio da revista francesa Photo

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Imagem selecionada ‘entre as melhores’ pelo Concurso Mercosul 2015

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Em novembro do ano passado, foi laureado pelo concurso do Centro Europeu, com sede em Curitiba.

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Fotos selecionadas em 2014 e 2015 no concurso mundial de fotografia HIPA em Dubai.

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1º lugar geral no concurso Carnaval 2013 BH /BELOTUR.

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1º lugar cor e 1º lugar PeB Concurso Fotografe Varginha 1987

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3º lugar no Concurso Mineiridade da PUC Minas em 1982

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Exposição no restaurante Mandala em 2007

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Exposição no Museu da Vale em 2014

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Exposicão no BDMG Cultural em 2015

 

 

(*) A jornalista Maria Teresa Leal é colaboradora ‘hot people’ do Por A mais B

 

#poramais – Gualter Naves, Convidado
press.poramaisb@gmail.com