A designer Maíra Paiva, suas joias personalizadas e seu acervo para noivas

Anna Foureaux

A designer Maíra Paiva, 34 anos, nos recebe com todo carinho. Abre seu home office, os arquivos no computador e o acervo de joias para mostrar um pouco mais do seu trabalho e de sua história. Fala sobre a importância do equilíbrio, em meio ao leve choro da Manuela, sua filha recém-nascida. Quando pergunto quem é Maíra Paiva, brinca, pensa e se define como uma pessoa criativa em eterna busca pela perfeição. Usa uma metáfora: “somos como uma pedra preciosa bruta, linda em sua essência, mas que pode ainda ter suas qualidades e características aperfeiçoadas e valorizadas com o polimento e a lapidação”.

home office

“O estado de Minas Gerais tem vocação joalheira até no nome”  (Foto: Rodrigo Costa)

Da infância no interior ainda mantém a simplicidade no olhar calmo e atento, mas Maíra é uma mulher forte e decidida, que não tem receio de dizer das suas dúvidas. Orgulha-se de influenciar positivamente seus alunos, da sua família e do seu lugar no mundo.

laço

Depois de um pedido de casamento inusitado, com a caixa de joias vazia, Patrick  Braz fez questão de que a noiva desenhasse a própria aliança. E, assim, não há como duvidar: “Meu marido é meu maior incentivador”, diz ela. Quando as alianças são colocadas juntas elas remetem à um laço e para o anel a opção foi trabalhar um diamante no formato quadrado.

Maíra é uma premiada designer de produtos, graduada pela UEMG, mestre em Engenharia de Materiais pela REDEMAT – UFOP|UEMG|CETEC. Estudou ourivesaria na Escola Mineira de Joalheria, professora universitária, empresária, herdou a paixão por joias da mãe.  Há cinco anos se dedica à produção de joias personalizadas e há 3 desenvolve também peças voltadas para noivas.

Para ela, a importância dos prêmios que ganhou está ligada à visibilidade que eles dão a seu trabalho. Por isso, sempre incentiva seus alunos a fazerem projetos engajados com os concursos. Um dos prêmios da designer é esse belíssimo colar (foto), vencedor do XV Prêmio IBGM de Design de Joias 2010, na Categoria Lapidação Diferenciada. Veja outros prêmios no site de Maíra!

Sobre seu processo criativo, ela explica que pode ser uma cocriação, uma criação colaborativa, quando o cliente já vem com um desenho ou uma ideia do que quer, e ela trabalha a partir deste projeto inicial; pode ser uma criação, quando  usa a história do cliente, uma data comemorativa, ou representação de algo-alguém como inspiração, mas cria a partir do zero. Ou uma releitura, uma peça inspirada em outra que já existe como pedido do cliente. Maíra deixa claro que não faz cópias. O valor simbólico, segundo ela, é o que chama a atenção quando se trata de joias exclusivas. O processo de criação é individualizado, o que garante uma peça única.

O material utilizado é sempre de boa qualidade e de fornecedores reconhecidos. A escolha do que será utilizado depende do projeto, da viabilidade e relação custo benefício. Nossa entrevistada tem conhecimento e habilidade, é capaz de produzir a joia em todas as suas etapas. Porém, por algumas questões, como os maquinários, ela tem parceiros que a ajudam nesta tarefa.

Para as noivas ela possui um acervo de belíssimas tiaras e brincos para aluguel ou pode ainda, criar uma peça diferenciada o que funciona tanto para compra quanto para primeiro aluguel.

Editorial Noivas

 

Na pauta da entrevista, a influência da moda no mercado joalheiro. Maíra afirma que a joia era vista, historicamente, como algo permanente, passando de geração a geração. “Dessa forma, o setor não acompanhou o mesmo crescimento da indústria da moda”, disse. Além disso, o boom das peças banhadas a ouro, que acompanhou o desenvolvimento do designer da ourivesaria, com um custo menor, somado a uma insegurança e violência social, frearam esse crescimento. A designer explica que semijoia é um termo incorreto para esse tipo de peça. “Ou é joia ou não é”.

Mas Maíra vê também um movimento a favor da moda, como as coleções criadas por grandes marcas, como a H. Stern. A joalheria tem agregado temas inseridos no cenário cultural, como filmes, e convidado personalidades ligadas à moda, arte e design, como os Irmãos Campana.

O aumento das paletas de cores e os novos materiais podem recuperar o tempo perdido, o que possibilita coleções com design contemporâneo. Para ela, a moda e a joia não são futilidades, fazem parte de um fenômeno comportamental. “Joia é um documento histórico; é importante trazer o belo para a vida das pessoas”, diz.

Para o futuro, a designer acredita em uma mudança de paradigmas, dando mais valor aos materiais sintéticos por questões de viabilidade, sustentabilidade e a diminuição drástica das reservas minerais. Em relação ao processo produtivo, Maíra vê duas mudanças significativas –  o uso da tecnologia, como novos softwares e maquinário, e os novos materiais.

A designer Maíra Paiva é uma dessas pessoas que alegra e motiva as outras. Ela não tem receio de compartilhar conhecimento, e não quer a evolução apenas para ela. Quem sabe, com mais pessoas como a mamãe Maíra no mundo, a pequena Manu possa encontrar mais beleza na vida.
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joias maira paiva

Criações autorais e releituras personalizadas no acervo criativo, que inclui belíssimas peças e joias para noivas 

 

 

Fotos: Material de divulgação e pessoal cedido pela entrevistada

Créditos Editorial Noivas: Fotos: C’est la Vie Fotografia @clvfotografia Acessórios: Maíra Paiva Design @mairapaivajoias Make and Hair: Bárbara Rabelo @barbararabelo_ Vestido: Ana França Noivas @anafrancanoivas Modelos: Gabi Arantes e Ana Flávia Motta

#poramaisb – anna.poramaisb@gmail.com

Categoria: Décor/Design, Gente