A consultora Marcia Crivorot conversa sobre moda com o Por A mais B; direto de NY

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Por A mais B: Silva Scigliano e Marcia Crivorot trazem workshop de tendências e comportamentos de consumo à Belo Horizonte

Anna Foureaux

A consultoria Crivorot & Scigliano traz à Belo Horizonte um workshop que analisa os atuais comportamentos de consumo. O evento que acontece no dia 24 de maio foi criado pela Consultora de Tendência Silva Scigliano e pela Personal Stylist Marcia Crivorot, ambas certificadas pelo FIT – Fashion Institute of Technology.

O curso intensivo aborda a metodologia da análise de tendências baseadas no comportamento atual e tem como objetivo ensinar como surgem as principais tendências, como elas se dissipam e seus ciclos. As consultoras analisam as gerações, as décadas, o conceito de zeitgeist e como os comportamentos estão ligados a questões culturais e políticas do país.

Com duração de 4 horas, o seminário é voltado para quem estuda ou trabalha com moda, consultores de imagem, stylists, produtores, lojistas, estilistas, buyers, estudantes e qualquer pessoa interessada no assunto ou que trabalhe com consumo.

Além de consultorias diversas a dupla oferece ainda o curso de Personal Shopping e o Nova York Fashion Tour; um programa de experiência de moda que acontece paralelamente à NY Fashion Week. Para saber mais acesse o site:  Crivorot & Scigliano.

O Por A mais B conversou com Marcia via e-mail. A especialista, também com formação em Consultoria de Imagem no Brasil, é carioca, mas atualmente mora em Nova York. Ela está a frente da consultoria Crivorot & Scigliano, juntamente com Silva Scigliano.

 

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Por A mais B: A Consultora e Personal Stylist Marcia Crivorot conversa com o Por A mais B sobre as tendências; direto de NY – Nova York Fashion Tour – Foto Divulgação

Confira a entrevista:
Porque Nova York continua sendo referência em comportamento e pesquisa de moda por tantos anos? No Brasil vocês identificam alguma cidade com potencial para exercer esta função?

Nós adoramos uma frase do estilista John Varvatos: “Nova York é uma cidade de rebeldia. Não há uniformes, não se quer seguir o que os outros estão usando – aqui cada um cria a sua própria identidade através do estilo”. Isso quer dizer que o novaiorquino se sente muito livre para usar o que quiser, independentemente do que está na moda. Eu sempre digo que não tem um dia que não veja alguma coisa nova nas ruas, seja um look fabuloso, seja uma maneira diferente de usar o cabelo. Fora isso, temos marcas do mundo inteiro aqui, por isso tudo a cidade continua sendo referência para pesquisa de moda e comportamento, uma grande fonte de inspiração para nossos cursos e workshops também. São Paulo seria a cidade brasileira que mais se assemelha a NY, com mais diversidade, e, portanto, a com mais potencial para pesquisa.

Quais tendências poderiam apontar e apostar para o mercado Brasileiro?

Para observarmos e pesquisarmos as tendências, sempre relacionamos o que vimos nos desfiles com o que estamos vendo nas lojas, o que as pessoas usam nas ruas e até o que sobra na liquidação. Nessa coleção Resort e primavera que está começando a chegar às lojas, estamos vendo muita cor pastel, looks monocromáticos (por exemplo, blusa e saia azul de tons iguais ou diferentes), sapatos brancos, saltos mais baixos, muita mule.

Os vestidos estão mais cobertos e menos sexy, mas a cintura em geral é marcada. Nada disso é totalmente novo e já vem há algumas estações, mas é nessa tendência mais duradoura, que reflete o comportamento atual, que nós baseamos o nosso trabalho. Para o outono, a mini saia que já vinha aparecendo timidamente, deve ter presença mais forte.

De tudo isso, as cores pasteis é o que menos atrai as brasileiras. Mas essas cores ficam lindas em doses menores combinadas com cores mais fortes. Os vestidos menos sexy – fechados até o pescoço ou com mangas podem ter transparência e fendas e agradar mais ao mercado brasileiro. De qualquer maneira, sempre digo que existe demanda para vestidos modernos com mangas e isso era difícil de conseguir, agora não é mais.

Hoje como avaliam o mercado mineiro?

Acompanhamos o sucesso do Minas Trend, algumas marcas mineiras e o lindo trabalho manual e de tricot que tem no estado. Sabemos que a mulher mineira é vaidosa e ligada à moda. Por isso foi uma das cidades escolhidas para levarmos nosso Workshop de Tendências nesse 24 de maio.

Há de fato um movimento pela diversidade na moda e nas passarelas, pesos e medidas, ou trata-se de um marketing passageiro?

Algumas marcas perceberam que podem conversar mais com seus clientes se usam mais diversidade, seja na passarela, nas fotos ou nas redes sociais. Acredito que quando é genuíno, se tem resultados sim. Muitas marcas aqui em Nova York estão fazendo isso, por exemplo: mostram a roupa na loja online em uma modelo e também mostram em uma mulher que tem relevância em outros aspectos, seja uma ativista, uma artista ou um atleta.

Uma loja de lingerie está usando fotos de jovens que não tem corpos perfeitos na sua vitrine, ao invés de modelos maravilhosas de corpos esculturais que outras marcas usam. É muito importante as jovens verem essas fotos mais reais, e o resultado disso tem aparecido nas vendas.

Como surgiu a profissão de Personal Shopping e de que forma este serviço pode ganhar públicos menos elitizados?

Na verdade, o serviço de Personal Shopping sempre existiu dentro do trabalho de Consultoria de Imagem ou Personal Styling, o nome que se usa mais em Nova York. Quando identificamos que a cliente poderia adicionar algumas peças a seu guarda-roupa e multiplicar o que ela já tem, esse serviço é oferecido.

O Personal Shopping também pode ser feito quando o/a cliente precisa de roupa para uma ocasião especial ou em diversos momentos da sua vida onde ele(a) precisa mudar um pouco o que já tem no armário: por exemplo quando muda de emprego, volta ao mercado de trabalho após ter filhos, se muda para uma cidade com clima completamente diferente, etc. Também quando muda a estação, podemos orientar a compra de poucos itens que vão trazer atualização so guarda-roupa sem gastos excessivos.

Ao contrário do que se pensa, é um serviço que cada vez mais vai deixar de ser elitizado. As pessoas estão sem tempo e no final acaba sendo mais econômico, evitando arrependimento de compras erradas. O mesmo acontece em viagem, mesmo com o câmbio não favorável, ainda vale a pena fazer algumas compras numa viagem a Nova York, mas a cidade oferece tantas opções, são tantas marcas e lojas novas que um Personal shopper com experiência na cidade, pode orientar bem a cliente onde comprar bem, de acordo com seu orçamento, estilo e lifestyle.

#poramaisb – anna.poramaisb@gmail.com

consultora_de_tendência_silva_scigliano“Nosso workshop ensina a analisar os desfiles das últimas temporadas, nos veículos de comunicação e nas ruas. Fazemos exercícios para que os participantes treinem o olhar e percebam as tendências locais” afirma Silvia Scigliano.

marcia_crivorot_consultora“Ter informação e saber o que está acontecendo no mundo em termos de comportamento de consumo e tendências de moda, se torna um grande diferencial, principalmente em momentos de mudanças” completa Marcia Crivorot.