A modelo plus size Karoline Ribeiro conversa com o Por A mais B sobre beleza, estilo, carreia e família

karol_ribeiro_modelPor A mais B, entrevista: “A beleza independe do seu manequim, quando vc ama e respeita o seu corpo”, diz Karoline Ribeiro – Foto de Filipe Menegoy

Anna Foureaux

“A moda foi feita para ser adequada às mulheres e não o contrário”, diz a modelo Karoline Ribeiro, 26 anos, mineira de Belo Horizonte, graduada em Arquitetura e Urbanismo e mãe do pequeno Davi. Karol, como se identifica nas redes sociais, conquistou o título de Miss MG plus size em 2014 e ainda o 4° lugar no Miss Brasil do mesmo ano. Ela diz que os concursos de beleza deram grande visibilidade ao seu trabalho, mas que o profissionalismo e o esforço para melhorar a cada dia são fundamentais para seguir a carreira. Entre as marcas para as quais trabalhou estão a Xadrez Plus Size, Território Nacional, Cândida Ferreira, OfSina Curves, Belle Carolle, Jes Couture, Elegance All Curves, Kaone, Lunender, Plus Fashion Lingerie e Obbia. Com muitas disponibilidade a simpatia, a bela conversou com o Por A mais B, confira!

Aos meus 16 anos, com manequim 42, fiz um book sem esperanças de ser modelo, porque sabia que para tanto teria que chegar no manequim 36/38. Então, no final de 2013, descobri que existiam modelos plus size, e eu já com manequim 50, comecei a pesquisar a melhor forma de me inserir no mercado. Então, resolvi participar de um concurso de Miss Plus Size, porque assim acreditei que teria maior visibilidade. Em 2014 ganhei o concurso de Miss MG plus size e no Miss Brasil fiquei em 4° lugar. À partir disso, foram surgindo trabalhos e tirei meu DRT para modelar profissionalmente.

Como é a rua rotina? Cuidados de beleza, estética, alimentação e malhação.

Tenho um filho de 1 ano e 1 mês, então manter uma rotina de exercícios tem sido um pouco complicado no momento. Sempre monitoro minhas medidas e meu peso, afinal, como modelo, preciso manter um manequim e ser saudável para conseguir realizar meu trabalho melhor. Procuro evitar carboidratos, comer frutas e legumes, mas não sou radical e tomo muita água. Gosto muito de doces, por isso tento compensar. Não comer um pão, por exemplo, para comer um chocolate mais tarde.

Dica de beleza

Tome muita água e hidrate bem seus cabelos e pele. Sempre digo que o importante em aceitar-se como uma mulher plus size é aprender a se amar independente do seu peso, mas nem por isso, deixar de cuidar de si mesma. No seguinte sentido, não deixe de comer frutas e verduras só porque também come fast foods, nem aceite o sedentarismo total. Faça uma pequena caminhada diária que seja.

Conte um pouco o que você gosta de fazer nas horas vagas?

Gosto de estar com minha família. Com meu filho cada dia é um dia de festa, e poder aproveitar cada minuto do crescimento dele tem sido um privilégio. Além disso, amo viajar, tanto para trabalhar, quanto em férias. 

Sonhos profissionais e pessoais 

Sonho em ter uma carreira internacional e pessoalmente sonho em conseguir criar bem meu filho e ser feliz ao lado do pai dele.

Como é a experiência da maternidade? Você pensa em mais filhos?

A maternidade é um presente. Me trouxe muito mais responsabilidade e me fez ser mais  “pé no chão”, mas não me tirou o sonho de trabalhar no exterior, por exemplo, e nem o de ainda ser uma modelo reconhecida nacional e internacionalmente. Aprendo uma coisa nova a cada dia. Amo ter um filho e acho que terei só um.

Qual o seu estilo pessoal no dia a dia?

Ainda sou muito resistente a roupas curtas, mas gosto muito de vestidos compridos e midi. Gosto de roupas elegantes, calças altas, blusas justas e adoro saltos grossos! Diria que meu estilo é sexy, mas sem vulgaridade. Gosto de acentuar alguns pontos em meu corpo e passar que sou respeitável ao mesmo tempo. 

modelo_karolribeiro copyPor A mais B, entrevista: “A beleza independe do seu manequim, quando vc ama e respeita o seu corpo”, diz Karoline Ribeiro – Fotos de Aline Prado para Jes Plus Culture

Você tem alguma referência profissional inspiradora?

Acho que para a maioria das modelos plus size a maior referência é a Ashley Graham, porque ela consegue mostrar com muita naturalidade o quanto a beleza independe do seu manequim, quando vc ama e respeita o seu corpo. Mas além dela admiro e me inspiro muito na Denise Bidot, na Candice Rufine, Tara Lyn, Nadia Aboulhosn, Iskra, Philomena Kwao. Entre as brasileiras, não posso deixar de citar a Flúvia Lacerda, a Aline Zattar, a Cléo Fernandes, a Muriel Segovia, a Babi Monteiro, entre outras. 

Como você vê o mercado plus size no Brasil?

Tudo o que diz respeito a moda plus size e a aceitação de que a moda foi feita para ser adequada às mulheres e não o contrário, ainda é muito novo no Brasil. Mas felizmente, muitas marcas têm surgido com roupas joviais e grandes marcas, como a Nike, por exemplo, já lançaram coleções voltadas para o público plus size. Acredito que quem é visionário e consegue enxergar um público crescente e carente de opções, passa a incluir o plus size no seu nicho de opções, e aqui tem aumentado o número de marcas que fabricam numeração maior. Vejo isso como um cenário otimista e promissor daqui pra frente.

Dicas para quem quer ser modelo plus size? 

Procure uma agência que seja honesta com vc. Concurso também ajuda, mas agências conseguem te direcionar melhor como modelar de uma forma profissional. Como muito poucas agências brasileiras trabalham efetivamente com modelos plus size, eu diria para procurar em várias e preocupar-se em conhecer seu corpo, seus melhores ângulos e correr atrás de um bom material fotográfico, inicialmente.

O preconceito existe em todas as áreas não e mesmo? Você já foi vítima dele na moda?

O preconceito existe sim, mas muitas vezes, temos mais preconceitos com nós mesmas do que os outros têm, por isso aprendi a me amar e aceitar, para poder trabalhar com minha imagem. Já ocorreu de eu não ser aceita para um trabalho por ter o quadril muito largo. Anos passaram-se e a mesma marca me procurou para trabalhar com ela. Claro que já quis emagrecer muitas vezes. A maioria das mulheres gostaria de emagrecer, nem que seja um pouquinho. E para me adequar a um perfil mais comercial preciso chegar no manequim 44/46, principalmente se for seguir o mercado mineiro, que é mais resistente em usar modelos plus size 48 pra cima, em suas campanhas. Mas não fico obcecada em atingir um manequim, nem me sinto infeliz com meu corpo por vestir 48, apenas me amo o suficiente para ter a consciência que fico mais ativa e saudável um pouco mais magra. 

Você já desfilou em semanas de moda? Sente falta de mais representatividade nas passarelas?

Já desfilei no Fashion Weekend Plus Size, em um evento fechado para lojistas , para a Elegance All Curves, na Fashion Week de Itabirito, em outro evento fechado para lojistas para a Lunender. Gostaria de desfilar no Minas Trend e no SPFW, claro! Ainda falta muita representatividade plus size nesse meio. Mas felizmente algumas modelos, como a Mayara Russi e a Flúvia Lacerda, por exemplo, já desfilaram no FWPS, isso significa que esses eventos estão alterando seus conceitos para se adequar às novas demandas que estão surgindo. 

#poramaisb – anna.poramaisb@gmail.com

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Por A mais B, entrevista: “A beleza independe do seu manequim, quando vc ama e respeita o seu corpo”, diz Karoline Ribeiro – Fotos de Aline Prado para Jes Plus Culture

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