Dos vestidos curtos às mídis, verão Lucas Magalhães reforça poder da estamparia

Técnicas preciosas e criativas de estamparia ganham novos padrões e propostas no verão 2016 de Lucas Magalhães (MW, Fotosite)

Beth Barra

Um verão de estampas contrastantes e silhuetas diversas – dos vestidos curtos e soltinhos às saias e looks mídis. De calças cropped e cintura alta mais barriga levemente à mostra em tops curtos ou exposta com jaquetas e casaquetos abertos sobre bustiês. O verão 2016 de Lucas Magalhães, apresentado na edição verão do Minas Trend (MW), reforça seu talento de mixar tecidos e novas técnicas de estamparia, como o floral digital sobreposto a silk localizado.

O jovem estilista mineiro, que apresentou sua primeira coleção após a entrada para o grupo Nohda, de Patrícia Bonaldi, inspirou-se na liberdade dos beatnicks, a geração de jovens intelectuais que entre os anos 50 e 60 colocou o pé na estrada em uma reação à vida burguesa dos EUA pós-guerra.

Desenhos de tapeçaria estampados sobre neoprene, listras largas, estampas estilizadas, jacquard, tie-dye, tons de azul e laranja, pitadas de preto, efeitos de franjados, laser, mixagem de texturas e de tecidos (brocados, leves, mais pesados) e printing contrastantes nas diversas silhuetas – além dos dress curtinhos ou looks longuetes, os coletes longos (must have da estação), shorts em shape de alfaiataria ou boxer, jaquetas e calças cenoura dão o lifestyle à coleção em clima urbano.

Um verão de looks ora juvenis nos shorts com jaquetas e os vestidos curtos e soltinhos; ora adulto nas saias e dress mídis. Inspiração na Geração Beat com referências setentinhas no tye die dos hippies e silhuetas alongadas.

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Lucas Magalhães, verão 2016 (MW, Fotosite)

 

Jazz, literatura, drogas, amor livre e pé na estrada

A Geração Beat surgiu nos anos 50, nos Estados Unidos, formada por jovens intelectuais – entre eles Allen Ginsberg, William Burroughs e Jack Kerouac, escritor do ontológico On The Road. Jazz, literatura, drogas, amor livre e pé na estrada contra a idolatria da vida suburbana, consumista e materialista do pós-guerra. Os integrantes do movimento eram os beatniks, que se vestiam com roupas baratas, costumavam usar boinas, bolsa pendurada nos ombros, cabelos desalinhados e muito preto. As garotas que os seguiam também optavam pelo preto e se espelhavam em Audrey Hepburn adotando calças justas, twin sets e sapatilhas – um jeito de contestar o salto alto, burguês e emergente para elas, assim como as saias amplas do New Look de Dior. Inquietos e quase marginais, eles manifestavam o desgosto pelo status quo do sucesso, ou da busca dele e defendiam modos alternativos de ser e estar no mundo. A luta era pelo direito de cada indivíduo ser único, sem soluções e revoluções por minuto, o que incluía total liberdade no vestuário.

 

Categoria: Moda e Acessórios