Oito décadas de moda no romântico longa A Incrível História de Adaline

The Age of Adaline anos 70 age 78

Adeline Bowman nos anos 60: franja, cabelo de corte médio e olhos com delineador, o olho gatinho das jovens quase comportadas da década (Divulgação/Diamond Filmes)

Beth Barra

A Incrível História de Adaline (The Age of Adaline, 2014), drama romântico com a bela Blake Lively, é daqueles filmes açucarados e gostosos de assistir em um final de tarde. O diretor Lee Toland Krieger conta a história de Adaline Bowman, que sobrevive a um acidente de carro, aos 29 anos de idade, e atravessa as décadas sem envelhecer, em uma vida solitária, até encontrar, inesperadamente, o amor.

No roteiro original de J. Mills Goodloe e Salvador Paskowitz, Adaline cuida da filha, suscetível ao correr do tempo, às rugas, às doenças, às perdas. Para organizar essa passagem do tempo, que começa com o nascimento da protagonista, em 1908, e vai até 2014, o recurso de um narrador ajuda o público a acompanhar a personagem, sem se perder nas muitas décadas e nos flash backs da história.

O longa de Lee Toland Krieger não tem a intensidade de O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, de David Fincher, 2009), adaptação de um dos contos de F. Scott Fitzgerald, de a Era do Jazz. No filme estrelado por Brad Pitt, o personagem envelhece por toda a infância e aos 80 anos é um bebê, enquanto a certeza da morte é inexorável. Adaline é sonho, fantasia, romance. Não se propõe a ser um filme de relevância histórica, até porque, 80 anos não cabem em 110 minutos. É uma narração sobre o amor – com espaço para os usos e costumes de cada década vivida pela protagonista.

ADALINE SITE NEWO figurino de Adaline Bowman é o segundo protagonista. São as roupas, cabelo, maquiagem e acessórios que ajudam a estabelecer e identificar cada década da vida de Adaline. O guarda-roupa de Angus Strathie reflete com perfeição a sucessão de anos percorridos pela sempre jovem protagonista. A moda, sem glamour e bem próxima ao ready to wear, reflete as várias épocas vividas pela personagem. Um trabalho primoroso de pesquisa para fazer do vestuário uma segunda identidade.

Dos anos 20, mesmo distante da efervescência de Paris, estão os chapéus cloche, as saias mais curtas, silhuetas ocultando curvas, sapatos abotinados, cabelos à la garçonne e a maquiagem, que, a partir de 1925, passou a ser mais rfinada sob a influência da art déco. Ao chegar em 2015, Adaline Bowman (foto à esquerda) adiciona às suas roupas atuais itens vintage, trench coat, decotes, twin set. Peças que representam, também,  sua longa vida – uma mulher com aparência de 29 anos, mas alma repleta de memórias.

Em 1925, quando se casa, o mundo ainda receberia o impacto da queda da bolsa de Nova York (1929), mas ainda sofria as perdas e traumas da primeira grande guerra (1914/1918).  E os anos loucos e escapista logo ficariam para para trás. O vestido de noiva usado por ela é romântico, recatado, antecipando o retorno das saias mais longas – as bainhas desceriam novamente  na virada da década. Nos anos 40, marcados por nova guerra, pelo filme noir e r restrições no consumo – as mulheres adotaram roupas mais utilitárias, embora conservando a feminilidade e um perfume de discreto glamour no colar de pérolas, nos pequenos chapéus, no make caprichado, nas sobrancelhas arqueadas e sensuais , no tailleur delineando as formas e nas meias de nylon ajudando a tornear as pernas – mas se tornariam uma raridade com o avanço do confronto e a escassez de matéria-prima. Todo o esforço e produção seria voltado para o front.

Na década de 50, a feminilidade retorna com os vestidos rodados – Dior lançou o New Look em 1947 e o glamour romântico foi restabelecido na moda. Das mulheres que durante a guerra ocuparam os postos de trabalho masculino nas fábricas, muitas voltaram ao lar doce lar.  Mas foi também nos cinquenta que o rock, Elvis Presley, suéter, jeans e calça cigarrete invadiram o street style – assim como os filme de James Dean e  Marlon Brando influenciaram a nova geração. Especialmente Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955, de Nicholas Ray) e  O Selvagem (The Wild One ,1953, de Laslo Benedek).

Maquiagem e os cortes de cabelo de Adaline são referências precisas de cada década vivida pela personagem – nos 60, época de revoluções de costumes, da pílula, do início da liberação sexual, ela surge de franja espessa e delineador, o delicioso make gatinha que vive um caso de amor com a moda. As madeixas onduladas, ligeiramente volumosas e mais curtas remetem às divas dos cinemão dos anos 40, estrelas de cinema que eram copiadas em todo o mundo.

Nos seventies, com seu caldeirão de referências estéticas e comportamentais, entre o flower power dos hippies e o glam das discotecas, Adaline adota botas de cano alto e  a praticidade dos pulls com gola rolê. O verde oliva e os casacos de shape militar surgem na década de 80, quando o vestuário foi marcado pelo exagero das ombreiras, mas também pela adoção de peças masculinas no guarda-roupa feminino. Detalhe fashion do filme é o vestido dourado Gucci, confeccionado para a personagem – Blake Lively é garota-propaganda da grife.

Foi na década de 90 que o consumidor começaram a se apropriar da moda, criando seu próprio estilo. O fenômeno street obrigou marcas e estilistas, dos magazines às maisons, a olharem para as ruas. O figurino de Adaline já revela novas identidades visuais e mais liberdade na indumentária, nos vestidos, casaquinhos, calças e no dres ladylike evidenciando as formas.

Todo o figurino, maquiagem e os vários penteados adotados pela personagem remetem à elegância. Interessante é que mesmo com a inserção de peças representando cada década, Adaline usa sempre algum item do passado. Esses vintagens no looks revelam que se trata de uma jovem mulher de alma antiga, nascida em 1908. O clima retro adicionado ao guarda roupa de 2014 arremata, brilhantemente, o trabalho de transformar o vestuário em um personagem, que também conta histórias.

 

A Incrível ADALINE SITE (3)História de Adaline

(The Age of Adaline, 2014)
Direção de Lee Toland Krieger.
Com Blake Lively, Michiel Huisman, Harrison Ford, Elle Bursty.
História original e roteiro de
J. Mills Goodloe e Salvador Paskowitz.
Figurino de Angus Strathie.
Distribuição: Diamond Filmes
Confira no blog Escurinho no Cinena,
da jornalista Maristela Bretas,
a resenha sobre o filme
da jornalista, cronista e crítica de
cinema, Mirtes Helena Scalioni

 

#poramaisb – beth.poramaisb@gmail.com

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Cenas de The Age of Adaline: o casamento da protagonista, em 1925; Adaline nos anos 50, em looks de saia rodada; na década de 40, em imagem que figurino que evoca o cinema noir; nos anos 20 a graça do chapéu cloche e novamente nos românticos primeiros anos da década de 50 (Fotos/Divulgação? Diamond Filmes)

ADALINE SITE (10) VALE Cenas de The Age of Adaline: o figurino do filme e uma referência em elegância e remete aos usos e costumes do correr das décadas, Blake Lively como Adaline nos anos 70 nas três imagens maiores, com peças emblemáticas do período,  casaco, pull em gola rolê e usando saia xadrês levemente rodada. Na foto menor, um pouco do glam dos 80 no vestido dourado da Gucci, confeccionado para a personagem

 

 

Categoria: Cult, Moda e Acessórios