A trama por trás dos tecidos

000000aa_ohvivre_trama_fantasma_post3aPor A mais B, Oh Vivre: Daniel Day-Lewis (Reynolds Woodcock) e Vicky Krieps (Alma) em Trama Fantasma; filme ambientado nos anos 50, que ganhou o Oscar 2018 de Figurino, assinado pelo genial Mark Bridges (Universal)

Beth Barra

Givenchy, Balmain, Dior, Balenciaga, Charles James foram alguns mestres que inspiraram o figurino de Mark Bridges para Trama Fantasma (Phantom Thread), que levou o merecido Oscar 2018 na noite de 4 de março, na 90ª entrega de prêmios da academia. O primeiro longa britânico de Paul Thomas Anderson, ambientado na Londres dos anos 50, marca a despedida de Daniel Day-Lewis das telonas como o estilista Reynolds Woodcock, dono da casa de costura que leva seu nome – um homem temperamental, requintado, manipulador e seu relacionamento com Alma (Vicky Krieps). Quando conhece a bela garçonete o couturière inicia uma relação conturbada com sua nova musa nessa trama que poderia ser uma história de amor, mas explora emoções e sentimentos como ódio, posse, carência, ciúme, inveja, desejo.

O requintado figurino assinado por Mark Bridges, que levou a estatueta em 2012 por O Artista, surge como um personagem de Trama Fantasma. O designer, mais do que criar roupas luxuosas inspiradas na década de 50, inseriu cada peça à trama. Suas pesquisas incluíram o acervo do Victoria & Albert Museum com acesso a arquivos de maisons como a Balmain e Balenciaga.

Da escolha das cores aos tecidos, muitos deles originais da época, o figurinista leva o público para o ateliê de Woodcock – onde o costureiro interpretado por Daniel Day-Lewis (indicado a Melhor Ator) cria os vestidos mais desejados de Londres. As cenas em que ele ajusta, tira medidas e modela uma roupa no corpo revelam o cotidiano do estilista perfeccionista, rico o suficiente para transformar a vida de Alma (Vicky Krieps), que não era a primeira e não seria sua última musa.

O luxo das roupas, o porte aristocrático de Reynolds Woodcock, a beleza de Alma e os mistérios da personagem tornam Phantom Thread muito mais do que o filme fashion do momento. Uma trama sobre relacionamentos sombrios e a história de um ateliê de moda são fundidas no filme de Paul Thomas Anderson e a fotografia em 35mm evoca à perfeição os anos 50, distanciando-se da era digital, enquanto a iluminação permite aos mais atentos quase sentir a textura e o peso dos tecidos.

Assim como as interpretações magistrais de Daniel Day-Lewis (Reynolds Woodcock, que perdeu o Oscar 2018 para Gary Oldman e trabalhou com o diretor em Sangue Negro, 2007, levando a estatueta), Vicky Krieps (Alma) e Lesley Manville (Cyril, irmã do estilista, indicada a Atriz Coadjuvante) desnudam a aparente gentileza de pessoas que vivem uma guerra de emoções, revelando o avesso dos tecidos.

000000aa_ohvivre_trama_fantasma_post2Por A mais B, Oh Vivre!: Figurino de Trama Fantasma, assinado por  Mark Bridges, Oscar 2018 da categoria, funde-se ao filme do diretor Paul Thomas Anderson como um personagem na história sobre o estilista Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) e seu relacionamento com Alma (Vicky Krieps) (Fotos – Reproduções)

000000aa_ohvivre_trama_fantasma_post1Por A mais B, Oh Vivre!: Figurino de Trama Fantasma, assinado por  Mark Bridges, Oscar 2018 da categoria, funde-se ao filme do diretor Paul Thomas Anderson como um personagem na história sobre o estilista Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) e seu relacionamento com Alma (Vicky Krieps) (Fotos – Reproduções)

000000aa_ohvivre_trama_fantasma_post4Por A mais B, Oh Vivre!: Figurino de Trama Fantasma, assinado por  Mark Bridges, Oscar 2018 da categoria, funde-se ao filme do diretor Paul Thomas Anderson como um personagem na história sobre o estilista Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) e seu relacionamento com Alma (Vicky Krieps) (Fotos – Reproduções)

000000aa_ohvivre_trama_fantasma_post3Por A mais B, Oh Vivre!: Figurino de Trama Fantasma, assinado por  Mark Bridges, Oscar 2018 da categoria, funde-se ao filme do diretor Paul Thomas Anderson como um personagem na história sobre o estilista Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) e seu relacionamento com Alma (Vicky Krieps) (Fotos – Reproduções)

O Artista; anos 20 e 30 em preto e branco

Mark Bridges foi indicado três vezes ao Oscar de Melhor Figurino e acumula duas estatuetas; a de 2018 por Trem Fantasma, e por O Artista, em 2012. O longa de Michel Hazanavicius, uma homenagem ao antigo cinema norte-americano, todo em preto e branco, e quase todo mudo, foi um desafio para o figurinista – trabalhar roupas coloridas para fotografia em p&b e conseguir um efeito impactante na tela. A trama, ambientada no final dos anos 20, conta a história de George Valentin (Jean Dujardin) – o astro que cai em declínio com o aparecimento das películas faladas – e seu relacionamento com Peppy Miller (Bérénice Bejo), a talentosa e ambiciosa candidata ao estrelato. Chapéus cloche, smokings, cartolas, vestidos melindrosa surgem em cena e trazem os anos loucos para o público no filme francês que se tornou a sensação daquele ano.

#poramaisb – #bethbarra
beth.poramaisb@gmail.com
bethbarramoda@gmail.com

Leia MAIS
Oh! Vivre

000000aa_ohvivre_o_artista_post5Por A mais B, Oh Vivre!: Jean Dujardin e Bérénice Bejo em cenas de O Artista, filme de Michel Hazanavicius, que deu o Oscar de Figurino a Mark Bridges em 2012 (Reproduções)

Os comentários estão desativados.

Categoria: OH! Vivre