Os drapeados de Madame Grès

000000_madame_gres_post_abrePor A mais B, Oh! Vivre: Madame Grès começou a criar seus célebres vestidos drapeados nos anos 30; foram 50 anos de trabalho com suas técnicas inigualáveis em peças esculturais na haute couture (Foto: Reprodução)

000000_madame_gres_post_home3Beth Barra

“Moda, o Século dos Estilistas”, um grande livro de capa vermelha, edição portuguesa da Konemann, por Charlotte Seeling, é um passeio pela história dos grandes criadores, da alta costura, dos usos e costumes, do início do século 20 ano ao final da década de 90. Em suas 656 páginas, duas são dedicadas à Madame Grès, que só passou a usar esse nome em 1942, mas já nos anos trinta, como Alix Grès, criava seus vestidos drapeados, construídos quase sem o uso de tesoura, que encantavam pela beleza, técnica e leveza. Ela começou seguindo os cortes magistrais e em viés de Madeleine Vionnet, mas Germaine Emilie Krebs logo revelou seu talento único em um tempo onde brilhavam Chanel e Elsa Schiaparelli. Os dresses, em jersey de seda, que evocavam vestimentas gregas, eram também obras de arte e esse Oh! Vivre é uma celebração à parisiense nascida em 30 de novembro de 1903, que morreu, então quase esquecida, no dia 24 de novembro de 1993, na mesma França que celebrou seu trabalho. (Ao lado, Madame Grès, em foto de Cecil Beaton – reprodução)

Essa estilista francesa, que sonhava em ser escultora, trocou a  talhadeira por tecidos, linhas e agulhas, transformados por ela em instrumentos de arte. Tornou-se, a dama dos drapeados com seus vestidos deusas assimétricos, pregueados, esculturais.  Técnica e precisão em cada peça levaram Madame Grès a ser reverenciada por décadas e ela tornou-se uma das mestras da alta costura parisiense.

Muitos vestidos eram trabalhados no corpo das próprias modelos. Suas criações foram usadas por nomes como Jacqueline Kennedy, Duquesa de Windsor, Grace de Mônaco e divas cinematográficas – Marlene Dietrich e Greta Garbo, entre elas. Modelagem e caimento eram de perfeição absoluta e esses dresses deusas podem ser usados hoje, esplendorosos. Estão além de silhuetas da moda e pertencem a uma espécie de Olimpo, tal a beleza com que envolvem o corpo. Madame Grès trabalhou por muitos anos até deixar a profissão e desenvolveu outros talentos ao longo do trabalho de estilista em criações como as da década de 60, quando bebeu do futurismo de formas. Sem nunca abrir mão da magia e arte de suas roupas – seus casacos, tailleurs e mantôs timham o mesmo requinte sem excesso de ornamentos dos celebrados vestidos.

000000_madame_gres_post3Madame Grès fez algumas criações para o cinema. Entre elas, o figurino de Ulysses, de Mario Camerini, assinado em dupla com Giulio Coltellacci. Silvana Mangano,  a Penélope do longa, surge belíssima em cena com os vestidos diáfanos e drapeados. O mesmo requinte e perfeição que dedicava a sua alta costura foi levado para a telona, o que a tornou ainda mais celebrada pelas divas do cinema, que usavam suas criações na vida real. (Ao lado, Madame Grès na juventude em seu ateliê – foto: reprodução).

Os drapeados de Madame Grès eram sua assinatura e tornaram-se únicos. Ela inspirou talentos como Givenchy, Azzedine Alaïa,  Alber Elbaz, Yohji Yamamoto, Jean Paul Gaultier; era admirada por Yves Saint Laurent, e estabeleceu conceitos criativos para as gerações de estilistas que a sucederam. Seus vestidos esculturais e fluidos, que vinham de seu talento, perfeccionismo e técnica, ganharam duas grandes exposições após sua morte. Em 2011, ‘Madame Grès, La Couture à L’Oeuvre’ (Madame Grès, a Couture no Trabalho), no Musée Bourdelle , em Paris, que reuniu 80 modelos, fotografias e 100 desenhos. O Mode Museum (Momu), em Antuérpia, Bélgica, realizou também uma mostra da dama dos drapeados entre setembro de 2012 e fevereiro de 2013.

Ela deixou no ar uma fragrância icônica que rompeu o tempo: Cabochard, Grès. O perfume, o primeiro de sua maison, foi lançado em 1959,  criado por Bernard Chant, e pertence ao Olimpo da alta perfumaria. Sua notas foram inspiradas em uma viagem da estilista à Índia – na saída, aldeído, cravo-da-índia, notas frutais, limão, sálvia, artemísia. No coração jasmim, ylang-ylang, rosas, gerânio, raiz de íris. E ao fundo, couro, sândalo, musk, patchouli, âmbar, coco, musgo de carvalho, vetiver, tabaco. Sensual, ultrafeminino e misterioso nas versões Eau De Parfum e Eau de toilette.

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000000_madame_gres_post6Por A mais B, Oh! Vivre: Vestidos deusas de Madame Grès, a parisiense que desenvolveu uma técnica perfeita e única de drapear e preguear seus vestidos haute couture (Fotos: Reprodução)

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