The Couturier

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Por A mais B, Oh! Vivre: O trabalho sublime do escultor de vestidos em ‘Azzedine Alaïa: The Couturier, mostra que começa em 10 de maio no Museu do Design de Londres (Imagem: reprodução London Design Museum)

0000000000_azzedine_alaia_post1bBeth Barra

‘Azzedine Alaïa: The Couturier – London’s’, que será aberta dia 10 de maio no London’s Design Museum, vai além de uma homenagem póstuma ao estilista, que morreu em 18 de novembro último. A exposição começou a ser elaborada ano passado em colaboração com o próprio designer. Ele planejou e escolheu com o curador convidado Mark Wilson as 60 peças representando seus 35 anos de carreira – ‘explorando a paixão e energia pela moda’, como está anotado no texto de apresentação no site do museu londrino. Perfeccionista e apaixonado pelas formas femininas, o tunisiano que chegou a Paris em 1957 lançou sua primeira coleção em 1980, no próprio apartamento, para amigos e fashionistas.

Celebrado pelo domínio de corte, modelagem, uso de técnicas tradicionais de costura e a adoção de avanços tecnológicos para desenvolver suas roupas, o mestre representava, em pleno século 21, o criador autêntico, que muitas vezes esculpia no corpo da modelo um vestido, que só seria considerado pronto quando expressasse a perfeição absoluta ou a síntese entre tecido, silhueta e a beleza feminina.
0000000000_azzedine_alaia_post1d_cole1991Desde sua primeira coleção Azzedine Alaïa foi denominado um escultor de vestidos. Em “Alaia Universo da Moda’, François Baudot sintetiza a importância do designer entre os criadores do século 20 – do surgimento no cenário parisiense na década de 80 ao body  stretch, uma de suas marcas registradas; às técnicas magistrais de corte e as pesquisas de novos materiais.

O mestre Alaïa trabalhava a moda como construção e arquitetura; ora em criações fetichistas e transgressoras em couro; ora em peças modelando e sustentando o corpo ao afinar a cintura e ressaltar os seios. Um criador sublime, nascido em 1940 na  Tunísia, que desembarcou na Paris de 1957, depois de estudar Belas Artes na terra natal.  Inicialmente,  morou na França na casa de um arquiteto – cuidava das crianças e era ajudante de cozinha. Nesse ambiente sofisticado conheceu deusas como Greta Garbo, que terminou vestindo. Depois trabalhou com Yves Saint Laurent, quando colaborou na coleção Mondrian. (Nas fotos, looks da coleção Alaïa Couture de 1991 em clima corpo em evidência na sofisticação da modelagem em criações livres de adornos – imagens: reproduções).

Antes de abrir seu primeiro ateliê, em 1979, trabalhou ainda com Tierry Mugler, quando algumas de sua criações apareceram em um editorial da Elle francesa. A partir daí, e do hoje histórico primeiro desfile em 1980, em seu próprio apartamento, Azzedine Alaïa tornou-se um dos grandes de sua época. A descoberta de novos materiais, entre eles a lycra, ou a adoção de outros, como a viscose, o tornaram um revolucionário entre seus pares.

0000000000_azzedine_alaia_post1cNos anos 80, Azzedine Alaïa lançou ícones que atravessaram o tempo. Além do body que se tornou referência, vieram a legging e o tubinho stretch; os vestidos luxuosos e especialmente sublimes pela ausência de adornos ou estampas. As peças sexy e confortáveis; líricas ou fetichistas (Nas fotos, o stretch trabalhado pelo designer, com Naomi Campbell, musa e uma das tops prediletas e o vestido sexy + sofisticado contornando o corpo em sublime escultura de vestir – Imagens: reproduções).

O universo criativo do estilista vai estar em ‘Azzedine Alaïa: The Couturier – London’s’, de 10 de maio a 7 de outubro, no Museu do Design de Londres, que já disponibilizou à venda online de ingressos.

Adultos pagam 16 euros (cerca de R$ 68,00) para esse passeio e imersão pela ‘arte de vestir’ do designer da Tunísia, nascido em família humilde, que continua referência e inspiração, apesar de ter praticamente passado nas sombras a década de 90.

Admirado por nomes tão diferenciados entre criadores igualmente geniais, como Alber Elbaz e Nicolas Chesquière, foi justamente reverenciado por Marc Jacobs em 2000 –  o estilista norte-americano fez um desfile em  homenagem ao mestre Azzedine Alaïa, quando assinava para a Louis Vuitton.

 

0000000000_azzedine_alaia_the_couturier_post2Por A mais B, Oh! Vivre: O trabalho sublime do escultor de vestidos em ‘Azzedine Alaïa: The Couturier, mostra que começa em 10 de maio no Museu do Design de Londres (Imagem: reprodução London Design Museum)

0000000000_azzedine_alaia_the_couturier_post3Por A mais B, Oh! Vivre: O trabalho sublime do escultor de vestidos em ‘Azzedine Alaïa: The Couturier, mostra que começa em 10 de maio no Museu do Design de Londres (Imagem: reprodução London Design Museum)

 

O retorno da couture; avant garde

 

Em julho de 2017, Azzedine Alaïa fez seu retorno a alta costura, que ele deixou em 2011, no desfile da semana de Paris. Uma coleção que reverenciada pelos principais jornalistas e críticos de moda do mundo – sem tendências para se adequar às expectativas da indústria do luxo. O designer tunisiano sempre trabalhou e criou em seu próprio ritmo – “Minha obsessão é fazer as mulheres bonitas. Quando você cria com isso em mente, as coisas não saem de moda” (“My obsession is to make women beautiful. When you create with that in mind, things can’t go out of fashion)”.

No fall 17/18 couture surgiram silhuetas ajustadas ou vaporosas, comprimentos diversos, o plissado de algumas saias, vestidos sublimes e sensuais em preto, peças trabalhadas com mix de texturas, tecidos como couro, lã, malhas, shearling (pele de carneiro), metalizados, tule, renda, veludo.

Preto, marrom, azul, cinza, vermelho e branco dominaram a última coleção couture lançada por Alaïa. Na passarela parisiense vestidos românticos como o modelo blue de cintura definida e todo trabalhado em mini-babados de renda e detalhes de veludo. Sexy como os longos negros em transparências veladas – uma sensualidade dispensando decotes ou fendas estratosféricas. Urbanos e desejáveis como o sobretudos e jaquetas em couro black; lady + lady nos casacos shearling brancos. Uma coleção totalmente Alaïa na técnica, modelagem, tecidos e nos casacos com referência dos anos 80 de cintura ajustada, na perfeição das minis de couro pregueadas, no uso do jacquard e no jogo de texturas.

Clique na galeriano final da coluna e confira looks inspiradores da última coleção couture de Azzedine Alaïa

#bethbarra – jornalista Beth Barra
beth.poramaisb@gmail.com
bethbarramoda@gmail.com

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Por A mais B, Oh! Vivre: Fall Couture 2017/18 Azzedine Alaïa (1940 - 18/11/2017), um dos gênios de sua geração (Paris - Fotos: Reproduções)
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