O que a gente não faz por amor? Casais revelam como driblam o ‘conflito cinema’

DUPLA SORVETE

Danielle Leite, de 24 anos, e Marcel Henrique Simões, 26: quatro anos de namoro e acordos cinematográficos; já André Debrot e Dinah Vieira dos Santos não conseguiam se concentrar nos filmes no início do namoro

 

Giselle Araujo (*)

“Amar é fazer o que a gente não quer porque quer”. A expressão,  paradoxal, cabe no simples espaço de qualquer momento a dois: quem nunca abriu mão de um desejo para agradar a cara-metade? Seja na hora de definir um programa, escolher um prato ou decidir que filme assistir. E vale o destaque quando o assunto é cinema. Sinal de paixão no ar, o convite para uma sessão pipoca tanto pode marcar o início de uma nova relação, quanto estabelecer um dilema entre dois pombinhos.

Entre os bancários Danielle Leite, de 24 anos, e Marcel Henrique Simões, 26, é ela quem, inicialmente, sugere o filme. Danielle gosta de romance e comédia e o namorado prefere produções mais densas e reflexivas. “Mas avalio a escolha dela e chegamos a um acordo. E posso tentar me interessar por um filme que ela queira ver e não desperte minha atenção inicialmente. Alguma coisa boa vai ter”, pondera Marcel. “Se eu for ver só para agradar acabo dormindo”, brinca Danielle.

Sessão pipoca no conforto de casa também pode trazer surpresas. “Não faz o estilo dela, mas comprei a série Prision Break e a Dani acabou gostando”, conta Marcel. Ele surpreendeu a namorada, no início do relacionamento, ao reagir com emoção a um filme romântico. “Eu dei uma saidinha e, quando voltei, ele estava chorando. Fiquei preocupada e sem reação até ele parar de soluçar. Quando entendi que era por causa do filme (Para sempre ao seu lado), fiquei curiosa para saber se era tão emocionante assim. E desabei também”, recorda Danielle.

Em geral, os homens torcem o nariz para comédias românticas, as queridinhas de muitas mulheres. Elas já não gostam muito dos longas de ação ou terror. Claro, têm os cinéfilos de carteirinha, casais do tipo que adoram conferir produções off circuitão, acompanham notícias dos principais (e menos comerciais) festivais do mundo e não experimentam o tal conflito cinema. Porém, quando a sessão marca o ritual de iniciação para um futuro romance, o gênero, às vezes, não passa de detalhe.

“A intenção era ver o filme, mas, nos nossos primeiros encontros no cinema, a gente só conseguia se concentrar um no outro”, revela a contadora Dinah Vieira dos Santos, namorada de André Debrot, especialista em licitação. “Agora a gente até consegue se concentrar mais na história. Achamos fraca uma das últimas produções que assistimos, mas conseguimos ver quase tudo”, diz André, despertando risos.

O Oscar a dois  vai para Martin Scorsese

Levando em conta a aprovação do casal, sem divergências, A invenção de Hugo Cabret, do diretor Martin Scorsese, fica com o Oscar do cinema a dois para Marcel e Danielle, juntos há quatro anos. “Nós dois gostamos muito desse filme”, diz Marcel. Ele procura ir ao cinema com a namorada pelo menos uma vez por mês. “Quando tem algum filme que nos interessa em cartaz”, enfatiza.

MEMORÁVEIS, DIVERTIDOS, EMOCIONANTES

Pode ser divertido e revelador entrar no universo cinematográfico que atrai a cara-metade. Abaixo, quatro títulos, entre eles os memoráveis Casablanca e Annie Hall, para  assistir juntinho – sem preguiça de nenhum dos lados. Afinal, o que é que a gente não faz por amor?

 

Casablanca Tres Tres1

Casablanca – Durante a Segunda Guerra Mundial, vítimas do nazismo tentavam fugir pela cidade de Casablanca, no Marrocos, Norte da África. O exilado americano Rick Blaine (Humphrey Bogart) encontrou lá seu refúgio, comandando uma das principais casas noturnas da região. Clandestinamente, pensando despistar o Capitão Renault (Claude Rains, em interpretação memorável), ele ajuda refugiados para que eles embarquem para os Estados Unidos. Quando um casal pede sua ajuda, ele reencontra seu grande amor do passado, a bela Ilsa (Ingrid Bergman). A história é complicada, mas o flashback remetendo a Paris sobre a história de Rick e Ilsa, antes da guerra, quebra com segurança e sutilmente as regras do roteiro. Inesquecível, neste longa que se tornou cult: o encontro dos ex-amantes no café cassino ao som de As Times Goe By. Direção: Michael Curtiz, EUA, 1942. (Foto/Divulgação)

 

annie tres tres

Noivo neurótico, noiva nervosa (Annie Hall) – Alvy Singer (Woody Allen), um humorista judeu, divorciado, obstinado por sexo, que faz análise há 15 anos, acaba se apaixonando por Annie Hall (Diane Keaton, Oscar de Melhor Atriz), uma cantora em início de carreira com uma cabeça um pouco complicada, muita personalidade e diálogos com Alvy que chegaram a se tornar cotidianos na época. Em um curto espaço de tempo eles estão morando juntos, mas depois de um certo período, crises conjugais começam a se fazer sentir entre os dois. O filme marca a passagem de Allen das comédias pastelão para o humor ácido e provocativo. Direção: Woody Allen, EUA, 1977.  (Foto/Divulgação)

 

Crazy Tres

Amor a toda prova (Crazy Stupid Love) – Cal Weaver (Steve Carell) tem quarenta e poucos anos e leva  uma vida aparentemente perfeita, com um bom emprego, filhos e um casamento com a namorada do colégio, Emily (Julianne Moore, ganhadora do Oscar 2015 pelo belíssimo trabalho em Still Alice). Ao descobrir que Emily o está traindo e quer o divórcio, sua vida desaba . Ele passa a frequentar bares e a ter aulas para conquistar mulheres, mas , forçado a voltar ao mundo dos solteiros, e enfrentar as dificuldades habituais de quem não sabe mais como manejar a arte da sedução, descobre que estava distante da mulher e dos filhos.  A comédia tem seus méritos, além da presença de Julliane Moore, Steve Carrel dá conta de fazer o marido vitimado pela solidão.  Com orçamento de US$ 50 milhões, o filme tem ainda Kevin Bacon no elenco e Ryan Gosling, que faz o bonitão da história, foi indicado ao Globo de Ouro como ator coadjuvante. Para quem adora o clima romance, anote: Ryan Gosling e Emma Stone, os dois pombinhos da história, concorreram ao Melhor Beijo Cinematográfico pela MTV Movie Awards de 2012. Só que o prêmio ficou com Robert Pattinson e Kristen Stewart por A Saga Crepúsculo: Amanhecer.  Direção: John Requa e Glenn Ficarra, EUA, 2011.  (Foto/Divulgação)

 

Hugo Tres Tres

A  invenção de Hugo Cabret – Paris, anos 30. Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um órfão que vive escondido nas paredes da estação de trem. Ele guarda consigo um robô quebrado, deixado por seu pai (Jude Law). Um dia, ao fugir do inspetor (Sacha Baron Cohen), ele conhece Isabelle (Chloe Moretz), uma jovem com quem faz amizade. Logo Hugo descobre que ela tem uma chave com o fecho em forma de coração, exatamente do mesmo tamanho da fechadura existente no robô. O robô volta, então, a funcionar, levando a dupla a tentar resolver um mistério mágico. O longa é baseado no livro de Brian Selznick, que o escreveu inspirado na história do cineasta Georges Méliès (1861-1938). Direção: Martin Scorsese, EUA , 2011.  (Foto/Divulgação)

 

(*) Giselle Araujo é jornalista e colaborado do porAmaisB – #poramaisb – press.poramaisb@gmail.com

Categoria: Usos & Costumes